{"id":17169,"date":"2019-09-07T17:55:32","date_gmt":"2019-09-07T20:55:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17169"},"modified":"2019-09-07T18:02:48","modified_gmt":"2019-09-07T21:02:48","slug":"colonialidade-latino-americana-nos-brasileiros-como-os-europeus-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/colonialidade-latino-americana-nos-brasileiros-como-os-europeus-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"COLONIALIDADE LATINO AMERICANA: n\u00f3s brasileiros como os europeus (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser brasileiro hoje. Nunca foi, ali\u00e1s, mas parece que agora o coro de do\u00eddos potencializados pelas redes sociais transformou o pa\u00eds \u2013 e o continente \u2013 em imenso manic\u00f4mio. Sim, alastrou-se uma tara que d\u00e1 rosto aos dois lados da moeda que lastreia a desgra\u00e7a nacional e barateia tudo. Nem mais sequer encontramos alienados ou alheios: todos t\u00eam posi\u00e7\u00f5es \u201ccertas\u201d, somos todos engajados, temos prefer\u00eancias extremadas, e \u00e9 not\u00e1vel que os crit\u00e9rios de escolhas se digam ligados ao mais puro amor ao torr\u00e3o natal. E reponta assim um nacionalismo patrioteiro mais pr\u00f3ximo da burrice do que da fronteira do bom senso mediano. A defesa do econ\u00f4mico se agiganta projetando o aumento de empregos e a valoriza\u00e7\u00e3o da moeda como fatores capitais, \u00fanicos, redentores do progresso material. Infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 mais como olhar do lado sem se questionar do posicionamento do pr\u00f3ximo mais pr\u00f3ximo, e o resultado \u00e9 um sil\u00eancio ensurdecedor. Ficamos quietos, pois meras refer\u00eancias podem ser declara\u00e7\u00e3o de rompimentos. Melhor ligar o aparelho celular e ver as \u00faltimas&#8230;<\/p>\n<p>Triste, n\u00e9, pois nesta ciranda, rolou a espontaneidade, a tolice contida nas abobrinhas contadas \u00e0 guisa de contato, as conversas fiadas, brincadeiras trocadas. O bom mocismo, a cordialidade, a gra\u00e7a matreira do jeitinho, as piadas prontas, tudo virou res\u00edduo. Somos hoje um pa\u00eds triste, amargado pela desesperan\u00e7a, machucado pela infelicidade pol\u00edtica. E haja libera\u00e7\u00e3o de armas, prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mil\u00edcias, dia do fogo, impunidade para os amigos poderosos, cara feia de pol\u00edticos amea\u00e7adores, redu\u00e7\u00e3o de direitos, massacre de minorias. Destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra feia que marca o mau h\u00e1lito do conv\u00edvio e nos faz virar o rosto para o saudoso bate-papo, para a provoca\u00e7\u00e3o que levava ao barzinho, para um mi-mi-mi tolo, mas interativo. H\u00e1, pelo avesso, escondido no futuro da incompreens\u00e3o hist\u00f3rica, algo pior ainda, o destrato do vern\u00e1culo combinado com a ignor\u00e2ncia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17171\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios.jpg\" alt=\"Indios\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p>O fulo, o vern\u00e1culo errado cr\u00f4nico, os verbos entortados, a falta de eleg\u00e2ncia que violenta a liturgia dos cargos, enfim, um composto tr\u00e1gico-c\u00f4mico que nos esfola e nos faz menor quando os argumentos (ou a falta deles) integra os confrontos multiplicados pelas benesses da eletr\u00f4nica. Estamos perdendo o tamanho e somos assombreados por <em>fake news<\/em>. Encolhemos. No processo dessa nossa retra\u00e7\u00e3o perdemos a humanidade. Mas \u00e9 evidente que isto n\u00e3o acontece de repente, e sem nexos causais. N\u00e3o. H\u00e1 uma arquitetura ordenando o desmonte de nossos inocentes estere\u00f3tipos que, afinal, por sutis e disfar\u00e7ados que eram nos faziam bem. A realidade atual, como se nos arrancassem a fantasia na quarta-feira, acabou com o alegre carnaval da nossa cultura urbana e t\u00e3o graciosamente montada em cima de uma democracia racial. Acordamos para o abismo&#8230;<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda algo pior acontecendo. Enquanto nos bast\u00e1vamos como brasileiros cordiais, na pacatez do tal pa\u00eds tropical aben\u00e7oado por deus e bonito por natureza, no subsolo do decantado gigante pela pr\u00f3pria natureza, gestava-se um monstro vingativo que n\u00e3o queria mais ser filho do colonizador hist\u00f3rico europeu, e que bradando sua independ\u00eancia pol\u00edtica, social, moral e \u00e9tica, nada mais fez do que reproduzir exatamente os valores dos representantes do \u201cvelho mundo\u201d. Foi assim que, na moderniza\u00e7\u00e3o de uma industrializa\u00e7\u00e3o servil e globalizada, se constituiu uma classe m\u00e9dia branca, isolada de ramifica\u00e7\u00f5es sociais ind\u00edgenas e negras e desprezadoras dos segmentos amulatados que somos. \u00cdmpia, propriet\u00e1ria, arrogante e dona da verdade, a classe m\u00e9dia quando amea\u00e7ada por poss\u00edveis \u201coutros\u201d se arrepiou e cavou trincheiras. No m\u00e1ximo, e t\u00e3o somente os novos contingentes estrangeiros, os imigrantes e sua prole \u2013 brancos \u00e9 evidente \u2013 foram incorporados, mas n\u00e3o sem antes terem capital para integrar nossa elite de arremedo. E que grupo dominante se formou no que de mais estranho a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina produziu! Excludente, isolador, vingativo, incapaz de promover o progresso de segmentos eternizados como subalternos, julgando-se cidad\u00e3os melhores que os outros, este grupo soube atravessar s\u00e9culos escravizando negros, massacrando \u00edndios, reprimindo quem n\u00e3o coubesse na tarja cunhada pelo dom\u00ednio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Espelho-de-Prospero.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17170\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Espelho-de-Prospero.jpg\" alt=\"Espelho de Prospero\" width=\"225\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Espelho-de-Prospero.jpg 225w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Espelho-de-Prospero-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Espelho-de-Prospero-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Aprendeu-se direitinho o jeito colonizador de ser. Talvez at\u00e9 melhor do que as li\u00e7\u00f5es dadas pelos leg\u00edtimos conquistadores, os \u201ccolonializados\u201d se apossaram de tudo e mesmo sendo pouco, se assoberbam declarando-se arautos do pa\u00eds. O conjunto de fatores que alimenta esta emp\u00e1fia, por ironia que seja, \u00e9 detectada por uma m\u00ednima parcela da intelectuais latino-americanos, em particular de grupos que aprendem com diagnosticadores como Quijano, Durssel, Mignolo, Lander, entre outros latino-americanistas que n\u00e3o olham no Espelho do Pr\u00f3spero. Este grupo apresenta uma vers\u00e3o que merece ser considerada agora mais do que nunca e com base nas propostas deles convida-se a estudar um pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Sei que assim falando pensas<br \/>\nQue esse desespero \u00e9 moda em 76<br \/>\nE eu quero \u00e9 que esse canto torto<br \/>\nFeito faca, corte a carne de voc\u00eas<br \/>\nE eu quero \u00e9 que esse canto torto<br \/>\nFeito faca, corte a carne de voc\u00eas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Tenho vinte e cinco anos<br \/>\nDe sonho e de sangue<br \/>\nE de Am\u00e9rica do Sul<br \/>\nPor for\u00e7a deste destino<br \/>\nUm tango argentino<br \/>\nMe vai bem melhor que um blues<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser brasileiro hoje. 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