{"id":16637,"date":"2019-02-23T15:16:26","date_gmt":"2019-02-23T18:16:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16637"},"modified":"2019-02-23T15:16:26","modified_gmt":"2019-02-23T18:16:26","slug":"nova-eleicao-com-controle-externo-seria-a-saida-para-venezuela-daniel-aarao-reis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/nova-eleicao-com-controle-externo-seria-a-saida-para-venezuela-daniel-aarao-reis\/","title":{"rendered":"Nova elei\u00e7\u00e3o, com controle externo, seria a sa\u00edda para Venezuela (Daniel Aar\u00e3o Reis)"},"content":{"rendered":"<p>O coronel Hugo Ch\u00e1vez apareceu na hist\u00f3ria venezuelana como um furac\u00e3o. Na esteira de uma insurrei\u00e7\u00e3o popular ocorrida em Caracas, o Caracazo, em 1989, que protestava contra uma rep\u00fablica elitista e desigual, tentou, tr\u00eas anos depois, um golpe de Estado com propostas e pol\u00edticas de direita. Fracassou e foi preso. Indultado, reapareceu metamorfoseado em chefe nacionalista&#8230; de esquerda. Carism\u00e1tico, empolgou as multid\u00f5es com cr\u00edticas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0s desigualdades sociais, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 depend\u00eancia do pa\u00eds ao petr\u00f3leo e aos Estados Unidos. Eleito presidente da Rep\u00fablica pela via democr\u00e1tica, em 1999, anunciou-se como int\u00e9rprete de um socialismo do s\u00e9culo XXI \u2014 renovado e original.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Hugo-Chavez.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16638\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Hugo-Chavez.jpg\" alt=\"Hugo Chavez\" width=\"276\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Hugo Ch\u00e1vez, um militar t\u00edpico nacional estatista sul-americano<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Acreditou quem quis.<\/p>\n<p>O militar, a rigor, foi mais um exemplo da cultura pol\u00edtica nacional-estatista, t\u00edpica da Am\u00e9rica Latina. Sua popularidade nutriu-se de pol\u00edticas sociais redistributivas, controladas e reguladas pelo Estado, e da melhoria de servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos. Na primeira d\u00e9cada do novo s\u00e9culo, a Venezuela era a p\u00e9rola mais brilhante no colar de governos e lideran\u00e7as nacional-estatistas que existiam na regi\u00e3o. Dos mais radicais (Bol\u00edvia e Equador) aos mais moderados (Argentina e Brasil), todos reconheciam em Ch\u00e1vez um l\u00edder. Uma alian\u00e7a s\u00f3lida com a ditadura cubana conferiu-lhe um verniz socialista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bolsonaro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16639\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bolsonaro-433x450.jpg\" alt=\"Bolsonaro\" width=\"433\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bolsonaro-433x450.jpg 433w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bolsonaro-289x300.jpg 289w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bolsonaro.jpg 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Jair Bolsonaro acreditou em Ch\u00e1vez, segundo entrevista ao Estad\u00e3o em setembro de 1999<\/strong><\/em><\/p>\n<p>As for\u00e7as conservadoras desorientadas, desacreditadas, abstiveram-se de participar da elei\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Constituinte que p\u00f4de elaborar uma Carta \u00e0 fei\u00e7\u00e3o da autoproclamada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana. Partid\u00e1ria do nacionalismo. Um Estado forte, intervencionista e regulador. Um chefe carism\u00e1tico. De cima para baixo viriam as benesses \u00e0s classes populares, cujos movimentos deveriam ser disciplinados e controlados pelo Estado. Havia ali contradi\u00e7\u00f5es singulares. Um governo nacionalista que n\u00e3o rompia os la\u00e7os com os Estados Unidos. Embora contra o capitalismo, n\u00e3o alterava as estruturas capitalistas do pa\u00eds. Celebrava o poder popular, contudo, os movimentos sociais n\u00e3o dispunham de autonomia alguma. A corrup\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia, males end\u00eamicos, continuavam a prosperar. Aquela revolu\u00e7\u00e3o era um espet\u00e1culo? Assim a denunciou Rafael Uzc\u00e1tegui, mas as palavras n\u00e3o ecoaram. Teodoro Petkoff, falecido ano passado, veterano de bons combates, criticaria uma esquerda messi\u00e2nica e autorit\u00e1ria, em oposi\u00e7\u00e3o a uma outra, republicana, reformista e democr\u00e1tica. Tampouco foi ouvido. Vozes no deserto.<\/p>\n<p>A morte do comandante, em 2013, j\u00e1 pegou o pa\u00eds no decl\u00ednio das rendas petrol\u00edferas. O substituto, Nicol\u00e1s Maduro, uma caricatura, n\u00e3o foi capaz de lidar com a crise que desabou sobre o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como usual, o colapso da economia foi atribu\u00eddo ao governo. O resultado n\u00e3o se fez esperar: as oposi\u00e7\u00f5es venceram as elei\u00e7\u00f5es, em 2015, para a Assembleia Nacional. Os chavistas contra-atacaram convocando uma nova Constituinte e reelegendo Maduro, em escrut\u00ednio questionado, para um novo mandato.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Juan-Guaido.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16641\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Juan-Guaido-450x279.jpg\" alt=\"Juan Guaido\" width=\"450\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Juan-Guaido-450x279.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Juan-Guaido-300x186.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Juan-Guaido.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Juan Guaid\u00f3 e o presidente colombiano no show de 21 de fevereiro, na fronteira<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A manobra n\u00e3o vingou, e o novo l\u00edder das oposi\u00e7\u00f5es, Juan Guaid\u00f3, aliando-se \u00e0 pior direita latino-americana, proclamou-se presidente e novo salvador da p\u00e1tria. Com dois presidentes opostos e hostis, o pa\u00eds atolou-se no impasse. A alternativa democr\u00e1tica seria a realiza\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es gerais com controle internacional, mas a ideia n\u00e3o ganha f\u00f4lego. Articulou-se uma alian\u00e7a internacional, capitaneada por Donald Trump, e apoiada pela maioria de estados latino-americanos e europeus a favor de Guaid\u00f3. Hoje, 23 de fevereiro, esgota-se o prazo dado a Maduro para aceitar a entrada de produtos e medicamentos enviados pelos EUA ao pa\u00eds. A mal chamada interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, que pode vir armada at\u00e9 os dentes, e que levou a L\u00edbia e outros pa\u00edses ao caos, desponta como hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>\u201cSopra um vento mau sobre a Europa\u201d, disse Nathalie Loiseau, ministra francesa das Rela\u00e7\u00f5es Europeias, referindo-se a governos de direita no continente. Sopra tamb\u00e9m um vento mau na Am\u00e9rica Latina, e o desfecho da crise venezuelana poder\u00e1 transform\u00e1-lo numa tempestade de destrui\u00e7\u00e3o e morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O coronel Hugo Ch\u00e1vez apareceu na hist\u00f3ria venezuelana como um furac\u00e3o. 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