{"id":15990,"date":"2018-07-05T16:54:08","date_gmt":"2018-07-05T19:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15990"},"modified":"2018-07-05T16:54:08","modified_gmt":"2018-07-05T19:54:08","slug":"felizes-para-sempre-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/felizes-para-sempre-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Felizes para sempre&#8230; (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Para Virg\u00ednia Genelhu<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Abri minha pasta de mensagens e eis uma surpresa desafiadora \u201cprofessor, vou me casar e quero o senhor como testemunha\u201d. Simples assim: eu seria padrinho de casamento de uma ex-aluna, moradora da Baixada Fluminense. Como pode? me perguntei. Que resposta dar, foi desdobramento mec\u00e2nico. E tudo se complicava com a indica\u00e7\u00e3o de data, lugar, como ir. De in\u00edcio foi muito f\u00e1cil elencar problemas, e os fiz para mim mesmo com rapidez vertiginosa. Teria desculpas robustas para o cl\u00e1ssico \u201cn\u00e3o posso\u201d. Dizer de pequena interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica no olho seria suficiente, e nada demais ampliar justificativas que poderiam declinar raz\u00f5es, algo do tipo, o m\u00e9dico recomendou que ficasse de repouso. Outras desculpas se emendariam: n\u00e3o sei como chegar, marquei dentista, estou com visitas em casa&#8230; Tantos obst\u00e1culos levantei que foi chegado o ponto reverso, quando olhei para meu interior e me enfrentei: porque n\u00e3o?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Casamento-comunitario.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15992\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Casamento-comunitario.jpg\" alt=\"Casamento comunitario\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mestre Sebe nunca havia participado de um casamento comunit\u00e1rio<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Cabe dizer que a ex-aluna fora um caso especial em minha experi\u00eancia docente derradeira. Depois que me aposentei no ano 2000, fiquei sem trabalho institucional regular por mais de dez anos. Um chamado amigo me provocou a uma proposta in\u00e9dita. Sair da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), com todo aparato de infraestrutura, e lecionar em espa\u00e7o em constru\u00e7\u00e3o era atrativo desafiador. Aceitei, e por seis anos me dispus a longos percursos que inclu\u00edam caminhada, metr\u00f4, \u00f4nibus. Tudo em uma universidade que demandava esfor\u00e7os inauditos. Talvez, o mais expressivo entrave para desej\u00e1vel desempenho residisse no fato de se tratar de alunos de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica modesta, desprovidos de tempo para estudos ou suportes como laborat\u00f3rios ou bibliotecas. Tudo contrastava com o esfor\u00e7o anterior na cidade de S\u00e3o Paulo, onde os estudantes, por carentes que fossem, eram bem mais amparados que os daquele lugar. Permaneci nessa miss\u00e3o pessoal at\u00e9 o ano passado e, dentre tantas, uma aventura vibrou melhor que outras.<\/p>\n<p>Logo que comecei, um elenco de possibilidades de orienta\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas me foi apresentado. Estava consciente de que era personagem estranho ao corpo natural de professores que, instalados desde h\u00e1 muito tempo, tinham a simpatia dos alunos. Sabia tamb\u00e9m que, al\u00e9m do per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o, seria preciso desvestir a roupagem de professor \u201cde fora\u201d, fato que me distinguia ainda que lidasse para anul\u00e1-lo. Aconteceu ent\u00e3o o primeiro milagre, uma aluna de gradua\u00e7\u00e3o queria fazer um trabalho sobre \u201cmedos e cren\u00e7as de cemit\u00e9rios\u201d. O ineditismo do tema assustou os colegas e, finalmente, ela chegou at\u00e9 mim, pediu aux\u00edlio. Elos imediatos nos uniram e juntos fizemos pesquisas, entrevistas, articulamos teorias e, por fim, em n\u00edvel de Inicia\u00e7\u00e3o Cientifica conclu\u00edmos o trabalho que, afinal, foi premiado com distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cemiterio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15991\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cemiterio-450x338.jpg\" alt=\"Cemiterio\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cemiterio-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cemiterio-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cemiterio-768x576.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cemiterio.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Medos e cren\u00e7as de cemit\u00e9rio foi o tema do trabalho de gradua\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A aluna era tudo que poderia desejar \u00e0quela altura da vida: cheia de vontades, inquieta, corajosa, ainda que esvaziada de leituras e informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. Investi o que pude. Presenteei-a com livros, textos escolhidos com empenho, emprestei gravadores, acompanhei-a em entrevistas com personagens implicados no projeto. Nossos encontros cumpridos todas as semanas favoreceram o aprendizado de detalhes comuns. Foi assim que soube que apesar de seus 19 anos, ela tinha passado por situa\u00e7\u00f5es pouco invej\u00e1veis: pai preso por roubo \u00e0 m\u00e3o armada, filha mais velha de uma prole de oito irm\u00e3os, m\u00e3e alco\u00f3latra. Mas gra\u00e7as a auxilio de programa de incentivo, cursava o quarto semestre de Hist\u00f3ria. E tinha um namorado que, por alguma raz\u00e3o, um dia, quis me conhecer. Reunidos os tr\u00eas tomamos um caf\u00e9 e logo me afei\u00e7oei ao casal.<\/p>\n<p>O tempo passou e n\u00e3o pude ir \u00e0 festa de formatura da mo\u00e7a. De quando em vez, recebia not\u00edcias, e nunca passou um dia de anivers\u00e1rio, ou data alusiva aos professores que ela n\u00e3o me enternecesse com mimos atenciosos. Ficamos, contudo, sem nos ver, por mais de dois anos, at\u00e9 que me chegou o convite. O tal \u201cquero o senhor como testemunha\u201d tornou-se mandamento. Desmanchei todos os percal\u00e7os e, finalmente, fui ao cas\u00f3rio. Nossa!&#8230; Foi um dos dias mais emocionantes de minha vida. E bota emocionante nisso&#8230; Como havia devotado todo cuidado \u00e0 supera\u00e7\u00e3o dos problemas de ida, n\u00e3o dei aten\u00e7\u00e3o devida ao fato de se tratar de uma a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Sim, foi o cas\u00f3rio de 92 pares que por d\u00e9cadas, anos mesmo, finalmente oficializavam suas uni\u00f5es. Havia visto algo pr\u00f3ximo a isso em notici\u00e1rios, mas jamais pensei no impacto direto da situa\u00e7\u00e3o. Minha afilhada, orgulhosa no vestido branco, com o filho de dezessete dias carregado no lugar do buqu\u00ea, sorria como uma Cinderela suburbana. E eu a conduzindo ao altar&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cerimonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15993\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cerimonia-450x300.jpg\" alt=\"Cerimonia\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cerimonia-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cerimonia-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cerimonia-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cerimonia.jpg 1488w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Flagrante de uma cerim\u00f4nia de casamento comunit\u00e1rio<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Fiquei atordoado do come\u00e7o ao fim. Foi uma cerim\u00f4nia linda, linda. Linda e incapaz de se emoldurar em simples conjunto de narrativas. Havia um casal que estava junto h\u00e1 mais de 30 anos e pretendia lua de mel em Copacabana; um caso expressivo foi a de outro par em que a m\u00e3e e o pai se casaram pouco antes da filha e do genro, na mesma cerim\u00f4nia. E que dizer da noiva que entrou em cadeira de rodas? O noivo cego, parecia ver tudo, e houve um padrinho que ofereceu o palet\u00f3 ao amigo que queria sair bem na foto.<\/p>\n<p>Sou daqueles que choram em casamento. E muito. Sei l\u00e1 porque, mas me derreto, e tenho at\u00e9 que me controlar para fugir de esclarecimentos inc\u00f4modos. Ouvir a marcha nupcial, escutar os vivas em voz alta pronunciados por familiares, misturar-me ao esp\u00edrito alegre da multid\u00e3o foi mais do que merecia. Meu presente? Meu presente foi pessoal, o alerta de que os sonhos podem tardar, mas s\u00e3o poss\u00edveis, a solidariedade \u00e9 plaus\u00edvel, o coletivo supera diferen\u00e7as individuais&#8230; E eu sou professor gra\u00e7as aos meus eternos mestres\/alunos. Sinto-me casado com eles e feliz para sempre&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Virg\u00ednia Genelhu \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Abri minha pasta de mensagens e eis uma surpresa desafiadora \u201cprofessor, vou me casar e quero o &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15994,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15990","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15990"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15995,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15990\/revisions\/15995"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}