{"id":16193,"date":"2018-09-19T16:53:46","date_gmt":"2018-09-19T19:53:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16193"},"modified":"2018-09-19T17:05:45","modified_gmt":"2018-09-19T20:05:45","slug":"um-mundo-sem-celulares-riscos-da-nomofobia-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/um-mundo-sem-celulares-riscos-da-nomofobia-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"UM MUNDO SEM CELULARES: riscos da Nomofobia (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Muito se tem falado sobre avan\u00e7os da medicina e n\u00e3o s\u00e3o poucos os que se encantam com a chamada rob\u00f3tica m\u00e9dica. A tecnologia empregada a favor das ci\u00eancias tem produzido milagres surpreendentes. Basta termos algu\u00e9m que necessite de amparo cl\u00ednico para que se note os passos grandes dados em favor de bons diagn\u00f3sticos, monitoramentos precisos e possibilidades ampliadas de recupera\u00e7\u00e3o. Uma coisa leva a outra e o mesmo se diz do aparato eletr\u00f4nico empregado em escalas crescentes tamb\u00e9m em outras \u00e1reas como nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos, nas atividades de recrea\u00e7\u00e3o e esportes. \u00c9 claro que temos que saudar a tecnologia como virtude, mas, exatamente para que se a legitime como conquista, \u00e9 de se considerar tamb\u00e9m seu avesso, ou seja, os malef\u00edcios que pode produzir. \u00c9 a\u00ed que a medicina volta a significar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Vicio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16194\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Vicio-450x299.jpg\" alt=\"Vicio\" width=\"450\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Vicio-450x299.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Vicio-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Vicio-768x511.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Vicio.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Nomofobia \u00e9 encarada como uma forma de doen\u00e7a (ou v\u00edcio?)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como mercadoria, os celulares t\u00eam cumprido a tarefa de democratizar a comunica\u00e7\u00e3o em geral e, nessa linha, os pre\u00e7os a cada dia mais acess\u00edveis facilitam contatos e podem promover aproxima\u00e7\u00f5es variadas. Assim, progressivamente somando possibilidades, de tal forma os celulares se tornaram us\u00e1veis que n\u00e3o se consegue pensar o mundo sem eles. Os tais aparelhinhos, por sua vez, sorrateiramente se integraram no cotidiano como se fossem \u00f3rg\u00e3os ou componentes inerentes ao nosso corpo. \u201cS\u00e3o como parte da gente\u201d, h\u00e1 quem diga. Dia desses, ouvi uma colega dizer, sem muito pudor, que sem o celular, esquecido em casa, ela se sentia como que mastectomizada. Fiquei chocado, quis explorar mais a figura de linguagem empregada e de volta ouvi algo ainda mais estarrecedor \u201cu\u00e9, com voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 assim? Se fosse homem, sem celular eu me sentiria capado\u201d. Calei. N\u00e3o respondi&#8230; N\u00e3o respondi, mas levei para pensar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Todos-se-comunicando-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16204\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Todos-se-comunicando-1.jpg\" alt=\"Todos se comunicando\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que o mundo ficou inimagin\u00e1vel sem os tais dispositivos eletr\u00f4nicos. A exist\u00eancia de um prof\u00edcuo ramo de neg\u00f3cios voltados a isso nem mais espanta. Onde quer que se v\u00e1, l\u00e1 est\u00e3o pessoas \u201cpassando o tempo\u201d com as telinhas brilhantes, iluminadas e latejantes. Seja no metr\u00f4, \u00f4nibus, no mercado ou nos consult\u00f3rios, \u00e9 imediato constatar pessoas entretidas, mergulhadas em informa\u00e7\u00f5es e contatos. Parece feiti\u00e7o&#8230; Confesso que j\u00e1 vi pessoas em igrejas, cemit\u00e9rios, teatro e cinemas com os equipamentos em funcionamento sem nenhum constrangimento. Nas escolas, o celular virou tema de conflitos entre professores e alunos, e a linha divis\u00f3ria entre poder ou n\u00e3o ingressar com esses aparelhos tornou-se objeto de pesquisas educacionais e muita discuss\u00e3o. Dentre tantas experi\u00eancias recentes, uma me impactou bastante. Indo para a Universidade de Stanford, na Calif\u00f3rnia, entre as mais reputadas do mundo, fiquei pasmado em saber que os alunos n\u00e3o podem usar m\u00e1quinas \u2013 celulares ou computadores \u2013 durante as aulas regulares, em muitos cursos. Nem mesmo para as tais consultas suplementares ou para registros e anota\u00e7\u00f5es s\u00e3o permitidas tais presen\u00e7as que, segundo explica\u00e7\u00f5es competentes, se formulam como forma de deriva\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, o grau de gravidade da situa\u00e7\u00e3o tornou-se tamanho que o fen\u00f4meno virou doen\u00e7a j\u00e1 descrita por especialistas. Sob o nome de Nomofobia, termo derivado de <em>no-mobile-phobia<\/em>, ou seja, pavor de ficar sem acesso \u00e0s redes sociais e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o imediata, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 tratada como doen\u00e7a. Os dram\u00e1ticos efeitos s\u00e3o pr\u00f3ximos da conhecida s\u00edndrome de p\u00e2nico, e decorrem de casos corriqueiros como a falta de energia el\u00e9trica, pane no aparelho ou mesmo o prosaico fim das cargas de baterias ou dos vazios de cobertura. De modo geral, nosso c\u00e9rebro vai ficando dependente a tal ponto que h\u00e1 pessoas que acordam \u00e0 noite com a sensa\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel de verificar o que chegou.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Nomofobia-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16207\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Nomofobia-1-450x418.jpg\" alt=\"Nomofobia\" width=\"450\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Nomofobia-1-450x418.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Nomofobia-1-300x279.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Nomofobia-1.jpg 622w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sabe-se de casos de tipos que ouvem sinais de chamada mesmo quando o aparelho n\u00e3o est\u00e1 ativado. De tal forma a priva\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica se manifesta que as crises de ansiedade levam \u00e0 depress\u00e3o mais ou menos prolongada, fato que amea\u00e7a a vulgariza\u00e7\u00e3o desses casos tidos j\u00e1 como epid\u00eamicos. Em conjunto a express\u00e3o desses tiques se constitui no que tem sido reconhecido com \u201cRea\u00e7\u00e3o FOMO\u201d (<em>Fear of missing Out<\/em>) ou, em tradu\u00e7\u00e3o livre: medo de estar perdendo algo. O pior \u00e9 tudo tende a se agravar posto que ao mesmo tempo em que se diagnosticam casos e se descrevem detalhes dessa manifesta\u00e7\u00e3o, novos avan\u00e7os colocam no mercado de consumo aparelhos cada vez mais sofisticados. O grande paradoxo notado, por\u00e9m, \u00e9 que exatamente a medicina, uma das \u00e1reas mais beneficiadas pela eletr\u00f4nica, \u00e9 ela mesma a denunciadora de malef\u00edcios. M\u00e9dicos atentos ao agravamento da situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 prenunciam que as doen\u00e7as nomof\u00f3bicas ser\u00e3o o mal do s\u00e9culo XXI. Temendo, desliguei o meu aparelho&#8230; Vou ficar assim uns quinze minutos. Depois conto o resultado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se tem falado sobre avan\u00e7os da medicina e n\u00e3o s\u00e3o poucos os que se encantam com a chamada rob\u00f3tica m\u00e9dica. 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