{"id":16177,"date":"2018-09-05T18:04:53","date_gmt":"2018-09-05T21:04:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16177"},"modified":"2018-09-05T18:04:53","modified_gmt":"2018-09-05T21:04:53","slug":"adeus-museu-nacional-adeus-ah-deus-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/adeus-museu-nacional-adeus-ah-deus-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Adeus Museu Nacional, Adeus&#8230; Ah Deus! (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Havia pautado escrever sobre o 10 de setembro \u201cdia mundial de combate ao suic\u00eddio\u201d. Juntei dados, reli parte dos textos de Camus e Durkheim, e estava pronto para enfrentar a tarefa. Desde logo, por\u00e9m, se me abateu um dilema, pois tivemos um agosto t\u00e3o penoso, t\u00e3o tr\u00e1gico em acontecimentos em todos os n\u00edveis da vida (pessoal e coletiva), valeria a pena desbotar a esperan\u00e7a emblemada pelo m\u00eas de setembro? Setembro foi saudado em seu primeiro dia como tempo de promiss\u00e3o, carregador da primavera regeneradora. Enquanto alentava tais ambiguidades, nutria um sentimento suport\u00e1vel. Tudo mudou, muito, com os acontecimentos alarmados pelo espanto do inc\u00eandio do Museu Nacional, no belo espa\u00e7o imperial no Campo de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O choque das cenas transmitidas ao vivo, no come\u00e7o da noite de domingo, desolou o pa\u00eds e nos fizeram pensar. Pronto, estava definido o novo mote da cr\u00f4nica. Por onde come\u00e7ar, contudo, foi minha d\u00favida decorrente. Parei por um momento e logo me veio o primeiro passeio que fiz \u00e0quele lugar encantado. Houve at\u00e9 uma trilha sonora musicada pelo querido Renato Teixeira, que historia a primeira viagem feita por um menino interiorano \u00e0 Cidade Maravilhosa. Deixe-me ent\u00e3o dizer como foi a minha estreia no Museu Nacional.<\/p>\n<p>Sou de uma fam\u00edlia libanesa que cabe perfeitamente no estere\u00f3tipo do turco do mercado. Quem me conhece sabe que, chor\u00e3o, sequer consigo enunciar a can\u00e7\u00e3o (tamb\u00e9m do Renato Teixeira) sobre o comerciante que tinha loja e se fez tema de pequena epopeia. Pois \u00e9, minha m\u00e3e, mulher muito trabalhadora, nutria algumas veleidades que seriam estranhas \u00e0s \u201cturcas\u201d: gostava de nos levar de f\u00e9rias, uma vez por ano, a lugares frequentados pela classe m\u00e9dia abastada. E era uma festa completa, pois nossas modestas roupas eram renovadas, havia preparo premeditado, e assim alternavam-se os lugares: um ano esta\u00e7\u00e3o de \u00e1guas (S\u00e3o Louren\u00e7o, Po\u00e7os de Caldas, Caxambu), outro Rio de Janeiro. Foi dessa forma que me introduzi no mundo do turismo, e na ent\u00e3o capital federal ia aos cart\u00f5es postais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Museu-Nacional.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16178\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Museu-Nacional.jpg\" alt=\"Museu Nacional\" width=\"322\" height=\"157\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Museu-Nacional.jpg 322w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Museu-Nacional-300x146.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 322px) 100vw, 322px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mestre Sebe ficou deslumbrado diante daquele monumento hist\u00f3rico<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que mam\u00e3e inclu\u00eda Museus em seus roteiros. Foi assim que em 1953 pela primeira vez fui ao Museu Nacional. E n\u00e3o h\u00e1 como me esquecer do pr\u00e9dio magn\u00edfico. Com nitidez recordo-me de que avisado que ia a um pal\u00e1cio, supus um castelo com torres pontiagudas e protegido por pontes e rios circundantes. Acho que minha primeira li\u00e7\u00e3o nesse processo inicial foi exatamente saber que pal\u00e1cio era onde vivera parte da nossa corte, e castelo seria fortaleza diferente. Esta li\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi um detalhe. Por l\u00f3gico, fiquei impressionad\u00edssimo com os esqueletos monumentais colocados desde a entrada principal e lembro-me do espanto ao ver a tal m\u00famia (que ali\u00e1s nunca permanece muito tempo fora de minhas cenas infantis), mas, de verdade, o que me fascinou foi saber que a Fam\u00edlia Real tinha vivido naquele local. Por aqueles dias, o trono imperial ainda estava l\u00e1 e fazia parte da reconstru\u00e7\u00e3o do ambiente. Isto significou momento decisivo na escolha de minha voca\u00e7\u00e3o de historiador.<\/p>\n<p>Ao longo de d\u00e9cadas o Museu Nacional foi se fazendo institui\u00e7\u00e3o de respeito. N\u00e3o foram poucos os projetos que verticalizaram a tend\u00eancia inicial, desde que se optou por transformar o pal\u00e1cio para ser o Museu de Hist\u00f3ria Natural. A aparente inconformidade era dada pela cole\u00e7\u00e3o de objetos antigos reunida por diferentes membros da Fam\u00edlia Real. Dona Leopoldina trouxe como presente afrescos de Pompeia, raridade maravilhosa. Dom Pedro II comprou pe\u00e7as eg\u00edpcias preciosas, e assim a cole\u00e7\u00e3o se compunha com s\u00e9rie de aves, animais empalhados, mas tamb\u00e9m com esqueletos e moveis reais.<\/p>\n<p>J\u00e1 formado professor de Hist\u00f3ria, fiz pesquisa na Biblioteca do Museu Nacional e me lembro da emo\u00e7\u00e3o ao ver os escritos do antrop\u00f3logo incr\u00edvel, alem\u00e3o, que mudou seu nome para Imuendaj\u00fa. Ao ver alguns desenhos dos viajantes do s\u00e9culo XIX me perguntava sobre a falta de divulga\u00e7\u00e3o de tantas cole\u00e7\u00f5es. E diria o mesmo das telas monumentais que precisavam de conhecimento. Aproveitei todas as oportunidades de visita ao espa\u00e7o e creio que n\u00e3o passava um ano, enquanto morava no Brasil, em que n\u00e3o ia \u00e0quele local. Cheguei mesmo a ver dois ou tr\u00eas concertos de m\u00fasica nos gramados do entorno e me vali de v\u00e1rias confer\u00eancias oferecidas no Curso de Antropologia, um dos melhores do Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Incendio-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16179\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Incendio-01.jpg\" alt=\"Incendio 01\" width=\"286\" height=\"176\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Esta trag\u00e9dia se explica pelo desprezo \u00e0 Hist\u00f3ria<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por l\u00f3gico, n\u00e3o bastariam lembran\u00e7as pessoais para resenhar o significado do inc\u00eandio de 2 de setembro. Nem mesmo minhas impress\u00f5es de profissional da Hist\u00f3ria. O que vale mesmo \u00e9 pensar que esta trag\u00e9dia se explica pelo desprezo \u00e0 Hist\u00f3ria e falo da disciplina Hist\u00f3ria&#8230; N\u00e3o basta achar culpados. A discuss\u00e3o precisa sair do plano discursivo para a pol\u00edtica. Meu \u00fanico recado nessa medita\u00e7\u00e3o remete ao desafio de ver com zelo e apuro os programas dos candidatos que concorrem \u00e0s pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Notar que existem pautas que pensam que, da parca verba aprovada, devem ser destinados montantes maiores para o ensino b\u00e1sico \u00e9 um erro imperdo\u00e1vel. Por evidente, muito precisa ser empregado no n\u00edvel elementar, mas jamais pode-se tirar de outros est\u00e1gios comunicantes. \u00c9 tudo junto, reunido, misturado, circulado.<\/p>\n<p>Vejamos bem o alerta dado pela fatalidade. N\u00e3o \u00e9 tirando de um n\u00edvel e pondo em outro que se teria resultado. Seria penosa e sem efeito uma longa espera para daqui a 15 anos. A \u00fanica li\u00e7\u00e3o que se pode tirar \u00e9 que precisamos de mais aten\u00e7\u00e3o ao ensino\/educa\u00e7\u00e3o como um todo. Tudo pela cultura em todos os estratos sociais, pois s\u00f3 assim valeria chorar pelas li\u00e7\u00f5es do Museu Nacional. Pensemos a pol\u00edtica como sa\u00edda. Leiamos os projetos dos candidatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia pautado escrever sobre o 10 de setembro \u201cdia mundial de combate ao suic\u00eddio\u201d. 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