{"id":16357,"date":"2018-11-21T11:15:36","date_gmt":"2018-11-21T14:15:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16357"},"modified":"2018-11-21T11:15:36","modified_gmt":"2018-11-21T14:15:36","slug":"fake-history-e-a-producao-do-passado-aiaiaiai-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/fake-history-e-a-producao-do-passado-aiaiaiai-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"FAKE HISTORY E A PRODU\u00c7\u00c3O DO PASSADO&#8230; AIAIAIAI&#8230; (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>A pergunta veio direta, sem piedade. Fui atingido como se fosse um petardo ou rajada de metralhadora fatal: professor o que acha das mentiras hist\u00f3ricas ou das \u201c<em>fake history<\/em>\u201d? Susto. Susto posto que a conversa rolava tranquila, sobre amenidades, mudan\u00e7a de esta\u00e7\u00e3o do ano, proximidade do fim do semestre, jogos de futebol, coisas tais. Precisei de um tempinho para me reabilitar. Repeti a pergunta para mim mesmo e, de maneira mec\u00e2nica, filtrei o tema pela peneira correlata das t\u00e3o comentadas \u201c<em>fake news<\/em>\u201d. \u201c<em>Fake<\/em>\u201d, por \u201c<em>fake<\/em>\u201d&#8230; Sim precisei evocar argumentos guardados para ocasi\u00f5es mais formais para enfrentar a pergunta que, afinal, \u00e9 do momento, at\u00e9 porque um dos diapas\u00f5es mais alentados de nossa \u00e9poca remete \u00e0 cr\u00edtica a tudo e \u00e0 necessidade da d\u00favida.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Fake-news.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16358\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Fake-news-450x258.jpg\" alt=\"Fake news\" width=\"450\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Fake-news-450x258.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Fake-news-300x172.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Fake-news.jpg 747w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Num lapso de tempo, enquanto entabulava respostas, logo me vi frente a atualidade do \u201c<em>fake<\/em>\u201d, rondando tudo e todos. E parti do que entendo por \u201c<em>fake news<\/em>\u201d, ou seja, daquele recurso malicioso, carregado de ardis, m\u00e9todo eficiente e de f\u00e1cil dissemina\u00e7\u00e3o via eletr\u00f4nica. V\u00edrus perverso em sua apar\u00eancia de verdade tais inverdades podem ser altamente contagiantes. A primeira instru\u00e7\u00e3o que me veio \u00e0 cabe\u00e7a para formular uma r\u00e9plica minimante robusta, decorreu do sentido do termo \u201cembuste\u201d, segundo o fil\u00f3sofo Harry G. Frankfurt ao dizer que h\u00e1 diferen\u00e7a entre \u201cengodo\u201d e \u201cmentira\u201d. No livro \u2013 que carrega o peso de um t\u00edtulo impr\u00f3prio, \u201cSobre falar merda\u201d \u2013 o autor explicita a necessidade de qualifica\u00e7\u00e3o do discurso falso, pois h\u00e1 n\u00edveis de mentiras que, ali\u00e1s, podem mesmo ser sociais, leves, ocasionais e at\u00e9 inconsequentes. Quando h\u00e1 embuste, por\u00e9m, o tema resvala o crime, e a\u00ed ocorre a \u201c<em>fake news<\/em>\u201d. Curiosa a apropria\u00e7\u00e3o de um termo em l\u00edngua inglesa para explicar algo t\u00e3o \u00f3bvio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Harry-Frankfurt.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16359\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Harry-Frankfurt-450x240.jpg\" alt=\"Harry Frankfurt\" width=\"450\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Harry-Frankfurt-450x240.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Harry-Frankfurt-300x160.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Harry-Frankfurt.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Fil\u00f3sofo Harry Frankfurt, autor do livro\u00a0\u201cSobre falar merda\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Enquanto ganhava algum espa\u00e7o mental, resolvi come\u00e7ar pelos supostos efeitos da internet. Meu primeiro argumento consistiu em precisar as dificuldades de compreens\u00e3o dos acolhimentos da maquinaria moderna, bem como seus efeitos na mentalidade de frequentadores das redes sociais. Passei em seguida ao debate que exalta a popularidade do conceito de \u201c<em>fake news<\/em>\u201d ligada ao Presidente Trump. O termo existe desde o s\u00e9culo XIX e isto \u00e9 garantido pelo prestigiado Webster. Ironicamente, pois, a primeira \u201c<em>fake news<\/em>\u201d remete \u00e0 pretens\u00e3o mentirosa do mandat\u00e1rio norte-americano que usa e abusa de cr\u00edticas feitas pelos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Satisfeita a conversa, teci alguns coment\u00e1rios complementares sobre a distor\u00e7\u00e3o de fatos hist\u00f3ricos, e ligeiramente me vali de algumas das mais conhecidas distor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e comentei sobre a exist\u00eancia ou n\u00e3o do Holocausto. Acredito que para aquele momento a demonstra\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os existentes para negar os campos de concentra\u00e7\u00e3o fora convincente, mas n\u00e3o para mim mesmo. Foi assim que resolvi fazer um pequeno invent\u00e1rio das \u201c<em>fake histories<\/em>\u201d que passeiam por a\u00ed, sem len\u00e7o e sem documento. Eis a pequena lista de eventos que t\u00eam sido feridos pelas \u201cvers\u00f5es em voga\u201d:<\/p>\n<p>1- os portugueses n\u00e3o pisaram na \u00c1frica;<\/p>\n<p>2- os negros se deram \u00e0 escravid\u00e3o que n\u00e3o foi for\u00e7ada,<\/p>\n<p>3- a hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 de cordialidade e conv\u00edvio racial harmonioso;<\/p>\n<p>4- o Jap\u00e3o foi inimigo \u00e9tico na Segunda Guerra Mundial;<\/p>\n<p>5- o nazismo foi movimento de esquerda;<\/p>\n<p>6- n\u00e3o houve ditadura no Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Escravidao-Br.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16360\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Escravidao-Br-450x442.jpg\" alt=\"Escravidao Br\" width=\"450\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Escravidao-Br-450x442.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Escravidao-Br-300x295.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Escravidao-Br-80x80.jpg 80w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Escravidao-Br.jpg 550w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Vers\u00e3o &#8220;hist\u00f3rica&#8221; segundo o candidato vencedor<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Esta l\u00f3gica revisionista e falsificadora, evidentemente, n\u00e3o existe isolada e apenas \u00e9 acatada por leigos sem repert\u00f3rio cr\u00edtico ou de instru\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Ela se constitui em um engodo que dimensiona dois perigos: o descr\u00e9dito \u00e0 hist\u00f3ria feita por pesquisadores s\u00e9rios e \u00e0 historiografia. Ecoa tamb\u00e9m um reposicionamento de vi\u00e9s pol\u00edtico inigual\u00e1vel. Por evidente, sabe-se que a hist\u00f3ria tem v\u00e1rias vers\u00f5es poss\u00edveis, mas negar a evid\u00eancia documentos que fundamentam pesquisas longas \u00e9 temeridade.<\/p>\n<p>Cada tema enfeixado pelo rol de \u201c<em>fake history<\/em>\u201d merece aten\u00e7\u00e3o especial, mas por enquanto vale recomendar aten\u00e7\u00e3o a quem o faz, por que e como a dissemina. N\u00e3o \u00e9, pois, sem raz\u00e3o que tais \u201c<em>fakes<\/em>\u201d se ajustam \u00e0s propostas ideol\u00f3gicas de quantos querem se impor sem assumir responsabilidade de nosso passado. E s\u00f3 h\u00e1 uma forma de combater isso: reafirmando o cuidado com a produ\u00e7\u00e3o do passado enquanto fato social.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ju\u00edzo para saber ouvir. Mais ju\u00edzo ainda para rebater.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pergunta veio direta, sem piedade. 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