{"id":17488,"date":"2020-01-23T13:30:21","date_gmt":"2020-01-23T16:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17488"},"modified":"2020-01-23T13:30:21","modified_gmt":"2020-01-23T16:30:21","slug":"a-guerra-de-mentira-luis-fernando-verissimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-guerra-de-mentira-luis-fernando-verissimo\/","title":{"rendered":"A guerra de mentira (Luis Fernando Verissimo)"},"content":{"rendered":"<p>No come\u00e7o do ano de 1932 na Alemanha, no ocaso da Rep\u00fablica socialdemocrata de Weimar, era avassaladora a sensa\u00e7\u00e3o de estar vivendo algum tipo de crise final, ou pelo menos uma crise destinada a uma solu\u00e7\u00e3o catacl\u00edsmica. A elei\u00e7\u00e3o presidencial de maio daquele ano j\u00e1 eliminara o \u00faltimo dos governos de Weimar e dado lugar a uma quadrilha de aristocratas reacion\u00e1rios que governavam por decreto. E que, para atrair Hitler, revogaram uma recente proibi\u00e7\u00e3o do uso de uniforme pelas tropas de choque nazistas.<\/p>\n<p>Paradas deliberadamente provocadoras passaram a ser parte do panorama das ruas. Todos os dias havia batalhas entre mil\u00edcias uniformizadas. Somente em julho morreram 86 pessoas em entreveros entre nazistas e comunistas, e o n\u00famero de feridos graves atingiu centenas. Nesse clima, Hitler, rec\u00e9m-nomeado chanceler, for\u00e7ou uma elei\u00e7\u00e3o geral em julho, na qual os nazistas obtiveram quase 14 milh\u00f5es de votos e 230 cadeiras no Reichstag; os comunistas, mais de 5 milh\u00f5es de votos, ou 89 cadeiras no Parlamento. E antes que um leitor ou uma leitora mais atento identifique o texto acima, me apresso a dizer que ele n\u00e3o \u00e9 meu, \u00e9 tirado do livro \u201cTempos interessantes\u201d, uma autobiografia do historiador marxista Eric Hobsbawm, morto em 2017. A m\u00fasica de fundo \u00e9 do Wagner (Tiso).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tempos-interessantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17489\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tempos-interessantes-312x450.jpg\" alt=\"Tempos interessantes\" width=\"312\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tempos-interessantes-312x450.jpg 312w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tempos-interessantes-208x300.jpg 208w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Tempos-interessantes.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Capa do livro autobiogr\u00e1fico do historiador Eric de\u00a0Hobsbawm<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Hobsbawm passou a inf\u00e2ncia e boa parte da adolesc\u00eancia em Berlim e acompanhou de perto \u2014 ou da dist\u00e2ncia segura para um adolescente \u2014as sucessivas crises que levaram Hitler ao poder. O crescimento dos comunistas nas elei\u00e7\u00f5es de julho enfatizou uma das raz\u00f5es para o sucesso dos nazistas na Alemanha e sua aceita\u00e7\u00e3o no resto da Europa, onde contavam com simpatizantes at\u00e9 na fam\u00edlia real inglesa. A rea\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica predat\u00f3ria de Hitler, mesmo quando n\u00e3o havia mais d\u00favida sobre suas m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, demorou porque, bem ou mal, a poderosa nova Alemanha era um baluarte contra o mal maior que amea\u00e7ava o Ocidente, o comunismo. Chegou-se a inventar uma express\u00e3o para descrever os primeiros avan\u00e7os de Hitler fora das fronteiras do Reich, sem oposi\u00e7\u00e3o: <em>phoney war<\/em> em ingl\u00eas, <em>dr\u00f4le de guerre<\/em> em franc\u00eas, ou <em>Sitzkrieg<\/em> (guerra sentada) em alem\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o do ano de 1932 na Alemanha, no ocaso da Rep\u00fablica socialdemocrata de Weimar, era avassaladora a sensa\u00e7\u00e3o de estar vivendo algum tipo de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17490,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17488","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17488"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17491,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17488\/revisions\/17491"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}