{"id":16556,"date":"2019-02-06T16:16:48","date_gmt":"2019-02-06T19:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16556"},"modified":"2019-02-06T16:16:48","modified_gmt":"2019-02-06T19:16:48","slug":"os-herois-de-brumadinho-zuenir-ventura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/os-herois-de-brumadinho-zuenir-ventura\/","title":{"rendered":"Os her\u00f3is de Brumadinho (Zuenir Ventura)"},"content":{"rendered":"<p>T\u00e3o cedo n\u00e3o vou conseguir apagar de minha mem\u00f3ria visual as imagens da trag\u00e9dia de Brumadinho \u2014 aquelas ondas de lama de rejeitos de min\u00e9rio avan\u00e7ando como um monstro sobre o que encontravam, soterrando pessoas, \u00e1rvores, casas, s\u00edtios, ve\u00edculos, pontes. O que de mais parecido eram os tsunamis do Jap\u00e3o e da Indon\u00e9sia, produzidos por terremotos. S\u00f3 que, acreditavase, isso n\u00e3o aconteceria no Brasil. A salvo desses surtos da natureza, temos apenas alguns tremores quase inofensivos. As ocorr\u00eancias l\u00e1 de fora s\u00e3o devidas a causas naturais, enquanto as nossas s\u00e3o oriundas de neglig\u00eancia humana ou de interesses econ\u00f4micos amparados pela \u201cbancada das mineradoras\u201d.<\/p>\n<p>Alguns dias bastaram para se constatar que, al\u00e9m de Mariana e Brumadinho, existem centenas de barragens no pa\u00eds, e n\u00e3o se sabe quantas a ponto de romper, j\u00e1 que entre n\u00f3s o costume \u00e9 alertar para os riscos depois que eles acontecem.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia de Brumadinho teve dois atos: o primeiro, deprimente, em que s\u00f3 se viu destrui\u00e7\u00e3o e morte. O segundo, edificante, em que se reuniram o que o g\u00eanero humano tem de melhor: a solidariedade, a doa\u00e7\u00e3o, o desprendimento, o sacrif\u00edcio, a entrega.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bombeiros-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16557\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bombeiros-2.jpg\" alt=\"Bombeiros 2\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bombeiros-2.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Bombeiros-2-265x147.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Os bombeiros n\u00e3o mediram esfor\u00e7os na busca de v\u00edtimas do &#8220;acidente&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os protagonistas, os her\u00f3is dessas cenas foram os bombeiros com sua busca incans\u00e1vel, estoica, desesperada, por corpos vivos entre os mortos. Muitas vezes cobertos de lama at\u00e9 a cintura, se arrastando, rastejando ou de joelhos, eles comoveram o pa\u00eds com sua abnega\u00e7\u00e3o e entrega.<\/p>\n<p>Dorrit Harazim lembrou que o rep\u00f3rter Juan Arias, do di\u00e1rio espanhol \u201cEl Pa\u00eds\u201d, prop\u00f4s o Corpo de Bombeiros atuando em Minas como candidato ao Pr\u00eamio Nobel da Paz. Arias v\u00ea o lodo t\u00f3xico como met\u00e1fora do pa\u00eds envolto em corrup\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e desamparo social. E argumentou que o pa\u00eds aprendeu com eles \u201ca torcer por uma mesma coisa\u201d.<\/p>\n<p>De fato, \u00e9 uma excelente ideia neste momento de exalta\u00e7\u00e3o b\u00e9lica e de apelo \u00e0s armas, estimulados pelo governo e pela \u201cbancada da bala\u201d. Num pa\u00eds dividido pelo \u00f3dio e pela viol\u00eancia, n\u00e3o podia haver maior exemplo do que essa corpora\u00e7\u00e3o que age motivada exclusivamente por impulsos pac\u00edficos, voltadas para o salvamento e o socorro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e3o cedo n\u00e3o vou conseguir apagar de minha mem\u00f3ria visual as imagens da trag\u00e9dia de Brumadinho \u2014 aquelas ondas de lama de rejeitos de min\u00e9rio &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16558,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16556"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16559,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16556\/revisions\/16559"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}