{"id":16126,"date":"2018-08-15T12:07:15","date_gmt":"2018-08-15T15:07:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=16126"},"modified":"2018-08-15T12:07:15","modified_gmt":"2018-08-15T15:07:15","slug":"o-prazer-de-ser-e-tocar-aquiles-do-mpb4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-prazer-de-ser-e-tocar-aquiles-do-mpb4\/","title":{"rendered":"O prazer de ser e tocar (*Aquiles do MPB4)"},"content":{"rendered":"<p>O pianista e compositor Diogo Monzo acaba de lan\u00e7ar <em>Filhos do Brasil<\/em> (Biscoito Fino). Eu o conheci pelo CD no qual gravou apenas m\u00fasicas do lend\u00e1rio pianista Luiz E\u00e7a. Para homenagear o mestre, Monzo se valeu de sua pesquisa de mestrado, que tinha E\u00e7a como tema, e para a qual canalizou suas for\u00e7as pian\u00edstica, erudita e popular.<\/p>\n<p>Hoje ele traz um projeto de piano solo, em que a liberdade de criar arranjos para cl\u00e1ssicos da m\u00fasica popular e de improvisar sobre eles \u00e9 formid\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos que citarei mais \u00e0 frente, no \u00e1lbum est\u00e3o composi\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o de Barro (Braguinha) e Antonio Almeida; Pixinguinha, Benedito Lacerda e Nelson Angelo; Noel Rosa; Jo\u00e3o Gilberto, mescladas com m\u00fasicas de Tom Jobim e Chico Buarque; Roberto Menescal e Ronaldo B\u00f4scoli; Francis Hime e Ruy Guerra, al\u00e9m de duas parcerias de Luiz E\u00e7a com Fernanda Quinder\u00e9 (ela que tamb\u00e9m \u00e9 produtora art\u00edstica do CD), e duas composi\u00e7\u00f5es de Monzo.<\/p>\n<p>Suas interpreta\u00e7\u00f5es ao piano, de fato, renovam as m\u00fasicas. Embora sendo um erudito, a veia popular de Monzo faz com que os improvisos n\u00e3o caiam na esparrela de sobrepujar as linhas mel\u00f3dicas e harm\u00f4nicas de can\u00e7\u00f5es j\u00e1 devidamente preservadas no imagin\u00e1rio popular. Em todas ele demonstra sincero prazer de tocar, o que faz dele um virtuoso com extensa sensibilidade musical.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Diogo-Monzo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16128\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Diogo-Monzo-427x450.jpg\" alt=\"Diogo Monzo\" width=\"427\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Diogo-Monzo-427x450.jpg 427w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Diogo-Monzo-284x300.jpg 284w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Diogo-Monzo.jpg 474w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>As interpreta\u00e7\u00f5es de Diogo Monzo renovam as m\u00fasicas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Abrindo o CD, \u201cLuar do Sert\u00e3o\u201d (Catulo da Paix\u00e3o Cearense). O in\u00edcio \u00e9 tenso, mas logo atenua a pegada. Sob a melodia, uma levada nas notas graves exp\u00f5e um improviso que des\u00e1gua em notas dedilhadas da harmonia.<\/p>\n<p>Em \u201cChoro Bandido\u201d (Edu Lobo e Chico Buarque), Monzo tem a sensibilidade na ponta dos dedos (n\u00e3o h\u00e1 coisa-feita que fa\u00e7a seu piano soar ap\u00e1tico, vixe!). Desde a intro, sente-se nos dedos a fissura pela excel\u00eancia harm\u00f4nica. Um improviso rev\u00ea a gra\u00e7a da obra.<\/p>\n<p>\u201cSegredos\u201d (Diogo Manzo), um belo tema que soa numa levada cont\u00ednua e forte.<\/p>\n<p>Em \u201cCor do Sol \u2013 Loro\u201d (Egberto Gismonti e Eugenio Dale), a pujan\u00e7a de Egberto encontra provimento no piano de Monzo. Um levada repetida, sob um improviso, antecede a volta da melodia.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u201cOlhar de Princesa\u201d (Luiz E\u00e7a e Fernanda Quinder\u00e9) vem suave, sem pressa de se revelar linda. Meu Deus!<\/p>\n<p>Por fim, \u201cBim Bom\u201d (Jo\u00e3o Gilberto), quando Monzo comprova sua excel\u00eancia em g\u00eaneros d\u00edspares e, ao mesmo tempo, joga cordialidade sobre a crise pela qual Jo\u00e3o est\u00e1 passando.<\/p>\n<p>Mudando o rumo da prosa: do encarte extra\u00ed trechos de um manifesto no qual Monzo demonstra n\u00e3o viver apenas para seu piano. No texto ele descreve sua inquietude com rela\u00e7\u00e3o ao papel libertador da m\u00fasica e da arte: \u201cEu acredito em uma m\u00fasica livre (&#8230;) Acredito na arte como fonte para mudan\u00e7as, como fonte para novas reflex\u00f5es, modeladora de uma nova consci\u00eancia (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p>Aderindo a Diogo Monzo, digo: sin\u00f4nimo de m\u00fasica, a vida nasce ap\u00f3s um brado, o canto primal do rec\u00e9m-nascido. E \u00e9 no som instrumental, por conta de suas nuances, que a vida assume de forma decisiva o poder libertador da m\u00fasica.<\/p>\n<p>M\u00fasica que clama em Sol maior: meu nome \u00e9 liberdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><b>*Vocalista do MPB4<\/b><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pianista e compositor Diogo Monzo acaba de lan\u00e7ar Filhos do Brasil (Biscoito Fino). 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