{"id":17050,"date":"2019-08-03T20:48:39","date_gmt":"2019-08-03T23:48:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=17050"},"modified":"2019-08-03T20:48:39","modified_gmt":"2019-08-03T23:48:39","slug":"versao-de-bolsonaro-para-santa-cruz-e-realidade-paralela-elio-gaspari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/versao-de-bolsonaro-para-santa-cruz-e-realidade-paralela-elio-gaspari\/","title":{"rendered":"Vers\u00e3o de Bolsonaro para Santa Cruz \u00e9 &#8220;realidade paralela&#8221; (Elio Gaspari)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Dona Elzita, m\u00e3e de Fernando, passou a vida em busca do filho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Se Jair Bolsonaro conversasse com os septuagen\u00e1rios veteranos da \u201ctigrada\u201d da ditadura, n\u00e3o teria chamado o general da reserva Luiz Rocha Paiva de \u201cmelancia\u201d (verde por fora, vermelho por dentro). Ele foi um dos principais colaboradores na manuten\u00e7\u00e3o do site Terrorismo Nunca Mais. Talvez tamb\u00e9m n\u00e3o tivesse sugerido que Fernando Santa Cruz, desaparecido desde 1974, quando tinha 26 anos, foi executado por militantes de esquerda. Fernando era o pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que tinha menos de 2 anos quando ele desapareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Gal-Luiz-Rocha-Paiva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17051\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Gal-Luiz-Rocha-Paiva.jpg\" alt=\"Gal Luiz Rocha Paiva\" width=\"270\" height=\"186\" \/><\/a><em><strong>Gal Luiz Paiva chamado de melancia (verde por fora, vermelho por dentro) por Bolsonaro<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O caso de Fernando Santa Cruz exemplifica, como poucos outros, o assassinato de uma pessoa que tinha vida legal, fam\u00edlia constitu\u00edda e domic\u00edlio conhecido. Ele morreu no \u00faltimo m\u00eas do governo M\u00e9dici. A pol\u00edtica de exterm\u00ednio das organiza\u00e7\u00f5es armadas brasileiras que agiam nas cidades j\u00e1 tinha esfriado, pois elas haviam sido esmigalhadas. Em novembro, um comando do DOI de S\u00e3o Paulo matou S\u00f4nia Maria Lopes de Moraes, da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, e Ant\u00f4nio Carlos Bicalho Lana, que se escondiam no litoral paulista. Em dezembro, o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito sequestrou em Buenos Aires e matou no Rio o ex-major Joaquim Pires Cerveira e Jo\u00e3o Batista Rita, que haviam militado na Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria. Depois disso, nada. (Do Natal de 1973 ao final de 1974, mataram cerca de 40 militantes do PCdoB nas matas do Araguaia, inclusive os que se renderam. Ou, numa realidade paralela, foram todos resgatados por um disco voador alban\u00eas). Nesse per\u00edodo, deu-se a decapita\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a do Partido Comunista, que n\u00e3o pegou em armas.<\/p>\n<p>Fernando Santa Cruz havia sido preso no Recife em 1966, quando era menor de idade. Desde 1968 tinha vida legal. Trabalhou no Minist\u00e9rio do Interior e mudou-se para S\u00e3o Paulo, onde trabalhava no Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica. Durante o carnaval de 1974, Fernando estava no Rio e marcou um encontro com o amigo Eduardo Collier, militante da APML. Temia ser preso e falou disso com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eduardo-Collir-Filho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17052\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eduardo-Collir-Filho.jpg\" alt=\"Eduardo Collir Filho\" width=\"194\" height=\"259\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Amigo de Fernando Santa Cruz, &#8220;desaparecido&#8221; at\u00e9 hoje<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Um policial de apelido \u201cMarechal\u201d disse que ele estava preso num quartel da guarni\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo. Da\u00ed em diante, nada. A m\u00e3e de Fernando, Elzita Santa Cruz, morta h\u00e1 pouco, foi uma leoa e bateu em todas as portas. Os senadores Franco Montoro e Amaral Peixoto perguntaram pelo paradeiro de Fernando da tribuna da Casa. Elzita escreveu ao comandante da guarni\u00e7\u00e3o do Rio e ao marechal Juarez T\u00e1vora. O velho tenente de 1930 enviou a carta ao general Golbery, chefe do Gabinete Civil do presidente Ernesto Geisel, que assumira em mar\u00e7o. Meses depois, ela interpelou o pr\u00f3prio Golbery. Na busca por Fernando, teve a ajuda do marechal Cordeiro de Farias, comandante da Artilharia da FEB na It\u00e1lia. Nada. O ministro da Justi\u00e7a, Armando Falc\u00e3o, informava que estava foragido, vivendo \u201cna clandestinidade\u201d. Mentira. Nenhuma fam\u00edlia de militante executado fingiu que ele desapareceu.<\/p>\n<p>Bolsonaro pode ter sua realidade paralela, mas o general Rocha Paiva nunca foi \u201cmelancia\u201d, nem Fernando Santa Cruz foi executado pela APML. Por falar nisso, Rubens Paiva n\u00e3o foi resgatado por comparsas. Quem diz isso s\u00e3o oficiais que estavam no quartel da PE do Rio em 1971.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dona Elzita, m\u00e3e de Fernando, passou a vida em busca do filho Se Jair Bolsonaro conversasse com os septuagen\u00e1rios veteranos da \u201ctigrada\u201d da ditadura, n\u00e3o &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17053,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17050","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17050"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17054,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17050\/revisions\/17054"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}