{"id":16448,"date":"2018-12-13T07:37:48","date_gmt":"2018-12-13T10:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16448"},"modified":"2018-12-13T10:17:27","modified_gmt":"2018-12-13T13:17:27","slug":"ai-5-um-ato-obsceno-zuenir-ventura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/ai-5-um-ato-obsceno-zuenir-ventura\/","title":{"rendered":"AI-5, um ato obsceno (Zuenir Ventura)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>H\u00e1 cinquenta anos, 13 de dezembro de 1968, foi assinado um decreto que mudou a cara do Brasil e o rumo da ditadura; CONTATO selecionou um artigo que sintetiza aquele per\u00edodo e alguns de seus reflexos nos dias de hoje<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 H\u00e1 quem n\u00e3o acredite que houve um golpe militar no Brasil. Tem raz\u00e3o. Houve dois, um em 1964 e o outro que vai completar 50 anos amanh\u00e3, chamado de golpe dentro do golpe. Assinado pelo marechal Costa e Silva e referendado pelo Conselho de Seguran\u00e7a Nacional, o Ato Institucional n\u00ba 5 p\u00f4s fim aos \u201canos rebeldes\u201d e inaugurou os \u201canos de chumbo\u201d.<\/p>\n<p>Era t\u00e3o radical que o pr\u00f3prio ditador desabafou na hora da assinatura: \u201cEu confesso que \u00e9 com verdadeira viol\u00eancia aos meus princ\u00edpios e ideias que adoto uma atitude como esta\u201d. De fato, em uma d\u00e9cada de vig\u00eancia, o chamado AI-5 fechou o Congresso, cancelou o habeas corpus, censurou cerca de 500 filmes, 450 pe\u00e7as de teatro, 200 livros, incont\u00e1veis programas de r\u00e1dio, cem revistas, mais de 500 letras de m\u00fasica e uma d\u00fazia de cap\u00edtulos de telenovelas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse expurgo nas obras de cria\u00e7\u00e3o, foram punidos mais de mil cidad\u00e3os com suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos, demiss\u00e3o, cassa\u00e7\u00e3o de mandatos. Entre os funcion\u00e1rios p\u00fablicos atingidos por delito de opini\u00e3o, estavam tr\u00eas ministros do STF \u2014 Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e V\u00edtor Nunes Leal \u2014 e professores universit\u00e1rios como Caio Prado J\u00fanior, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Assinatura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16449\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Assinatura.jpg\" alt=\"Assinatura\" width=\"274\" height=\"184\" \/><\/a><\/p>\n<p>O AI-5 foi assinado por 22 dos 23 membros do CSN [Conselho de Seguran\u00e7a Nacional], composto pelos ministros civis e militares, numa sess\u00e3o que lembrava uma pe\u00e7a do Tropicalismo, ent\u00e3o na moda. Os ministros atuaram como encarna\u00e7\u00f5es aleg\u00f3ricas da hipocrisia e da pusilanimidade. O auge da encena\u00e7\u00e3o foi quando o ministro Jarbas Passarinho pronunciou sua famosa fala: se era inevit\u00e1vel a ditadura, \u201c\u00e0s favas, senhor presidente, todos os escr\u00fapulos de consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O \u00fanico a se portar corretamente foi o vice-presidente Pedro Aleixo, que disse \u201cn\u00e3o\u201d, apontando uma solu\u00e7\u00e3o constitucional para a crise, o estado de s\u00edtio, que pelo menos tinha prazo de validade de 60 dias.<\/p>\n<p>O AI-5 n\u00e3o instituiu a pena de morte, e teve gente que sentiu falta. O futuro presidente Bolsonaro, por exemplo, reclamou em entrevistas: \u201c<em>o erro da ditadura foi torturar e n\u00e3o matar<\/em> (&#8230;). <em>Devia ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a come\u00e7ar por FHC<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cinquenta anos, 13 de dezembro de 1968, foi assinado um decreto que mudou a cara do Brasil e o rumo da ditadura; CONTATO selecionou &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16450,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16448","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16448"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16448\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16452,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16448\/revisions\/16452"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}