{"id":17144,"date":"2019-09-04T17:27:04","date_gmt":"2019-09-04T20:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17144"},"modified":"2019-09-04T17:55:14","modified_gmt":"2019-09-04T20:55:14","slug":"17144","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/17144\/","title":{"rendered":"Weintraub \u00e9 parte do folclore radical (Elio Gaspari)"},"content":{"rendered":"<p>Num governo que fez a op\u00e7\u00e3o preferencial pelo folclore radical, Abraham Weintraub \u00e9 um personagem inesquec\u00edvel. \u00c9 leg\u00edtimo herdeiro do general Aur\u00e9lio de Lyra Tavares, que h\u00e1 exatos 50 anos governava o Brasil na junta militar que empalmou o poder diante da incapacidade do presidente Costa e Silva. O doutor Weintraub pediu dinheiro ao ministro Paulo Guedes referindo-se \u00e0 \u201csuspen\u00e7\u00e3o\u201d de pagamentos. Dias depois, explicou-se dizendo que assinou a carta de oito p\u00e1ginas sem l\u00ea-la.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1964, o general Lyra Tavares escreveu ao seu chefe, Humberto Castelo Branco, falando em \u201cacessoramento\u201d, numa carta em que meteu tamb\u00e9m um \u201cencorage\u201d. Como o general acabou seus dias num fard\u00e3o da Academia Brasileira de Letras, o ministro da Educass\u00e3o tem pouco a temer. (Quando a ditadura vivia seu per\u00edodo de abrandamento, era comum que panfletos e documentos militares criticassem a \u201cdisten\u00e7\u00e3o\u201d.)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/3-porquinhos-recortada.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17148\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/3-porquinhos-recortada.png\" alt=\"3 porquinhos recortada\" width=\"303\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/3-porquinhos-recortada.png 303w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/3-porquinhos-recortada-282x300.png 282w\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Damares, Weintraub e Salles formam o triunvirato folcl\u00f3rico de Bras\u00edlia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Com Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos), Weintraub comp\u00f5e o triunvirato folcl\u00f3rico do governo Bolsonaro. Uma cedilha a mais ou a menos n\u00e3o deve ser motivo para se condenar uma pessoa. Grave mesmo \u00e9 que no dia em que se noticia a suspens\u00e3o do pagamento de 5.613 bolsas de mestrado e doutorado, o ministro v\u00e1 para vitrine escrevendo que \u201ctem gente que acredita em Saci Perer\u00ea, em Boi Tat\u00e1 e em Mula sem Cabe\u00e7a; e tem gente que acredita no Datafolha\u201d. Seu chefe manifestou o mesmo ceticismo em rela\u00e7\u00e3o a uma pesquisa que mostrou a corros\u00e3o de sua popularidade, lembrando que tem gente que acredita em Papai Noel. Tudo bem porque qualquer fantasia \u00e9 admiss\u00edvel para quem se v\u00ea mal numa pesquisa, inclusive a de acreditar no bom velhinho.<\/p>\n<p>Ministro da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra hist\u00f3ria, sobretudo num pa\u00eds que precisa de pesquisadores. O Brasil que j\u00e1 conviveu com um ministro do Ex\u00e9rcito que escreveu \u201cacessoramento\u201d pode conviver com outro, na Educa\u00e7\u00e3o, que assina sem ler um documento mencionando uma \u201csupen\u00e7\u00e3o\u201d de pagamentos. Mais dif\u00edcil ser\u00e1 conviver com um administrador que suspende todas (repetindo, todas) as novas bolsas de mestrado e doutorado do pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Weintraub.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17149\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Weintraub-450x300.jpg\" alt=\"Weintraub\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Weintraub-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Weintraub-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Weintraub.jpg 680w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Diz que n\u00e3o leu, mas aprovou e da\u00ed? talkei?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Weintraub poderia abrir o debate do financiamento dessas bolsas, de sua qualidade e dos crit\u00e9rios que as orientam. Tamb\u00e9m poderia reconhecer a gravidade da suspen\u00e7\u00e3o, organizando-se para minorar seus efeitos. Nessa discuss\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para vida inteligente. \u00c9 sempre bom lembrar que nos seus 21 anos de dura\u00e7\u00e3o, a ditadura demitiu, prendeu e exilou cientistas, mas tamb\u00e9m montou uma s\u00f3lida base de est\u00edmulo \u00e0 pesquisa. Poucos professores foram t\u00e3o patrulhados pela esquerda em 1964 quanto o reitor Zeferino Vaz, da Universidade de Bras\u00edlia. A partir de 1966 ele comandou a organiza\u00e7\u00e3o da Unicamp, que est\u00e1 hoje entre as melhores do pa\u00eds. O campus da universidade leva seu nome. Deve-se a S\u00e9rgio Buarque de Holanda a distin\u00e7\u00e3o, na pol\u00edtica brasileira, entre conservadorismo e atraso. Talvez Zeferino fosse conservador, mas atrasado n\u00e3o era. Weintraub \u00e9 atrasado, s\u00f3.<\/p>\n<p>Ele acha que existe um boi chamado Tat\u00e1. O boitat\u00e1 \u00e9 uma enorme serpente de fogo que protege as matas. Ricardo Salles e Bolsonaro, por exemplo, sentiram o bafo do boitat\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num governo que fez a op\u00e7\u00e3o preferencial pelo folclore radical, Abraham Weintraub \u00e9 um personagem inesquec\u00edvel. \u00c9 leg\u00edtimo herdeiro do general Aur\u00e9lio de Lyra Tavares, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17150,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17144"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17151,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17144\/revisions\/17151"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}