{"id":15956,"date":"2018-06-21T17:43:03","date_gmt":"2018-06-21T20:43:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15956"},"modified":"2018-06-21T17:43:03","modified_gmt":"2018-06-21T20:43:03","slug":"etica-nas-redes-sociais-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/etica-nas-redes-sociais-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"\u00c9tica nas redes sociais (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Falta muito para que possamos assimilar os efeitos da eletr\u00f4nica na rotina de nossos dias. Quando olhamos pelo retrovisor, torna-se fant\u00e1stica a admira\u00e7\u00e3o de como era a vida. Imaginemos, por exemplo, o que aconteceu com o telefone. Lembremos que existiam \u201cprofissionais da telef\u00f4nica\u201d que mediavam contatos entre as partes. Ligar para qualquer pessoa era quase um cerimonial e muitas vezes implicava demora, retornos e custava muito. Depois veio a fase dos sinais que muitas vezes nos fazia torcer para que n\u00e3o tardassem muito. E os fios telef\u00f4nicos que nos aprisionavam em dist\u00e2ncias curtas?! Ali\u00e1s, perto dos aparelhos sempre havia um banquinho ou cadeira. Isso n\u00e3o deixa de ser intrigante, pois as falas deveriam ser curtas. O custo dos aparelhos era enorme e demorava-se muito para chegar a oportunidade nas longas filas. De tal forma o problema da telefonia era expressivo que o estado interveio colocando os aparelhos na rua. Dia desses, um amigo chamava aten\u00e7\u00e3o em esclarecimento ao filho adolescente, explicando a express\u00e3o \u201ccair a ficha\u201d, pois as novas gera\u00e7\u00f5es sequer t\u00eam no\u00e7\u00e3o. O mesmo se diz dos cart\u00f5es em desuso pela supera\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Fichas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15957\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Fichas.jpg\" alt=\"Fichas\" width=\"315\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Fichas.jpg 315w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Fichas-300x152.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 315px) 100vw, 315px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Fichas pr\u00e9-hist\u00f3ricas usada em orelh\u00f5es como da foto abaixo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Orelhao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15958\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Orelhao-450x338.jpg\" alt=\"Orelhao\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Orelhao-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Orelhao-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Orelhao.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Detalhe: uma ficha \u00e9 local e a outra \u00e9 para DDD<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Quando surgiram os primeiros aparelhos sem fio as mudan\u00e7as foram muito bem recebidas, gra\u00e7as a mobilidade tida como libertadora. Outra decorr\u00eancia desse avan\u00e7o pode ser medida pela simultaneidade: falava-se ao telefone ao mesmo tempo que se cozinhava, arrumava-se alguma coisa ou se vestia. Foi dessa \u00e9poca a mania de apoiar o fone no pesco\u00e7o, e, falando nisso, n\u00e3o h\u00e1 como deixar de lado a capacidade feminina em repartir atividades paralelas.<\/p>\n<p>Os celulares significaram verdadeira revolu\u00e7\u00e3o em todo processo. De repente, de uma hora para outra, uma s\u00edntese acelerada de tudo: espa\u00e7o, tempo, mobilidade, tamanho, tudo se somou em uma maquininha que se tornou essencial. A tal ponto a depend\u00eancia dos aparelhos se fez imperiosa que esquec\u00ea-lo em casa, dizia uma amiga, \u00e9 como sair sem um dos bra\u00e7os. Em termos t\u00e9cnicos, o celular foi permitindo outras possibilidades que n\u00e3o apenas ser telefone. A internet talvez tenha sido a mais consequente decorr\u00eancia e dela as redes sociais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bebe-falando-cel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15959\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bebe-falando-cel-450x338.jpg\" alt=\"Bebe falando cel\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bebe-falando-cel-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bebe-falando-cel-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Bebe-falando-cel.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Idosos-falando.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15960\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Idosos-falando-450x300.jpg\" alt=\"Idosos falando\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Idosos-falando-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Idosos-falando-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Idosos-falando-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Idosos-falando.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Crian\u00e7as nascem falando ao celular, assim como os idosos<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Alastrando-se como rastilho, come\u00e7aram-se a multiplicar as redes sociais. Virando brinquedinho de adultos, como garotos em visita a um parque de divers\u00e3o. E s\u00e3o legi\u00f5es de adultos que rearticulam contatos e desdobraram-se em sauda\u00e7\u00f5es, not\u00edcias e fofocas. Na surdina do progresso dos contatos, todos viram protagonistas, se assumem como divulgadores de suas causas e na sutileza da dualidade emissora, as <em>fake news<\/em> se fizeram personagens venenosas na inten\u00e7\u00e3o de confundir incautos. Semeando desaven\u00e7as, certas invencionices foram ganhando tons pol\u00edticos e consequentes. O fator multiplica\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, se responsabiliza pelo risco e pela populariza\u00e7\u00e3o dos eventos criados para confundir. Sobre esta mat\u00e9ria, poder\u00edamos alongar discursos que tenderiam ao infinito, mas interessa explorar outro lance que causa inc\u00f4modos e exige cuidados. Por mexer em temas sens\u00edveis, cabe inclusive lances de tang\u00eancia filos\u00f3fica ou pelo menos moral.<\/p>\n<p>Dia desse foi postada a imagem de uma crian\u00e7a de uns tr\u00eas anos, abrindo a bolsa da m\u00e3e e tirando dinheiro que escondia na pr\u00f3pria roupa. Com o t\u00edtulo de \u201cfilho de deputado\u201d, houve compartilhamentos bem-humorados como que saudando a atitude malandrinha da crian\u00e7a. Em outra ocasi\u00e3o, a cena remetia a um c\u00e3o sendo estra\u00e7alhado por um jacar\u00e9. Sobre c\u00e3es e gatos, h\u00e1 vasto repert\u00f3rio explorando por exemplo o medo dos animais que se apavoram com fogos. Sobre mulheres, loiras e mulatas principalmente, aquelas piadas que pretendem se situar no limite do pitoresco com o preconceituoso, tornam-se perigosas. O mesmo se diz de gays, gordos, an\u00f5es, mendigos e religi\u00f5es n\u00e3o bem aceitas. Todos esses procedimentos s\u00e3o discut\u00edveis, mas um me atinge e convoca reflex\u00f5es \u00e9ticas mais consequentes: a exposi\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. Ora usadas como argumento sutil que reproduz defeitos sociais, s\u00e3o tamb\u00e9m evocadas como campo de experi\u00eancias toleradas. Como que delegando falta de controle, crian\u00e7as s\u00e3o mostradas fazendo coisas conden\u00e1veis, mas com condescend\u00eancia. Entre a malandragem e a candura, se misturam usos impr\u00f3prios de menores. E nem percebemos o mal que isso propaga.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Telefone-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15961\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Telefone-1-392x450.jpg\" alt=\"Telefone 1\" width=\"392\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Telefone-1-392x450.jpg 392w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Telefone-1-262x300.jpg 262w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Telefone-1-768x881.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Telefone-1.jpg 1046w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Em poucas d\u00e9cadas, sa\u00edmos do aparelho telef\u00f4nico fixo na parede&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Conv\u00e9m assinalar que dois fatores se tran\u00e7am de forma a complicar tudo: o engra\u00e7ado e o interdito. No campo do humor, parece que vale tudo pelo riso ou mal\u00edcia. O sil\u00eancio tamb\u00e9m atua como fator agravante, pois n\u00e3o se discute a gravidade do problema, e assim tudo rola na naturalidade do fluxo dos <em>posts<\/em> que se sucedem vertiginosamente. Integra o mesmo pacote os cansativos desatinos ao que se convencionou chamar de \u201cpoliticamente correto\u201d. Como consci\u00eancia culpada, \u00e9 comum depois de um achaque desses algu\u00e9m falar mal do prop\u00f3sito \u00e9tico que questiona o valor da brincadeira.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Cell.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15962\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Cell-450x300.jpg\" alt=\"Cell\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Cell-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Cell-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Cell-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Cell.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&#8230; para o celular que faz tudo, at\u00e9 para falar: que fazer?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Frente a tudo isso, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9: que fazer? Al\u00e9m de provocar o debate, sem apoios argumentativos coletivos, tenho tomado outra atitude: n\u00e3o reproduzir ou sequer comentar os casos. Considerando a necessidade de se discutir \u00e9tica, cabe motivar discuss\u00f5es e saudar o respeito. Por certo, muito dos que enviam tais piadas ou coment\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam inten\u00e7\u00e3o maldosa, mas intuitivamente atingem alvos fr\u00e1geis. \u00c9 chegada a hora de trocarmos ideias sobre essas coisas, pois, a moral de hist\u00f3ria consagra o respeito, al\u00e9m do riso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta muito para que possamos assimilar os efeitos da eletr\u00f4nica na rotina de nossos dias. 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