{"id":17240,"date":"2019-10-08T20:36:37","date_gmt":"2019-10-08T23:36:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17240"},"modified":"2019-10-09T00:26:45","modified_gmt":"2019-10-09T03:26:45","slug":"figo-maca-ou-banana-que-folha-cobriu-as-vergonhas-de-adao-e-eva-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/figo-maca-ou-banana-que-folha-cobriu-as-vergonhas-de-adao-e-eva-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Figo, ma\u00e7\u00e3 ou banana: que folha cobriu as vergonhas de Ad\u00e3o e Eva? (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do misterioso e excitante caso de Lilith &#8211; a suposta primeira mulher criada por Deus &#8211; h\u00e1 outra passagem b\u00edblica que me ati\u00e7a: qual o fruto e a folha usada por Ad\u00e3o e Eva, depois da expuls\u00e3o do Para\u00edso, para \u201cesconder as vergonhas\u201d? Nem interessa saber se a tenta\u00e7\u00e3o de \u201ccomer o fruto\u201d teria valido a pena (pelo menos para justificar o pecado que se chamou \u201coriginal\u201d). Em complemento, fico me perguntando sobre as alternativas capazes de explicar a esp\u00e9cie da \u00e1rvore \u2013 e o tipo de folha \u2013 do fruto fat\u00eddico. Nas primeiras tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia em voga at\u00e9 o s\u00e9culo IV, falava-se de uma figueira, mas h\u00e1 d\u00favidas relativas ao tamanho das folhas e \u00e0 for\u00e7a dos galhos, pouco robustos para suportar uma serpente capaz de seduzir pela oferta do tal fruto irresist\u00edvel. O correr dos s\u00e9culos, contudo, consagrou outra vers\u00e3o que, segundo o s\u00e1bio S\u00e3o Jer\u00f4nimo, seria a real \u00e1rvore, fruta e folha: a macieira. Ali\u00e1s, esta foi a vers\u00e3o que atravessou s\u00e9culos e que tomou conta do imagin\u00e1rio fermentado por pintores, escultores, poetas e sermonistas. Sem entrar no m\u00e9rito da quest\u00e3o, c\u00e1 entre n\u00f3s, esteticamente a ma\u00e7\u00e3 \u00e9 bem mais fotog\u00eanica e de f\u00e1cil reconhecimento que o figo. Al\u00e9m de tudo, a ma\u00e7\u00e3 tem sido assimilada como fruta pretexto seja na lenda de Guilherme Tell ou da Branca de Neve. Como \u201cfruto proibido\u201d n\u00e3o faltam refer\u00eancias, poemas e can\u00e7\u00f5es saudando a maliciosa \u201cfruta do amor\u201d.<\/p>\n<p>De toda forma, segundo exegetas, a mudan\u00e7a da figueira para a macieira se deveu a um equ\u00edvoco de tradu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Jer\u00f4nimo, ao se deparar com o termo hebraico \u201cmalum\u201d em latim, confundiu as palavras hom\u00f4nimas \u201cmal\u201d com \u201cma\u00e7\u00e3\u201d, ambas com a mesma ortografia. Foi o que bastou. Por s\u00e9culos a ma\u00e7\u00e3 foi a escolhida. N\u00e3o pensem, por\u00e9m que esse predom\u00ednio ocorreu sem contesta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, mas de tal maneira foi aceito que se vulgarizou em outra pol\u00eamica, n\u00e3o menos interessante, o chamado \u201cpomo de Ad\u00e3o\u201d. Sim, tamb\u00e9m desprezada a prioridade no pecado \u2013 quem teria comido o fruto proibido antes, Ad\u00e3o ou Eva \u2013 a pol\u00eamica merece retomada, pois diz a tradi\u00e7\u00e3o que o homem comeu primeiro e por isto, sua garganta foi amaldi\u00e7oada com o gog\u00f3 ou \u201cpomo de Ad\u00e3o\u201d. Entre lembran\u00e7as e apagamentos, o caso da folha continuou, e o termo \u201cpomar\u201d ganhou significado especial, de planta\u00e7\u00e3o de frutas, pois seria resultado do \u201csuor do rosto\u201d de quantos pagam pela farra de Ad\u00e3o e Eva.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/S-Jeronimo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17241\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/S-Jeronimo.jpg\" alt=\"S Jeronimo\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/S-Jeronimo.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/S-Jeronimo-265x147.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>S\u00e3o Jer\u00f4nimo, tradutor da b\u00edblia: mal e ma\u00e7\u00e3 teriam a mesma ortografia em hebraico<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Recentemente, contudo, uma nova substitui\u00e7\u00e3o tem atormentado a tradi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de a figueira ter sido trocada pela macieira, cogita-se que a verdadeira folha teria sido de bananeira. A \u201cnova\u201d escolha deve-se ao reconhecimento registrado em um artigo escrito por Dan Koeppel, autor de um livro irresist\u00edvel chamado \u201cBanana: o destino da fruta que mudou o mundo (\u201c<em>Fate of the Fruit that Changed the World\u201d)<\/em>. Este curioso texto mereceu aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica e foi complementado por outro, igualmente provocante, tamb\u00e9m dedicado a interpretar os s\u00edmbolos e met\u00e1foras b\u00edblicas \u201cA Linguagem Secreta das Igrejas e das Catedrais: Decifrando o Simbolismo Sagrado dos Edif\u00edcios Santos Crist\u00e3os\u201d (\u201c<em>The Secret Language of Churches and Cathedrals: Decoding the Sacred Symbolism of Christianity\u2019s HolyBuildings<\/em>\u201d), de autoria de Richard Stemp. Seguidores desta proposta alegam que a banana \u00e9 mais pr\u00f3xima do s\u00edmbolo f\u00e1lico que, por sua vez, serviria de sugest\u00e3o ao ato sexual transgressivo. Mas os argumentos progridem tamb\u00e9m por outras variantes. Sabe-se que as bananeiras s\u00e3o origin\u00e1rias do Sudeste Asi\u00e1tico, local que se imagina ter sido o Para\u00edso. Al\u00e9m do mais, a banana \u00e9 tida como o mais antigo dos frutos e por ser rizoma depois de dar frutos em cachos vai renascendo progressivamente. Existe uma corrente que professa ser a banana o fruto \u201cda ci\u00eancia do bem e do mal\u201d, nomeada em latim como \u201c<em>Musa Sapientum<\/em>\u201d e que, assim, como divindade do conhecimento, seria respons\u00e1vel pela consci\u00eancia do ato transgressor que quebrou o pacto de Deus com o primeiro casal.<a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Adao-e-Eva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17243\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Adao-e-Eva.jpg\" alt=\"Adao e Eva\" width=\"310\" height=\"163\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Adao-e-Eva.jpg 310w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Adao-e-Eva-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>A fantasia produziu infinitas imagens do primeiro casal<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Frente a este debate instigante, resta ver a atualiza\u00e7\u00e3o das escolhas. As feministas criticam a aceita\u00e7\u00e3o da banana como eleita porque, pelo tamanho e formato da fruta, privilegiaria os homens. Al\u00e9m disso, mais um fator atua nesta controv\u00e9rsia: seria a mulher a agente do engodo, e o homem sua v\u00edtima? Enfim, me pergunto, por que estas quest\u00f5es n\u00e3o entram nas aulas de religi\u00e3o? Qual a raz\u00e3o dos serm\u00f5es evitarem tais pol\u00eamicas? N\u00e3o seriam ganchos \u00fateis para a discuss\u00e3o de g\u00eanero e poder na sociedade atual? Ou \u00e9 melhor ficar quieto e continuar navegando pelo mar obscuro das certezas definidas? Figueira, macieira ou bananeira? Sil\u00eancio ou debate?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do misterioso e excitante caso de Lilith &#8211; a suposta primeira mulher criada por Deus &#8211; h\u00e1 outra passagem b\u00edblica que me ati\u00e7a: qual &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17242,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17240","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17240"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17244,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17240\/revisions\/17244"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}