{"id":16653,"date":"2019-03-12T17:05:08","date_gmt":"2019-03-12T20:05:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16653"},"modified":"2019-03-12T17:05:08","modified_gmt":"2019-03-12T20:05:08","slug":"marias-mahins-marielles-males-marcelo-freixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/marias-mahins-marielles-males-marcelo-freixo\/","title":{"rendered":"Marias, Mahins, Marielles, mal\u00eas (*Marcelo Freixo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Assassinato de uma vereadora \u00e9 um crime pol\u00edtico que atenta contra a democracia e o estado de direito. A sua execu\u00e7\u00e3o foi um recado (O Globo 12 Mar 2019)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na quinta-feira, completaremos um ano sem Marielle Franco e Anderson Gomes. O assassinato de Mari n\u00e3o significou par amima perda de uma companheira de trabalho, mas de uma pessoa com quem constru\u00ed por muitos anos uma rela\u00e7\u00e3o de muito amore cumplicidade.<\/p>\n<p>Nossa hist\u00f3ria vem de longe. Conheci Marielle em 2002, na formatura de Anielle, sua irm\u00e3, de quem era professor. Nossos caminhos voltaram ase cruzar, e depois disso n\u00e3o mais se separaram, em 2006, num evento chamado Domingo \u00e9 Dia de Cinema, que reunia alunos de pr\u00e9-vestibulares comunit\u00e1rios para assistira filmes e debat\u00ea-los. Mari era uma dessas alunas.<\/p>\n<p>Ela estava come\u00e7ando ase interessar por pol\u00edtica, apensar sobres eu lugar como mulher negra, m\u00e3e, moradora da Mar\u00e9, numa cidade marcada pelo racismo. Nesse despertar, Mari se engajou em minha campanha a deputado estadual em 2006 e, ap\u00f3s nos elegermos, ela e Renata Souza, hoje deputada estadual, foram escolhidas pelos moradores da Mar\u00e9 para ingressarem na equipe.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Marielle-e-Marcelo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16654\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Marielle-e-Marcelo.jpg\" alt=\"Marielle e Marcelo\" width=\"299\" height=\"168\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marielle Franco com o amigo deputado federal Marcelo Freixo (PSOL)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Nesses 12 anos de conviv\u00eancia, constru\u00edmos uma rela\u00e7\u00e3o de pai e filha, nunca perdemos o cuidado um com o outro. Sempre encontr\u00e1vamos tempo para conversar sobre a fam\u00edlia, nossos cora\u00e7\u00f5es, nossas ang\u00fastias.<\/p>\n<p>Fiquei muito orgulhoso ao ver eleita vereadora, com 46.502 votos, aquela menina que veio de um pr\u00e9-vestibular comunit\u00e1rio, que come\u00e7ou a trabalhar muito nova, que foi m\u00e3e cedo, que na sua fome de descobrir e mudar o mundo se envolveu na luta por direitos humanos, se formou soci\u00f3loga e fez mestrado em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Marielle Franco era uma pot\u00eancia, carregava em si, em sua hist\u00f3ria, as esperan\u00e7as de muita gente, das mulheres, dos negros, dos moradores de favela, por uma democracia cujo eixo fosse a promo\u00e7\u00e3o da igualdade e da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Vivemos num pa\u00eds em que mais de 60 mil pessoas s\u00e3o assassinadas por ano. A vida de Marielle n\u00e3o valia mais do que qualquer uma dessas vidas. Mas precisamos sempre reafirmar que ela n\u00e3o foi morta devido a um assalto, viol\u00eancia dom\u00e9stica, crime passional. Marielle foi sumariamente executada. E o assassinato de uma vereadora \u00e9 um crime pol\u00edtico que atenta contra a democracia e o estado de direito.<\/p>\n<p>A sua execu\u00e7\u00e3o foi um recado. N\u00e3o sabemos ainda quem s\u00e3o os seus autores, mas entendemos a mensagem e precisamos respond\u00ea-la. Para fazermos isso, n\u00e3o \u00e9 suficiente saber quem a matou, mas principalmente quem a mandou matar. Precisamos identificar que grupo pol\u00edtico, em pleno s\u00e9culo XXI, \u00e9 capaz de assassinar uma autoridade p\u00fablica que atravesse seu caminho.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ronnie-Lessa-cortada.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16655\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ronnie-Lessa-cortada-450x267.png\" alt=\"Ronnie Lessa cortada\" width=\"450\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ronnie-Lessa-cortada-450x267.png 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ronnie-Lessa-cortada-300x178.png 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ronnie-Lessa-cortada-768x455.png 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ronnie-Lessa-cortada.png 783w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Ronnie Lessa, PM fluminense aposentado, preso na madrugada de ter\u00e7a, 12, acusado de assassinar Merielle<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em 2008, durante a CPI das Mil\u00edcias, definimos o Rio como um lugar em que pol\u00edcia, pol\u00edtica e crime est\u00e3o envolvidos como em nenhuma outra parte do pa\u00eds. Um exemplo disso \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos com milicianos, que transformam o seu dom\u00ednio territorial, imposto atrav\u00e9s do terror, em dom\u00ednio eleitoral. N\u00e3o podemos naturalizar que pol\u00edticos se associem a grupos criminosos para se fortalecer politicamente. Assim como n\u00e3o podemos naturalizar a exist\u00eancia de um grupo de exterm\u00ednio chamado Escrit\u00f3rio do Crime, muito conhecido de todas as autoridades da \u00e1rea da seguran\u00e7a p\u00fablica, mas que continua agindo impunemente. O nome escrit\u00f3rio, inclusive, \u00e9 apropriado para uma cidade em que o crime virou neg\u00f3cio, principalmente eleitoral. Por que precisamos perder pessoas como Marielle para que grupos criminosos e os poderosos que os protegem comecem a ser investigados?<\/p>\n<p>Desta vez ser\u00e1 diferente. Os poderosos pensaram que Marielle Franco seria apenas mais uma mulher negra morta, mas as rea\u00e7\u00f5es mostraram que eles, que fazem isso desde o Brasil Col\u00f4nia, est\u00e3o fora do tempo. Mais do que saudade, o mundo tem muita fome de justi\u00e7a, igualdade e liberdade. E agora est\u00e1 gritando que finalmente chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, mal\u00eas.<\/p>\n<p><strong><em>Marcelo Freixo \u00e9 deputado federal (PSOL-RJ)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assassinato de uma vereadora \u00e9 um crime pol\u00edtico que atenta contra a democracia e o estado de direito. 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