{"id":16804,"date":"2019-05-06T13:35:00","date_gmt":"2019-05-06T16:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16804"},"modified":"2019-05-06T13:35:00","modified_gmt":"2019-05-06T16:35:00","slug":"a-ultima-de-bolsonaro-ruy-castro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-ultima-de-bolsonaro-ruy-castro\/","title":{"rendered":"A \u00faltima de Bolsonaro (Ruy Castro)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Surge um substituto para a \u00faltima do papagaio e do portugu\u00eas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No passado, os brasileiros, ao se encontrarem, iam logo perguntando: \u201cSabe a \u00faltima do papagaio?\u201d. E, sem esperar resposta, trocavam piadas sobre ele, dos milhares que existiam. Era bonito. Enquanto outros povos veneravam a \u00e1guia, o falc\u00e3o ou o condor, o papagaio era o her\u00f3i nacional. O brasileiro via nele qualidades que admirava \u2014safo, malicioso, l\u00fabrico. Mas, ou essas qualidades nunca existiram ou os papagaios se extinguiram, porque cessaram as piadas.<\/p>\n<p>Outra favorita era a \u00faltima do portugu\u00eas. O brasileiro tamb\u00e9m as criou, aos magotes, e n\u00e3o eram uma vingan\u00e7a contra o colonizador, como se pensa, mas contra o patr\u00e3o. Da Independ\u00eancia at\u00e9 ontem, os portugueses dominaram no Brasil o com\u00e9rcio de azeite, bacalhau, vinhos, im\u00f3veis, material de constru\u00e7\u00e3o, lojas de ferragens, padarias, t\u00e1xis e muitos outros. Hoje, com a coloniza\u00e7\u00e3o ao contr\u00e1rio \u2014incont\u00e1veis brasileiros morando e trabalhando em Portugal\u2014, s\u00e3o os portugueses que passaram a se perguntar: \u201cSabe a \u00faltima do brasileiro?\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Terra-a-vista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16806\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Terra-a-vista.jpg\" alt=\"Terra a vista\" width=\"313\" height=\"161\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Terra-a-vista.jpg 313w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Terra-a-vista-300x154.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Assim, com o sumi\u00e7o do papagaio e a volta por cima do portugu\u00eas, perdemos dois motes importantes. Mas acaba de surgir outro: \u201cSabe a \u00faltima do Bolsonaro?\u201d.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria nova e quase inacredit\u00e1vel surge todo dia a seu respeito. E com a vantagem de que n\u00e3o precisa ser inventada, porque ele pr\u00f3prio a fornece. S\u00e3o gafes atr\u00e1s de gafes, t\u00edpicas de quem nunca administrou nem uma quitanda e, pelo visto, tamb\u00e9m n\u00e3o aprendeu a fazer pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Vai da briga gratuita com os mu\u00e7ulmanos \u00e0 sua ideia de ter pr\u00e9vio acesso \u00e0s perguntas do Enem. Da admira\u00e7\u00e3o por torturadores e sucessivos insultos aos gays, negros e mulheres ao bate-boca com cantores de r\u00e1dio. Do chocante xixigate \u00e0 inc\u00f4moda vizinhan\u00e7a com bandidos. E, agora, a hist\u00f3ria de que, em pleno Pal\u00e1cio do Alvorada, ele dorme com um rev\u00f3lver na cabeceira. Se bem que, neste caso, qual \u00e9 o problema? Get\u00falio Vargas tamb\u00e9m dormia.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>*Jornalista e escritor, <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Surge um substituto para a \u00faltima do papagaio e do portugu\u00eas No passado, os brasileiros, ao se encontrarem, iam logo perguntando: \u201cSabe a \u00faltima do &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16807,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16804","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16804"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16808,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16804\/revisions\/16808"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}