{"id":16671,"date":"2019-03-18T09:03:45","date_gmt":"2019-03-18T12:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16671"},"modified":"2019-03-18T09:06:31","modified_gmt":"2019-03-18T12:06:31","slug":"a-mulher-do-ano-mes-de-marco-abril-maio-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/a-mulher-do-ano-mes-de-marco-abril-maio-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"A mulher do ano (m\u00eas de mar\u00e7o, abril, maio&#8230;) &#8211; Mestre JC Sebe Bom Meihy"},"content":{"rendered":"<p>Basta o enunciado do tema\/pretexto do m\u00eas mar\u00e7o e as mulheres ficam oiri\u00e7adas, empinam o nariz e reivindicam \u201clugar de fala\u201d, \u201cempoderamento\u201d e \u201cdireitos iguais\u201d. Nada contra, imagine; pelo avesso, perfilo presen\u00e7a entre os tietes desses seres que s\u00e3o a um tempo geradores de vida, mantenedoras de f\u00e9rteis contradi\u00e7\u00f5es, incessantemente obstinadas em suas certezas. N\u00e3o o fa\u00e7o, contudo, ingenuamente e sem reconhecer que na humanidade feminina combinam gra\u00e7as e venenos, afetos e desconfian\u00e7as, tudo subjugado a \u00fateros, TPMs, menopausas. Que tamb\u00e9m seja rasgada a simplifica\u00e7\u00e3o do darwinismo de botequim que contrap\u00f5e for\u00e7a m\u00e1scula \u00e0 fragilidade feminina. E que fiquem fora do jogo os tais que insistem em mostrar o lar como espa\u00e7o em que elas devem exercer como \u201crainhas\u201d. Digo at\u00e9 mais, que numa golfada de v\u00f4mito se ponha, definitivamente, para fora as malditas divis\u00f5es eivadas do pior preconceito crom\u00e1tico como os expressos pela pastora\/ministra que reduz a complexidade das nuan\u00e7as biol\u00f3gicas humanas a um azul e rosa, t\u00e3o idiotamente definidos como ela pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/08-de-marco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16673\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/08-de-marco.jpg\" alt=\"08 de marco\" width=\"293\" height=\"172\" \/><\/a><\/p>\n<p>De certa forma, que se repita minha assertiva de ser um feminista <em>avant la lettre<\/em> e ostentador muito orgulhoso do reconhecimento delas em plano de paridade, parceria e uni\u00e3o. Sinceramente, nem precisei esperar o vapor do politicamente correto para aquecer sentimentos de profunda simpatia pelo mulherio em geral. Creio que a raiz disto se deve a admira\u00e7\u00e3o amorosa que devoto \u00e0 minha m\u00e3e, mas que se dimensiona tamb\u00e9m atrav\u00e9s dos reflexos especulares dados pelo olhar devolvido pelas mulheres que sempre enfeitaram minhas rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ou distantes. Olhando-as pela \u00f3tica do pret\u00e9rito, vejo exaltado sempre o melhor de mim, o que tenho de mais afetivo.<\/p>\n<p>Mas, longe de alvos imediatos e tang\u00edveis no \u00e2mbito pessoal, entre tantas, me pergunto: quem seria a mulher do ano, a pessoa que mereceria reconhecimento pelo p\u00fablico que emblema? Com que argumentos poder\u00edamos exaltar algu\u00e9m com a for\u00e7a de uma ode justificadora do que mais representativo n\u00f3s temos em termos de brasilidade? E como flor que brota da lama, o nome de Marielle Franco surge na recita\u00e7\u00e3o de atributos da mulher brasileira moderna.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Desenho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16674\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Desenho.jpg\" alt=\"Desenho\" width=\"260\" height=\"194\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Um dos rostos mais conhecidos do planeta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Comecemos pela combina\u00e7\u00e3o de s\u00ednteses ou encontros que marcam nossa cultura: mulata, dona que foi de uma cabeleira solta e livre, vestindo sempre estampados de matriz africana, mas muito mais que isso, exaltadora de causas de minorias, declarou-se, ela pr\u00f3pria, l\u00e9sbica assumida na dignidade de quem antes tinha sido m\u00e3e. Depois de vida dif\u00edcil como camel\u00f4, estudou e, sendo beneficiada por cotas estudantis na PUC\/RIO, foi eleita a quinta mais votada vereadora em 2016 onde, na capital fluminense, exercia seu primeiro mandato com estrada aberta para um futuro promissor.<\/p>\n<p>Juntamente com seu motorista Anderson Gomes, no dia 14 de mar\u00e7o do ano passado, Marielle foi premeditadamente assassinada. Com n\u00edtidos n\u00f3s amarrados no cipoal pol\u00edtico, as investiga\u00e7\u00f5es patinam e n\u00e3o chegam \u00e0 revela\u00e7\u00e3o de nomes bandidos. A provar o empenho da jovem edil, Marielle saia de um evento inscrito na causa da mulher negra, portanto em seu labor pol\u00edtico, e isso por si s\u00f3, fica a provar a seriedade de seus empenhos militantes. Os enquadramentos policiais adequados, pois, a inscreve em crimes de responsabilidade p\u00fablica, circunst\u00e2ncia que ainda mais causa perplexidades a quantos clamam por justi\u00e7a institucional. Como os investigadores n\u00e3o descobrem (n\u00e3o descobrem ou n\u00e3o revelam?) os mandat\u00e1rios do atroz dolo, a mem\u00f3ria coletiva alimenta uma exalta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 plasmada no libert\u00e1rio DNA nacional. A longa aus\u00eancia de culpados fura um calend\u00e1rio que, por infeliz coincid\u00eancia, completa um ano exatamente no \u201cm\u00eas da mulher\u201d. Sem respostas p\u00fablicas, o triste enredo desta trama diab\u00f3lica sugere articula\u00e7\u00f5es comprometedoras das malhas pol\u00edticas dominantes. E, mais que tudo, isto aturde nossa democracia, deixando latente a certeza de mudan\u00e7as que, por paradoxal que pare\u00e7a, h\u00e3o de vir pela voz popular que se afina.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Marielle-com-M-Freixo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16675\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Marielle-com-M-Freixo.jpg\" alt=\"Marielle com M Freixo\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Marielle-com-M-Freixo.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Marielle-com-M-Freixo-265x147.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marielle com o amigo Marcelo Freixo, deputado federal pelo PSOL<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No pulsante cora\u00e7\u00e3o do corpo brasileiro Marielle continua viva e v\u00ea, dia ap\u00f3s dia, crescer seu exerc\u00edcio de busca de liberdade. Em resposta ao sil\u00eancio denunciador de estrat\u00e9gias mirabolantes, o coro dos contr\u00e1rios entoa brados de indigna\u00e7\u00e3o. Resposta dial\u00e9tica aos n\u00e3o ditos da justi\u00e7a, Marielle Franco vive e j\u00e1 virou nome de rua e pra\u00e7as, de movimentos pol\u00edticos, de escolas, e com afeto se eternizou em blocos e sambas que desfilaram neste carnaval. E n\u00e3o foram em agremia\u00e7\u00f5es mi\u00fadas, n\u00e3o! A Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira no Rio de Janeiro e a paulistana Vai-vai, coletivos populares que agregam as mais inflamadas torcidas carnavalescas, provam isto. Pouco se pode dizer do futuro do processo criminal da vereadora saudosa, mas a certeza do amor popular por Marielle h\u00e1 de vingar atrocidades mascaradas. \u00c9 exatamente na exalta\u00e7\u00e3o a ela que s\u00e3o assumidas suas causas combatentes, e isto a faz merecedora da escolha de mulher do ano. E ela materializa em sua aus\u00eancia f\u00edsica todas as demais mulheres e seus homens, seguidores. Marielle vive&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Basta o enunciado do tema\/pretexto do m\u00eas mar\u00e7o e as mulheres ficam oiri\u00e7adas, empinam o nariz e reivindicam \u201clugar de fala\u201d, \u201cempoderamento\u201d e \u201cdireitos iguais\u201d. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16676,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16671","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16671"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16671\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16677,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16671\/revisions\/16677"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}