{"id":16188,"date":"2018-09-11T10:42:54","date_gmt":"2018-09-11T13:42:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16188"},"modified":"2018-09-11T10:42:54","modified_gmt":"2018-09-11T13:42:54","slug":"gentileza-gera-gentileza-ja-violencia-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/gentileza-gera-gentileza-ja-violencia-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"\u201cGENTILEZA GERA GENTILEZA\u201d, J\u00c1 VIOL\u00caNCIA&#8230; (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Em um texto sedicioso, Artur Xex\u00e9o tro\u00e7a sobre um dos temas mais perturbadores de quantos escrevem cr\u00f4nicas. Sob o t\u00edtulo \u201cA falta de assunto\u201d (O GLOBO, 09\/09\/18), o autor evoca outros tempos, quando cronistas como Rubem Braga, Jos\u00e9 Carlos Oliveira, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino, mestres do g\u00eanero, colocaram em palavras um dos mais expressivos dilemas de cronistas: a falta do que abordar, fen\u00f4meno tamb\u00e9m conhecido como \u201cs\u00edndrome do papel em branco\u201d. Humildemente, confesso que raras vezes padeci desse trauma, e me filio a Xex\u00e9o ao reclamar do reverso, ou seja, da fartura de assuntos a serem abordados. No cen\u00e1rio internacional, a come\u00e7ar pelas estripulias de Donald Trump, passando pelas trag\u00e9dias da onda de imigra\u00e7\u00e3o africana e da Venezuela, pela crise argentina, e da leva de corrup\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, as escolhas s\u00e3o infind\u00e1veis. Minha dificuldade n\u00e3o \u00e9, pois com a car\u00eancia de tema, mas sim de tempo.<\/p>\n<p>Um giro r\u00e1pido pela cena brasileira pode confundir ainda mais qualquer escolha tem\u00e1tica, e, basta ilustrar isso com uma semana que se iniciou com o inc\u00eandio do Museu Nacional, teve dois dias depois o esfaqueamento de um candidato a Presidente da Rep\u00fablica, em plena campanha. N\u00e3o bastasse, tivemos em seguida a declara\u00e7\u00e3o de impedimento eleitoral de outro pol\u00edtico, preso por corrup\u00e7\u00e3o, e ainda a substitui\u00e7\u00e3o da chefia da chapa. Como a vida est\u00e1 movimentada, n\u00e3o? Pautas n\u00e3o faltam, e desgra\u00e7as multiplicadas desmentem o aguardado setembro que viria soterrar o dif\u00edcil agosto, \u201cm\u00eas do cachorro louco\u201d&#8230; A mim, como historiador n\u00e3o h\u00e1 como deixar algumas rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de temas do passado, continuados nos fatos imediatos. Atento ao que Gumbrechet chama de \u201cprodu\u00e7\u00e3o do presente\u201d, no entanto, cabe avisar a picardia da hist\u00f3ria no tocante \u00e0s agress\u00f5es pol\u00edticas que, inexplicavelmente, t\u00eam sido mostradas como novidade, fato sem precedente. Bobagem, a hist\u00f3ria de nossa pol\u00edtica institucional tem sido superpovoada de extremismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O<a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Adelio-B-O.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16189\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Adelio-B-O.jpg\" alt=\"Adelio B O\" width=\"259\" height=\"194\" \/><\/a>\u00a0<em><strong>O agressor Ad\u00e9lio Bispo de Oliveira em manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Tomando como ponto de partida outros atentados pol\u00edticos, me veio \u00e0 mente um acontecimento ocorrido em 5 de novembro de 1897 quando o jornal Folha da Tarde noticiou que \u201cO soldado Marcellino B. de Miranda, investira contra o Sr. Presidente da Rep\u00fablica. Neste momento o S. Marechal Ministro da Guerra, em um rasgo de sublime heroicidade colocou-se entre o soldado e cobi\u00e7ada v\u00edtima dos furores jacobinos, protegendo-se com seu corpo e com sua espada&#8230; A arma homicida penetrou fundo no cora\u00e7\u00e3o do bravo e leal ministro\u201d. Aten\u00e7\u00e3o ao nome do perpetrador: o \u201cB\u201d de Marcellino era Bispo. Notem bem: Bispo de Miranda. Infeliz coincid\u00eancia, o nome do atual agressor do ex-capit\u00e3o Jair Bolsonaro ser Ad\u00e9lio Bispo de Oliveira, personagem que se diz mandante de Deus. Pior ainda, os dois Bispo agiram com facas em atos pol\u00edticos. Antes, por\u00e9m, de admitir maldi\u00e7\u00e3o ao nome Bispo, conv\u00e9m lembrar que houve outro hom\u00f4nimo, Artur Bispo do Ros\u00e1rio, \u201cprofeta\u201d que viveu o reverso e que, em vez de matar apregoava conc\u00f3rdia, harmonia. Paradoxo, pois este homem que ficou conhecido como criador da famosa frase \u201cgentileza gera gentileza\u201d, tamb\u00e9m dizia agir em nome do Criador.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Carlos-lacerda.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16190\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Carlos-lacerda-305x450.jpg\" alt=\"Carlos lacerda\" width=\"305\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Carlos-lacerda-305x450.jpg 305w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Carlos-lacerda-204x300.jpg 204w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Carlos-lacerda.jpg 407w\" sizes=\"auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Carlos Lacerda sofreu atentado na campanha de 1954<\/strong><\/p>\n<p>Fa\u00e7amos uma viagem pelo reino da ironia hist\u00f3rica. Os dois bandidos \u2013 Marcellino Bispo de Miranda e Ad\u00e9lio Bispo de Oliveira \u2013 foram autores de atos extremos e violentos. J\u00e1 o Bispo do Ros\u00e1rio, queria a paz, vestia-se de branco e declarava amor a humanidade. Este extremo entre a brutalidade e a harmonia convoca reflex\u00f5es. Conv\u00e9m lembrar que as paix\u00f5es pol\u00edticas, principalmente no Brasil republicano t\u00eam se repetido mais do que a v\u00e3 mem\u00f3ria deixa vazar. Mesmo sem chegar ao (convenientemente) inexplicado caso Marielle, \u00e9 bom trazer \u00e0 lembran\u00e7a o crime contra o senador Pinheiro Machado, em 1915, apunhalado pelas costas, no Rio de Janeiro. Em 1930 Jo\u00e3o Pessoa, ent\u00e3o candidato a vice-presidente na chapa com Vargas, foi assassinado a tiros no Recife. Depois, e, em 1954, tivemos o famoso atentado a Carlos Lacerda, tamb\u00e9m no Rio. N\u00e3o bastasse, em 1963, o senador Arnon de Melo, pai de Collor, desferiu um tiro em opositor e tendo errado matou outro colega em pleno Senado.<\/p>\n<p>Seria mec\u00e2nico terminar esta cr\u00f4nica constando a insist\u00eancia do nome Bispo em polos diferentes &#8211; dois do mal, um do bem. Derrubando a barreira perversa que ilude a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como pacto cordial, cabe mostrar a extrema viol\u00eancia da pol\u00edtica nacional. \u00c9 exatamente a\u00ed que vale mais a li\u00e7\u00e3o do Bispo do Ros\u00e1rio: gentileza gera gentileza. J\u00e1 viol\u00eancia&#8230; Viol\u00eancia expressa \u00f3dio e legitima certos pol\u00edticos que ferem a sociedade como um todo apregoando radicalismos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um texto sedicioso, Artur Xex\u00e9o tro\u00e7a sobre um dos temas mais perturbadores de quantos escrevem cr\u00f4nicas. Sob o t\u00edtulo \u201cA falta de assunto\u201d (O &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16191,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16188","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16188"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16188\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16192,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16188\/revisions\/16192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}