{"id":16443,"date":"2018-12-12T10:26:17","date_gmt":"2018-12-12T13:26:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16443"},"modified":"2018-12-12T10:26:17","modified_gmt":"2018-12-12T13:26:17","slug":"ode-ao-passado-tributo-a-familia-guisard-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/ode-ao-passado-tributo-a-familia-guisard-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Ode ao passado: tributo \u00e0 fam\u00edlia Guisard (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00c9 dif\u00edcil medir o sentido hist\u00f3rico de uma gera\u00e7\u00e3o. Mais \u00e1rduo ainda quando a gera\u00e7\u00e3o aludida \u00e9 a nossa. O tempo corre e corr\u00f3i certezas, e ante o presente, tudo parece fluido, l\u00edquido, fugaz. E assim muitos se perdem sem maiores preocupa\u00e7\u00f5es sobre nossas origens cidad\u00e3s. O fil\u00f3sofo espanhol Miguel de Unamuno tem uma frase que arde nessa elabora\u00e7\u00e3o \u201csomos mais pais de nosso futuro do que filhos de nosso passado\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Verdade. Mal damos aten\u00e7\u00e3o ao pret\u00e9rito e o vindouro, este sim, se nos afronta como desafio respons\u00e1vel e urgente. Mas como operar o presente, como preparar o porvir sem pelo menos alguns fios do passado tecido? Ah, como a Hist\u00f3ria \u00e9 requintada! Exigente, d\u00e1 trabalho, requer tempo e pesquisas. Tantas vezes, frente \u00e0 faina exaustiva, torna-se bem mais f\u00e1cil sentirmo-nos bastardos de trajet\u00f3rias. E nos deleitamos em esquecimentos, no m\u00e1ximo reinventando tradi\u00e7\u00f5es c\u00f4modas, ainda que carentes de fundamentos. Saber trajet\u00f3rias nos custaria muito e em seu encal\u00e7o tornar-nos-\u00edamos ref\u00e9ns de nexos trabalhosos.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria, como ensinou Oscar Wilde, nos faz \u201carremedadores de Deus\u201d, mas de um Deus fal\u00edvel, limitado porque tosco, e providente de um tempo apenas vazado do filtro da possibilidade tang\u00edvel. Milton Nascimento j\u00e1 disse \u201cnada ser\u00e1 como antes\u201d e assim, supomos o ocorrido e, no m\u00e1ximo, idealizamos alguma mem\u00f3ria, sempre romantizada, mas que, por mais \u00e9pica que seja, ser\u00e1 falsifica\u00e7\u00e3o do real irreproduz\u00edvel. Volta e meia, por\u00e9m, somos atacados por indaga\u00e7\u00f5es que clamam respostas. E nem sempre nos \u00e9 dado o benef\u00edcio do \u201cn\u00e3o sei\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Familia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16444\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Familia-450x311.jpg\" alt=\"Familia\" width=\"450\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Familia-450x311.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Familia-300x207.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Familia-768x530.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Familia.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Jos\u00e9 Eug\u00eanio com a esposa Mireile, a m\u00e3e dona Ivone e a irm\u00e3 Maria Silvia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O exame do passado, \u00e0s vezes se avulta e nos assalta como almas penadas. Insistente, sutil, a curiosidade escolhe alguns de n\u00f3s e os faz suas v\u00edtimas: <em>voc\u00ea h\u00e1 de me explicar<\/em>. Na altura do nosso tempo, \u00e9 ineg\u00e1vel que se tenha formado uma confraria de t\u00e9cnicos, especialistas, profissionais do exame do ocorrido. Por certo, isto provocou uma casta de autores afinados em an\u00e1lises que combinam pesquisa documental com artefatos te\u00f3ricos exigentes. E a Hist\u00f3ria ent\u00e3o se fez, desde o s\u00e9culo XIX, disciplina acad\u00eamica. Ilustre disciplina, diga-se. Assim, t\u00e9cnicos especialistas tornaram-se art\u00edfices da mat\u00e9ria. Numa escala de reputa\u00e7\u00e3o, caberia a eles produzir o conhecimento apurado sobre caminhos e caminhantes do tempo ido. Isto \u00e9 louv\u00e1vel, por claro. Mas h\u00e1 uma quest\u00e3o que incendeia o direito de perguntar \u201cde quem \u00e9 minha hist\u00f3ria?\u201d. Isso tem feito com que ao longo dos s\u00e9culos, alguns indiv\u00edduos ecoassem a mesma demanda e apresentassem a pr\u00f3pria r\u00e9plica.<\/p>\n<p>Pensando a historiografia do Vale do Para\u00edba Paulista, em primeiro lugar cabe reclamar da aten\u00e7\u00e3o dada pelos profissionais da Hist\u00f3ria acad\u00eamica. Ainda que tenhamos um dos cursos de Hist\u00f3ria mais antigos do interior brasileiro, quase nada tem sido atestado de compet\u00eancia. Ali\u00e1s, d\u00f3i admitir que o pouco existente deriva de pesquisadores \u201cde fora\u201d. Miser\u00e1vel, seria um adjetivo pertinente a os nossos estudos universit\u00e1rios. E l\u00f3cus como Taubat\u00e9, por exemplo, com t\u00e3o exuberante passado de implica\u00e7\u00e3o nacional, \u00e9 mais escondido do que mostrado. Contraste vivo, por\u00e9m, os historiadores locais, n\u00e3o profissionais, d\u00e3o prova do significado da mem\u00f3ria. Incontest\u00e1vel esta verifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os cronistas locais que agridem o esquecimento alienante dos estudos sobre como nos tornamos. E, felizmente, s\u00e3o muito bons. \u00c9 verdade que houve esfor\u00e7os e nessa linha o nome de Maria Morgado de Abreu n\u00e3o pode ser deslembrado. O que nos redime \u2013 e com fulgor \u2013 \u00e9 a exist\u00eancia de intelectuais da terra que permitem brotar lembran\u00e7as capazes de permitir identidade. Paulo de Campos Azevedo, Em\u00edlio Amadei Bherings, Felix Guisard Filho, Geraldo de Oliveira, Paulo Floren\u00e7ano, Levy e Roberto Breterick, Jos\u00e9 Pedro Saturnino, Maria Cec\u00edlia Guisard Audr\u00e1, Oswaldo Barbosa Guisard, Judite Mazella Moura, Ces\u00eddio Ambrogi, Gentil de Camargo, Pericles Noguera Santos, Jos\u00e9 Bernardo Ortiz Monteiro, Melo Jr., entre outros, constelaram um c\u00e9u que seria muito mais apagado sem eles. H\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o que se coloca com luz no vasto escuro acad\u00eamico. Com gra\u00e7a e picardia, cronistas, como Jos\u00e9 Diniz e Bety Oliveira Costa, desenham o passado recente. Em termos gerais e mais remotos, os irm\u00e3os Rubim, principalmente Pedro, fazem trabalho honroso, usando inclusive recursos eletr\u00f4nicos autorizados. E pode-se dizer que a matriz desse proceder deriva de Gilberto Martins.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Ze-Eugenio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16445\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Ze-Eugenio-437x450.jpg\" alt=\"Ze Eugenio\" width=\"437\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Ze-Eugenio-437x450.jpg 437w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Ze-Eugenio-291x300.jpg 291w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Ze-Eugenio.jpg 639w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Com mais de 70 anos, Z\u00e9 Eug\u00eanio brilha na categoria master de nata\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u201cO sol da manh\u00e3\u201d \u00e9 o t\u00edtulo do livro de estreia de Jos\u00e9 Eug\u00eanio Guisard Ferraz e a boa produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica traduz um esfor\u00e7o retra\u00e7ado na busca das origens da fam\u00edlia Guisard. Dividido em tr\u00eas partes, o livro produzido pela Editora das Letras, al\u00e9m da introdu\u00e7\u00e3o, conclus\u00e3o, bibliografia e anexos, est\u00e1 distribu\u00eddos em tr\u00eas partes, referentes \u00e0: 1- origem francesa do cl\u00e3; 2- \u00e0 chegada e o percurso no Brasil, incluindo passagens pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais, e, 3- finalmente, a fixa\u00e7\u00e3o em Taubat\u00e9.<\/p>\n<p>O percurso cronol\u00f3gico, marca a evolu\u00e7\u00e3o parental e seus liames com o progresso do Brasil enquanto estado nacional. O acompanhamento das transforma\u00e7\u00f5es modernizadoras do pa\u00eds, desde os Tempos Imperiais e durante a Rep\u00fablica, revela o projeto familiar modernizador carregado pela fam\u00edlia Guisard. Por l\u00f3gico, o impacto desse plano \u00e9 subjacente ao desenvolvimento do Brasil como um todo. Muito al\u00e9m dos fatos constitu\u00eddos para homenagear a fam\u00edlia, detalhes pitorescos coexistem com a perspic\u00e1cia de uma proposta elaborada em conex\u00f5es poucas vezes explicadas nos contrastes coloniais. \u00c9 nesse contexto que o concatenamento das investidas logra sentido. O claro\/escuro permitido pelos Guisard permite ver o que de mais moderno existiu na supera\u00e7\u00e3o do estatuto colonial. \u00c9 sob essa \u00f3tica que a ind\u00fastria desponta como alternativa ao mundo de fazendas, em particular do caf\u00e9. E a cidade de Taubat\u00e9 se apresenta como cen\u00e1rio de uma experi\u00eancia nacional. Onde os cafezais foram atestados de abund\u00e2ncia, a ind\u00fastria \u2013 no caso a \u201cCTI\u201d [Companhia Taubat\u00e9 Industrial]se mostra solu\u00e7\u00e3o pioneira.<\/p>\n<p>Por certo, h\u00e1 muito que comentar num livro t\u00e3o rico em sugest\u00f5es, o que n\u00e3o pode passar batido, contudo, \u00e9 a luta de uma fam\u00edlia que se fez <em>fait divers<\/em> num ambiente tradicional. Chama aten\u00e7\u00e3o, sobremaneira, os pactos familiares singularizados, por exemplo, nos casamentos parentais e na manuten\u00e7\u00e3o dos nomes, repetidos por gera\u00e7\u00f5es. De igual monta, a luta pela integra\u00e7\u00e3o social se transparece nas sutis formas de viv\u00eancia social e pr\u00e1ticas religiosas tidas como esdr\u00faxulas ao meio conservador. A leitura dos textos assinados por Jos\u00e9 Eug\u00eanio Guisard Ferraz fermenta sugest\u00f5es progressivas. Um dos m\u00e9ritos desta viagem ao passado \u2013 intercalada com imagens e fotos ilustrativas \u2013 \u00e9 a abertura para se pensar em novos modelos de produ\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1ficos, em particular movimentados pelos papeis das fam\u00edlias que marcam a identidade da urbe taubateana. Nem vale esperar que a universidade cumpra seu papel. Assim, com emo\u00e7\u00e3o incontida, com apre\u00e7o de uma amizade refeita no respeito a uma pesquisa cuidadosa e afetiva, deixo aberto o convite para que todos possam abra\u00e7ar o representante de uma fam\u00edlia vital para a hist\u00f3ria da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>LAN\u00c7AMENTO: DIA 14 DE DEZEMBRO, \u00c0S 19h:30<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>LOCA: DONABELLA, CASA DE DEL\u00cdCIAS, Rua F\u00e9lix Guisard, 229 lj 1<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dif\u00edcil medir o sentido hist\u00f3rico de uma gera\u00e7\u00e3o. Mais \u00e1rduo ainda quando a gera\u00e7\u00e3o aludida \u00e9 a nossa. 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