{"id":17479,"date":"2020-01-19T12:52:37","date_gmt":"2020-01-19T15:52:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17479"},"modified":"2020-01-19T13:03:49","modified_gmt":"2020-01-19T16:03:49","slug":"alvim-obra-de-um-governo-anormal-bernardo-mello-franco-o-globo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/alvim-obra-de-um-governo-anormal-bernardo-mello-franco-o-globo\/","title":{"rendered":"Alvim, obra de um governo anormal (Bernardo Mello Franco, O Globo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Num governo normal, em tempos normais, um imitador de nazistas jamais alcan\u00e7aria o topo do poder. Alvim chegou l\u00e1 porque estamos no Brasil de Bolsonaro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u2018Antes de mais nada, \u00e9 preciso lembrar o que o governo Bolsonaro n\u00e3o \u00e9: um governo normal em tempos normais\u201d. Assim come\u00e7a o artigo \u201cO m\u00e9todo do governo Bolsonaro\u201d, do cientista pol\u00edtico Christian Lynch. O texto teve repercuss\u00e3o modesta quando foi publicado, em agosto passado. Cinco meses depois, transformou o autor em alvo da ca\u00e7a \u00e0s bruxas federal.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, Lynch foi anunciado para um cargo t\u00e9cnico na Casa de Rui Barbosa. Horas depois, teve a indica\u00e7\u00e3o vetada pelo secret\u00e1rio de Cultura do governo. Roberto Alvim acusou o pesquisador de pregar \u201cideias execr\u00e1veis\u201d sobre o presidente. A nomea\u00e7\u00e3o subiu no telhado antes de sair no \u201cDi\u00e1rio Oficial\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Christian-lynch-recortada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17480\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Christian-lynch-recortada.jpg\" alt=\"Christian lynch recortada\" width=\"282\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Christian-lynch-recortada.jpg 282w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Christian-lynch-recortada-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Christian Lynch: &#8220;governo Bolsonaro n\u00e3o \u00e9: um governo normal em tempos normais\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No dia seguinte, Alvim foi elogiado publicamente pelo chefe. \u201cDepois de d\u00e9cadas, agora temos um secret\u00e1rio de Cultura de verdade\u201d, celebrou o capit\u00e3o. O dramaturgo cairia horas depois, por copiar um discurso de Joseph Goebbels. A indigna\u00e7\u00e3o de meia Rep\u00fablica n\u00e3o bastou para derrub\u00e1-lo. Bolsonaro s\u00f3 entregou sua cabe\u00e7a ap\u00f3s uma liga\u00e7\u00e3o do embaixador de Israel.<\/p>\n<p>Antes de trope\u00e7ar no pr\u00f3prio fanatismo, Alvim cumpriu todas as tarefas que recebeu. Censurou editais, perseguiu servidores, atacou artistas e entregou institui\u00e7\u00f5es de Estado a militantes de extrema direita. Seu \u00faltimo ato foi lan\u00e7ar um pr\u00eamio de R$ 20 milh\u00f5es para financiar o que ele mesmo definiu como um \u201cbombardeio de arte conservadora\u201d. O plagiador caiu, mas a guerra cultural continua \u2014 e o destino do dinheiro p\u00fablico permanece incerto.<\/p>\n<p>Num governo normal, em tempos normais, um imitador de nazistas jamais alcan\u00e7aria o topo do poder. Alvim chegou l\u00e1 porque estamos no Brasil de Bolsonaro. \u00c9 um pa\u00eds em que o ministro da Educa\u00e7\u00e3o insulta professores, o ministro do Meio Ambiente ataca ambientalistas e um assessor da Presid\u00eancia repete gritos de guerra do fascismo espanhol.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Alvim-e-Goebbels.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17481\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Alvim-e-Goebbels.jpg\" alt=\"Alvim e Goebbels\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Alvim copiou trechos do discurso de Goebbels, ide\u00f3logo da propaganda nazista, em 1933<\/strong><\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 quem ainda tente contemporizar com o inaceit\u00e1vel a pretexto de defender as reformas. Na sexta, vozes do mercado repetiram que a ofensiva autorit\u00e1ria \u201cn\u00e3o abala\u201d a agenda econ\u00f4mica. Nelson Rodrigues j\u00e1 ensinou que o dinheiro compra tudo, at\u00e9 amor verdadeiro. Ocorre que n\u00e3o existem dois governos, um extremista e um moderado. O projeto \u00e9 um s\u00f3, e aposta na radicaliza\u00e7\u00e3o para se perpetuar no poder.<\/p>\n<p>No texto que irritou Alvim, o professor Lynch descreve as armas do bolsonarismo para encurralar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. \u201cFazem parte do seu arsenal de guerra pol\u00edtica a intimida\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito de vingan\u00e7a, a persegui\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio da viol\u00eancia psicol\u00f3gica\u201d, escreveu. A ordem \u00e9 mobilizar a milit\u00e2ncia e acuar o Congresso e o Supremo. Ao mesmo tempo, o governo captura \u00f3rg\u00e3os de controle e investe contra entidades da sociedade civil.<\/p>\n<p>O autor deixa claro que o projeto em curso n\u00e3o se contenta com vit\u00f3rias eleitorais. Seu objetivo \u00e9 \u201cp\u00f4r abaixo o mundo que a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 criou\u201d, a pretexto de restaurar valores \u201cda autoridade, da hierarquia e da religi\u00e3o\u201d. O artigo tamb\u00e9m explica a ascens\u00e3o de figuras como Alvim: \u201cA ades\u00e3o ao extremismo ideol\u00f3gico \u00e9 escada para os candidatos que desejarem assumir cargos na administra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num governo normal, em tempos normais, um imitador de nazistas jamais alcan\u00e7aria o topo do poder. Alvim chegou l\u00e1 porque estamos no Brasil de Bolsonaro &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17482,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17479","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17479"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17479\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17485,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17479\/revisions\/17485"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}