{"id":16549,"date":"2019-02-01T14:13:22","date_gmt":"2019-02-01T17:13:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16549"},"modified":"2019-02-01T14:19:59","modified_gmt":"2019-02-01T17:19:59","slug":"novas-indecifracoes-no-brasil-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/novas-indecifracoes-no-brasil-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Novas (in)decifra\u00e7\u00f5es no Brasil (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 escrevi anteriormente que sempre achei muito dif\u00edcil explicar o Brasil para estrangeiros. Repetidas experi\u00eancias me fizeram acumular preocupa\u00e7\u00f5es renovadas a cada tentativa, todas algo frustrantes. Juro que achava ser esta uma das tarefas mais complexas da formula\u00e7\u00e3o l\u00f3gica dos acontecimentos que, afinal, nos implicam como seres pol\u00edticos, entes inscritos na pol\u00edtica. A certeza de que nosso percurso hist\u00f3rico \u00e9\/seria peculiar, me obriga garantir que \u201csim\u201d, que h\u00e1 uma originalidade no desempenho de nosso papel no universo, e que a marca do Brasil tinha que ser reconhecida como garantia de uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica, mescla de segmentos \u00e9tnicos colocados no mesmo espa\u00e7o de redefini\u00e7\u00e3o miscigenada (pelo menos culturalmente, j\u00e1 que a propalada democracia racial \u00e9 um mito resistente). Esta garantia, por forte que \u00e9, nos convoca a relativiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 verdade, pois olhando cada outra realidade chegar\u00edamos a constata\u00e7\u00f5es de particularidades tamb\u00e9m evocadas como diferentes.<\/p>\n<p>Tal posicionamento, contudo, nos obriga a uma hierarquia expositiva que, obrigatoriamente, nos faz acatar que h\u00e1 mais fragmentos de singularidades entre nossas manifesta\u00e7\u00f5es do que a de muitos pa\u00edses ou culturas que somam semelhan\u00e7as menos esdruxulas, ou mais facilmente justificadas. Tamanho geogr\u00e1fico, \u00e1reas florestais, secas e ao mesmo tempo fartura de \u00e1gua, tudo juntado a etapas de povoamento que agrupam sobreviv\u00eancias ind\u00edgenas com o maior contingente de escravos vindos da \u00c1frica, portugueses que se desafiaram em uma experi\u00eancia formid\u00e1vel, e uma imigra\u00e7\u00e3o branca mais recente, nos distingue com facilidade, e tudo junto, nos faz peculiares e relevantes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Millor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16550\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Millor.jpg\" alt=\"Millor\" width=\"323\" height=\"156\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Millor.jpg 323w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Millor-300x145.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Julgava essas explica\u00e7\u00f5es para gringos entres as mais dif\u00edceis miss\u00f5es dos historiadores, e at\u00e9 admitia de sa\u00edda que o esfor\u00e7o, por mais bem resolvido que fosse, seria falho. De tal forma me consolava que consegui firmar uma m\u00e1xima: o estrangeiro tem que aceitar o Brasil como dogma de amor, pois compreende-lo \u00e9 imposs\u00edvel. Houve, contudo, um momento mais recente, em que rebaixei essa escala\u00e7\u00e3o. Falar para brasileiros fora do Brasil tornou-se proposta ainda mais intrincada. Justifico minha afirmativa garantindo que h\u00e1 uma natural e imediata rela\u00e7\u00e3o de poder e julgamento de quem est\u00e1 fora do meio e quer se sentir parte integrante. Explico-me: como o processo de desligamento identit\u00e1rio dos nossos patr\u00edcios \u00e9 manhoso e insistente, insinuante, e porque ao em vez de assumir coer\u00eancia entre a dist\u00e2ncia f\u00edsica ou geogr\u00e1fica, os evadidos em todos os n\u00edveis, mais se ligam e n\u00e3o largam da identidade original. Aprendi que eles perdem o processo em movimento e coisificam fatos e os tratam como se fossem fen\u00f4menos isolados. Tudo fica mais concreto e palp\u00e1vel, pois a vertiginosa velocidade das consequ\u00eancias locais, nossas, se lhes ficam a um tempo minoradas pela dist\u00e2ncia, agravada pela impossibilidade de participa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e tempo imediatos.<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o pensem que as coisas pararam a\u00ed. N\u00e3o mesmo. Tive que propor outra escala, tamb\u00e9m renovada na surpresa dos acontecimentos recentes sem os quais n\u00e3o seria vi\u00e1vel qualquer esfor\u00e7o explicativo. Assim, mais do que admitir que explicar o Brasil para os estrangeiros, ou para os brasileiros que deixam o pa\u00eds, tem sido ainda mais embara\u00e7oso explicar o Brasil para os pr\u00f3prios brasileiros. Em tempo, ainda antes que me julguem pretencioso, transfiro os m\u00e9ritos e defeitos de tal pretens\u00e3o ao coletivo nacional, pois \u00e9 vis\u00edvel que de repente todos se tornaram explicadores, donos de vis\u00f5es pessoais que autorizam a garantir que, afinal, somos historiadores natos, com ou sem necessidade de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. E nesse caldo de explicadores, pouco vale se somos ou n\u00e3o profissionais especializados. O pior \u00e9 que a garantia disso decorre do princ\u00edpio de igualdade pol\u00edtica, no dizer j\u00e1 expresso por Mill\u00f4r Fernandes que garantia: a lei \u00e9 igual para todos, a\u00ed come\u00e7a a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16553\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra-450x253.jpg\" alt=\"Ives Gandra\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Ives-Gandra.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O jurista Ives Gandra Martins tenta remar contra a hist\u00f3ria<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em conversa recente com uma colega tamb\u00e9m historiadora, em vista dos acontecimentos recentes, contabilizando uma vida de trabalho em escolas, em particular em n\u00edvel universit\u00e1rio, sentimo-nos abalados e tendo que admitir nosso esfor\u00e7o v\u00e3o. Um breve giro pelas redes sociais \u00e9 prova cabal de nosso fracasso: ningu\u00e9m sabe nada de Hist\u00f3ria. Se para alguns pode parecer chocante esta afirmativa, cabe convidar a uma olhada nas redes sociais. A perda da credibilidade dos historiadores de of\u00edcio transparece um nivelamento raso que delega a todos direitos sobre vis\u00f5es do passado. A nega\u00e7\u00e3o da ditadura como processo pol\u00edtico dr\u00e1stico e consequente, por exemplo, \u00e9 prova de que se apaga um passado, colocando-se no lugar um nacionalismo sem cabimento no conjunto das culturas politicamente desenvolvidos. E junto vem a libera\u00e7\u00e3o de armas, o desprezo ao meio ambiente, o sexismo descabido e todos os preconceitos. Sem uma revis\u00e3o do pret\u00e9rito com vistas no presente, sem um diagn\u00f3stico cab\u00edvel da com\u00e9dia de erros que vivemos em termos de governo, antes de explicarmos o Brasil para os brasileiros que est\u00e3o fora de nosso quadrante geogr\u00e1fico e antes de explica-lo para os estrangeiros, temos que nos entender, internamente. Ent\u00e3o, como pensar escola sem partido? Como, por favor, expliquem-me e expliquem-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 escrevi anteriormente que sempre achei muito dif\u00edcil explicar o Brasil para estrangeiros. 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