{"id":16573,"date":"2019-02-12T16:22:27","date_gmt":"2019-02-12T19:22:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16573"},"modified":"2019-02-13T07:40:24","modified_gmt":"2019-02-13T10:40:24","slug":"renato-teixeira-em-qualquer-lugar-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/renato-teixeira-em-qualquer-lugar-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Renato Teixeira: em qualquer lugar (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Assumi o rid\u00edculo e nem liguei para as pessoas que me ladeavam, e at\u00e9 riam discretamente, vendo um senhor de 75 anos cantarolando pela rua. A letra era de \u201cVamos celebrar\u201d, do Oswaldo Montenegro e que servira de fechamento do show com Renato Teixeira, no VivoRio, num calorento s\u00e1bado, dia 09\/02\/19. E l\u00e1 ia eu no encal\u00e7o de um t\u00e1xi, meio que dan\u00e7ando, meio que flanando, meio que bobo com o enredo da vida: \u201cEu gosto de andar pela rua\/ bater papo, de lua e de amigo engra\u00e7ado\/ Eu gosto do estilo do Zorro\/\u00a0 o visual l\u00e1 do morro e de abra\u00e7o apertado\/ Eu gosto mais de bicho com asa\/ mais de ficar em casa e mais de t\u00eanis usado\/ Eu gosto do volume, do perfume\/ do ci\u00fame, do desvelo e do cabelo enrolado&#8230;\u201d Repeti por vezes como um longo poema, admirado por me lembrar de cada verso, mas, por fim, l\u00e1 pelas tantas, parei no tal do \u201ccabelo enrolado\u201d. Dei uma repentina travada, e troquei o passo aleg\u00f3rico pela d\u00favida paralisante: Cabelo enrolado, como assim? O Oswaldo pode, como ningu\u00e9m, pois ostenta uma vasta e invej\u00e1vel cole\u00e7\u00e3o de fios lisos escorregados. Mas eu sou careca, e o que me resta de cabelo, uns 20% que n\u00e3o permitem nada pr\u00f3ximo de cabelo enrolado. O Renato, sim, bem definido em sua postura de compositor, libertou-se de aparas e soltou seus carac\u00f3is agora nevados.<\/p>\n<p>Outra can\u00e7\u00e3o do Oswaldo ati\u00e7ou minhas lembran\u00e7as \u201cn\u00e3o sei se o poema \u00e9 bonito, mas preciso escrever\u201d. Ato cont\u00ednuo, deixei o espet\u00e1culo, abracei longamente o amigo, e vim para casa. Tentei, mas n\u00e3o consegui dormir. Agitado, levantei-me e novamente Oswaldo me veio \u00e0 cabe\u00e7a e me autorizava retra\u00e7ar os n\u00f3s que a vida me permitiu com o gentil amigo Renato Teixeira. E foi assim que o passado se me abriu como azul c\u00e9u taubateano. E l\u00e1 atr\u00e1s, escondida entre as nuvens que mostram a beleza sempre pret\u00e9rita, me via em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es ao lado dele.<\/p>\n<p>No interior as pessoas n\u00e3o se apresentam, todos se tran\u00e7am e nem me lembro dos nossos primeiros encontros. Sei s\u00f3 que certa feita est\u00e1vamos juntos na casa de nossas namoradinhas que eram irm\u00e3s. Depois, fiz uns poeminhas e ele musicou (certamente esqueceu-se, mas eu ainda cantarolo \u201cseus olhos grandes, sua boca pequena, o seu jeitinho, sua pele morena); o interessante dessa passagem \u00e9 que fomos juntos a uma R\u00e1dio local, a Cacique de Taubat\u00e9, e em um programa do amigo comum Robson Barone nos apresentamos. O r\u00e1dio era importante ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, em particular em um tempo que a televis\u00e3o ainda n\u00e3o dominava todos os lares. E foi pela voz do Renato que se investira em radialista que, pela R\u00e1dio Difusora Taubat\u00e9, todos os dias \u00e0s 6 horas da manh\u00e3, ele lia cr\u00f4nicas que eu assinava. De minha parte, comemoro com l\u00e1grimas as leituras desses textos que ainda tenho bem guardados. Mais tarde virei, ainda muito jovem, diretor cultural do Clube da cidade, e, com empenho pouco traduzido, revelo que me esmerei em dar dimens\u00e3o a um show escrito por ele e seu irm\u00e3o Roberto, intitulado \u201cSamba em tr\u00eas tempos\u201d \u2013 sinceramente, daria alguma coisa valiosa em troca de ver reencenado esse espet\u00e1culo. Certa feita, fui como estudante de interc\u00e2mbio para os Estados Unidos e trouxe-lhe de presente dois LPs, um do Bob Dylan e outro de Country Music.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/RT-e-Osvaldo-Montenegro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16574\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/RT-e-Osvaldo-Montenegro-450x321.jpg\" alt=\"RT e Osvaldo Montenegro\" width=\"450\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/RT-e-Osvaldo-Montenegro-450x321.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/RT-e-Osvaldo-Montenegro-300x214.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/RT-e-Osvaldo-Montenegro.jpg 730w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Renato &#8220;Dentinho&#8221; Teixeira e Oswaldo Montenegro: cabelos bem diferentes<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para seguir carreira, Renato e eu sa\u00edmos de Taubat\u00e9. Como rizomas que brotam em outros quintais, ele seguiu a carreira musical e eu virei historiador. Nunca nos deixamos de maneira consequente. Encarregado dos alunos estrangeiros na USP, diretor de estudos sobre a Contemporaneidade Brasileira, por anos seguidos convidava o Renato par apresenta\u00e7\u00f5es no campus. E assim \u00edamos costurando nossas hist\u00f3rias: casamentos, filhos e mil amigos. Mais recentemente, por dever acad\u00eamico, me vi convidado a escrever sobre m\u00fasica de raiz interiorana. Redigi um texto intitulado \u201cNossa Senhora Sertaneja\u201d dedicado a ele, colocando \u201cRomaria\u201d como a posse de um processo de louva\u00e7\u00e3o. E, por ocasi\u00e3o dos trezentos anos da apari\u00e7\u00e3o da Imagem da Santa Aparecida, supusemos escrever uma \u00f3pera que, talvez, um dia se torne realidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 um evento, contudo, que me comove mais que todos. Em dado momento, Renato comp\u00f4s uma can\u00e7\u00e3o linda, chamada \u201cO Turco do mercado\u201d, e a inspira\u00e7\u00e3o foi meu pai. Confesso que poucas atitudes marcantes em minha vida t\u00eam a for\u00e7a dessa men\u00e7\u00e3o. N\u00e3o posso ouvi-la sem chorar. Em ocasi\u00e3o anterior, mesmo sem avisar, fui ver um show do amigo querido, pois n\u00e3o \u00e9 que ele me vendo na plateia, introduziu a pe\u00e7a e me fez despencar a ponto de precisar de apoio de amigos.<\/p>\n<p>Tenho outras passagens que guardo na melhor gaveta de minhas emo\u00e7\u00f5es, mas retomo Oswaldo Montenegro para sintetizar o que sinto ouvindo a can\u00e7\u00e3o \u201cVelhos amigos\u201d detalhando que \u201cvelhos amigos sempre h\u00e3o de se encontrar seja onde for\/ seja em qualquer lugar\u201d. Pois \u00e9, quem conhece Renato Teixeira sabe que ele \u00e9 dos que est\u00e3o, sempre, no cora\u00e7\u00e3o de seus amigos&#8230; em qualquer lugar e que vamos sempre nos encontrar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assumi o rid\u00edculo e nem liguei para as pessoas que me ladeavam, e at\u00e9 riam discretamente, vendo um senhor de 75 anos cantarolando pela rua. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16575,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16573","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16573"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16576,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16573\/revisions\/16576"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}