{"id":15833,"date":"2018-05-09T19:11:31","date_gmt":"2018-05-09T22:11:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15833"},"modified":"2018-05-09T19:11:31","modified_gmt":"2018-05-09T22:11:31","slug":"eramos-tres-mestre-jc-sebe-homenageia-paulo-francisco-falecido-ontem-terca-08","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/eramos-tres-mestre-jc-sebe-homenageia-paulo-francisco-falecido-ontem-terca-08\/","title":{"rendered":"\u00c9RAMOS TR\u00caS&#8230; (MESTRE JC SEBE HOMENAGEIA PAULO FRANCISCO FALECIDO ONTEM, TER\u00c7A 08)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Saudade, depress\u00e3o, mal do s\u00e9culo, melancolia s\u00e3o alguns dos sentimentos que levaram Mestre JC Sebe enfrentar de peito aberto as recorda\u00e7\u00f5es dos \u201cbons tempos\u201d, cujo texto original foi publicado por CONTATO na edi\u00e7\u00e3o 604 de 26 de junho a 02 de julho de 2015, agora republicado em homenagem a Paulo Francisco Moreira, que faleceu na ter\u00e7a-feira, 08 de maio<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Dia desses, andava meio acabrunhado com saudade de mim mesmo e dos chamados \u201cbons tempos\u201d. Bateu uma certa melancolia e dei asas a esse sentimento t\u00e3o fora de moda. Demorei para entender o que se passava e o diagn\u00f3stico veio manso e bom, como uma brisa confort\u00e1vel em dia quente. Confesso que minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi indagar se o que sentia era algum tipo de depress\u00e3o. Perguntei-me, algo perplexo \u201cser\u00e1 que estou com o mal do s\u00e9culo\u201d? Do s\u00e9culo XIX, diga-se. Logo vi que n\u00e3o, mas\u00a0mesmo assim fiquei melindrado, pois melancolia tamb\u00e9m \u00e9 coisa de antigamente.<\/p>\n<p>Desbravado o universo conceitual, passei para outro est\u00e1gio anal\u00edtico: o que teria motivado aquela viagem ao meu passado? E aos poucos a rememora\u00e7\u00e3o foi se fazendo narrativa. Havia dado um tempo em leituras pertinentes, mas exaustivas e fui para o facebook \u2013 acontece de vez em quando, viu. Entre as \u201cnovidades\u201d, meu amigo Lu\u00eds Fernando Vieira Negrini postava uma foto ao lado de sua filha Leda. Tratava-se do anivers\u00e1rio da mo\u00e7a. Fiquei encantado ao ver aquela menininha, hoje crescida, linda e com olhar feliz. Num impulso imediato, mais do que \u201ccurtir\u201d escrevi: Parab\u00e9ns, pergunte ao seu pai por que.<\/p>\n<p>Estava dada a largada para minha interioriza\u00e7\u00e3o. E deixei-me levar por uma saudade arrebatadora. Fernando foi meu grande amigo. O melhor, diria. Com ele ao lado, atravessei os anos dif\u00edceis da adolesc\u00eancia e mesmo quando virei aluno de col\u00e9gio interno mantivemos viva correspond\u00eancia. Ah! a pr\u00e1tica das cartas enviadas pelo correio, com selos sobre os envelopes&#8230;<\/p>\n<p>Mas nossa amizade n\u00e3o se resumia a n\u00f3s dois. Havia um entorno fant\u00e1stico e um terceiro nome compunha a solidez de um relacionamento que sempre foi forte, alegre, confidente, amigo mesmo, enfim. Paulo Francisco Moreira completava o trio. E como\u00a0r\u00edamos, a par dos sofrimentos caracter\u00edsticos da idade. Nossa! E tudo era t\u00e3o bonito e pleno que n\u00e3o faltaram amigos complementares.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/F-Negrini-e-P-Francisco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15834\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/F-Negrini-e-P-Francisco-416x450.jpg\" alt=\"F Negrini e P Francisco\" width=\"416\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/F-Negrini-e-P-Francisco-416x450.jpg 416w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/F-Negrini-e-P-Francisco-278x300.jpg 278w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/F-Negrini-e-P-Francisco.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0 <em><strong>Fernando Negrini e Paulo Francisco que com Mestre JC Sebe formavam a turma do &#8220;trio los tres&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Viv\u00edamos unidos, e juntos faz\u00edamos uma esp\u00e9cie de clube paralelo, exclusivo. Frequent\u00e1vamos outros grupos, muitos ali\u00e1s, mas nos bast\u00e1vamos para discutir filmes, leituras e, sobretudo o destino futuro.<\/p>\n<p>Li outro dia uma frase que me deixou pensativo: n\u00e3o se faz amigos verdadeiros<\/p>\n<p>depois dos 30 anos. Sei l\u00e1 se isto \u00e9 verdade, mas no real de minha experi\u00eancia aquele trio est\u00e1 entre as melhores coisas que me aconteceram.<\/p>\n<p>Crescemos, casamos e tivemos filhos, profissionalizamo-nos e a vida cuidou de nos separar. Temos afinidades eletivas e sei da solidez daquela experi\u00eancia e a presen\u00e7a desta certeza nos \u00e9 referencial. Preside at\u00e9 um inexplic\u00e1vel respeito ao passado, algo que n\u00e3o nos permite reencontros frequentes. Seria fact\u00edvel planejar situa\u00e7\u00e3o em que nos\u00a0junt\u00e1ssemos, mas para qu\u00ea? A dist\u00e2ncia, ironicamente, possibilita guardar o perfume de um tempo que foi \u00fanico. E sem qualquer comunica\u00e7\u00e3o retra\u00e7amos um pacto de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Depois que meditei sobre essa liga\u00e7\u00e3o de amizade antiga, pensei em escrever sobre isso. Virar cr\u00f4nica, por\u00e9m, exigiu um enquadramento formal e demandava t\u00edtulo. Logo, ent\u00e3o, me veio \u00e0 mem\u00f3ria um livro que \u00e0quela altura da vida, no tempo real do passado long\u00ednquo, me marcou profundamente. N\u00e3o se trata de nenhum cl\u00e1ssico, mas de um texto terno e alentador \u201c\u00c9ramos seis\u201d, escrito por Maria Jos\u00e9 Dupr\u00e9. Tratava-se de uma hist\u00f3ria comum, estranha at\u00e9. O drama vivenciado nos anos de 1920, transcorria at\u00e9 a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. O curioso \u00e9 que a narrativa n\u00e3o amarra uma hist\u00f3ria de amor central, sobre a qual giraria o enredo. Nem \u00e9 um texto de indaga\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas, ou sequer tem suspense. Trata-se de circunst\u00e2ncias rotineiras, de uma fam\u00edlia qualquer. O diferencial daquele escrito est\u00e1 no afeto que enla\u00e7a os\u00a0personagens.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Na-rede-recortada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15835\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Na-rede-recortada-450x440.jpg\" alt=\"Na rede recortada\" width=\"450\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Na-rede-recortada-450x440.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Na-rede-recortada-300x293.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Na-rede-recortada.jpg 563w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Paulo Francisco no anivers\u00e1rio de uma amiga recentemente<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A liga\u00e7\u00e3o emocional dos filhos de dona Lola \u00e9 comovente, do come\u00e7o ao fim. Curiosamente, \u201c\u00c9ramos seis\u201d virou novela e foi exibida em 1994, constituindo-se em sucesso vertido para televis\u00e3o por S\u00edlvio de Abreu e Rubens Ewald Filho.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, precisei deste mote para nomear a cr\u00f4nica presente. Dei parab\u00e9ns a Leda exatamente por evocar na simpatia do romance de Maria Jos\u00e9 Dupr\u00e9 o resultado de uma experi\u00eancia que de certa forma a integra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saudade, depress\u00e3o, mal do s\u00e9culo, melancolia s\u00e3o alguns dos sentimentos que levaram Mestre JC Sebe enfrentar de peito aberto as recorda\u00e7\u00f5es dos \u201cbons tempos\u201d, cujo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15836,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15833","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15833"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15837,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15833\/revisions\/15837"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}