{"id":15728,"date":"2018-04-06T15:18:34","date_gmt":"2018-04-06T18:18:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15728"},"modified":"2018-04-06T15:20:52","modified_gmt":"2018-04-06T18:20:52","slug":"odio-chique-ou-pequena-ode-para-marielle-mestre-jc-sebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/odio-chique-ou-pequena-ode-para-marielle-mestre-jc-sebe\/","title":{"rendered":"\u00d3DIO CHIQUE ou PEQUENA ODE PARA MARIELLE (Mestre JC Sebe)"},"content":{"rendered":"<p>Foi o jornalista Elio Gaspari quem cunhou o termo \u201c\u00f3dio chique\u201d. Antes, em ingl\u00eas, falava-se em <em>nowadays hate<\/em>. A campanha do presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump, viralizou o jarg\u00e3o, incendiando \u00e2nimos favor\u00e1veis a uma suposta manuten\u00e7\u00e3o da ordem tradicional. Na oposi\u00e7\u00e3o, grupos progressistas, argumentavam contra o propalado estado de coisas que, segundo conservadores, deveria permanecer inalterado. Jornalistas do mundo todo, gradativamente, aliavam a modalidade comportamental das elites \u00e0s novas manifesta\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia dos grupos que, mecanicamente, passavam a ser vistos como \u201cde esquerda\u201d. Assim, velhas bandeiras s\u00e3o levantadas em nome da moral e bons costumes, da fam\u00edlia formatada em moldes convencionais, de combate irrestrito ao chamado politicamente correto. Em campanhas que v\u00e3o desde a explicita\u00e7\u00e3o de argumentos arcaicos at\u00e9 o exaustivo \u201cpiadismo\u201d, elaborou-se um programa com base no \u00f3dio \u00e0s diferen\u00e7as e pavor de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Trump.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15729\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Trump.jpg\" alt=\"Trump\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Trump viralizou a express\u00e3o \u00f3dio chique<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Assumindo que a luta pelos direitos humanos \u00e9 baderna, a direita passou a rezar que as causas feministas e antirracistas se constituem em patrulhamento. Por l\u00f3gico, temas favor\u00e1veis \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es de g\u00eaneros, ao aborto, ao controle da imprensa, integram tais prescri\u00e7\u00f5es. Dimens\u00e3o imediata disso, ficam transparentes atitudes machistas, elitistas, anti-cotas, ou contr\u00e1rias ao reconhecimento das proporcionalidades representativas em institui\u00e7\u00f5es. Sem disfarce, emergem os mandamentos do neoliberalismo que carrega em seu enredo a diminui\u00e7\u00e3o do papel do estado, o empreendedorismo dos que t\u00eam poder, a livre iniciativa e o combate ao acolhimento dos imigrantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ardil comum colocado ao dispor dos grupos mais preocupados com a inevitabilidade da agenda contr\u00e1ria. Os dispositivos digitais est\u00e3o ao alcance de muitos. A internet, nesse sentido, torna-se arma perigosa na dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e na manipula\u00e7\u00e3o das ideias convenientes. As redes sociais, sem que se percebesse, se tornaram vias explosivas, em particular porque municiam com embustes fatos e fabricam not\u00edcias reverenciadoras de acontecimentos duvidosos. As chamadas <em>fake news<\/em> tornaram-se donas das \u201cnot\u00edcias\u201d e passaram a se valer da inoc\u00eancia, ou excesso de credibilidade, dos menos cr\u00edticos e virou recurso difusor. N\u00e3o bastassem as informa\u00e7\u00f5es difamat\u00f3rias, mais recentemente despontaram as <em>fake fictions<\/em>, seriados supostamente documentados que remetem a situa\u00e7\u00f5es maquiadas, dando \u00e0s supostas tramas impress\u00f5es continuadas, com come\u00e7o, meio e fim (ah! Os fins s\u00e3o sempre os esperados). O tal \u00f3dio chique, ent\u00e3o, ganha voca\u00e7\u00e3o legend\u00e1ria e se alimenta da reposi\u00e7\u00e3o de casos.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que a direita tem mais campo de a\u00e7\u00e3o nessa fa\u00e7anha. Como detentores de programas computacionais potentes, com o dom\u00ednio das f\u00f3rmulas decis\u00f3rias e de propaga\u00e7\u00e3o, tudo aliado a um p\u00fablico sem preocupa\u00e7\u00e3o com o ju\u00edzo ou veracidade, faz com que os opositores, no m\u00e1ximo, consigam desmentidos. Ali\u00e1s, essa estrat\u00e9gia tem funcionado, pois, mediante a magnitude dos fatos inventados, torna-se praticamente imposs\u00edvel erguer oposi\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o basta tamb\u00e9m detectar o problema. Os exemplos clamam por disputas de esclarecimentos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Fake-news.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15730\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Fake-news.jpg\" alt=\"Fake news\" width=\"318\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Fake-news.jpg 318w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Fake-news-300x150.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tomemos como par\u00e2metro o caso Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, assassinada brutalmente, em pleno exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Nem \u00e9 preciso come\u00e7ar pela incapacidade da pol\u00edcia na elucida\u00e7\u00e3o do crime. Em todos os n\u00edveis, a per\u00edcia tem se revelado incompetente. Al\u00e9m de ser constrangedor, preside o \u201cdeixa disso\u201d. O conte\u00fado das mensagens a favor do silenciamento do caso v\u00e3o desde a \u201cmudan\u00e7a de assunto\u201d at\u00e9 as campanhas contra os bandidos sociais eleitos como contraste. H\u00e1, por\u00e9m, um argumento ainda mais venenoso: o novo \u201carregramento jur\u00eddico\u201d. Ter sido ou n\u00e3o, \u201ccrime pol\u00edtico\u201d \u00e9 defini\u00e7\u00e3o vital para a qualifica\u00e7\u00e3o dos perpetradores. O inaceit\u00e1vel \u201ccrime comum\u201d \u00e9 dos mais graves acintes \u00e0 norma jur\u00eddica. Lembrando que o tema foi abordado, em termos filos\u00f3ficos por Hannah Arendt, fica claro que qualquer ato contra algu\u00e9m em situa\u00e7\u00e3o de defesa de mandatos de representatividade \u00e9 sim pass\u00edvel de diferencia\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es ditas corriqueiras. Desqualificar o assassinato da eleita, mulher, negra, l\u00e9sbica, favelada, em favor da inscri\u00e7\u00e3o em atos que se banalizam, infelizmente, \u00e9 mais uma ofensa ao Legislativo. Equiparar sua morte a de soldados ou de outros civis, brancos ou n\u00e3o, \u00e9 simplificar tudo e debelar as fronteiras entre a representatividade pol\u00edtica e o direito cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Marielle-presente-recortada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-15691\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Marielle-presente-recortada-450x299.jpg\" alt=\"Plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados durante sess\u00e3o n\u00e3o deliberativa solene em homenagem \u00e0 vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e seu motorista, Anderson Gomes, assassinados no Rio de Janeiro. Segurando girass\u00f3is, parlamentares do PSOL, PT, PSB e militantes dos direitos humanos marcharam desde a taquigrafia at\u00e9 o plen\u00e1rio da C\u00e2mara, onde acompanharam a sess\u00e3o solene no plen\u00e1rio. Uma grande faixa preta com os dizeres &quot;Marielle, presente! Anderson, presente! Transformar luto em luta!&quot; foi estendida em frente a mesa de trabalhos. Faixa: &quot;Marielle presente, hoje e sempre&quot;. Foto: Geraldo Magela\/Ag\u00eancia Senado\" width=\"450\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Marielle-presente-recortada-450x299.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Marielle-presente-recortada-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Marielle-presente-recortada.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os efeitos do \u201c\u00f3dio chique\u201d atuam exatamente na seara do \u201cdeixa disso\u201d, do \u201ccansei\u201d, ou do \u201c\u00e9 tudo igual\u201d. \u00c9 f\u00e1cil identificar quem maneja as opini\u00f5es e os incautos que as divulgam e depois prop\u00f5em esquecimento. Curiosamente, n\u00e3o foram as oposi\u00e7\u00f5es que mais alardearam contra as <em>fake news<\/em> difamat\u00f3rias da promissora mo\u00e7a morta. Como que vingan\u00e7a de tantos absurdos, quase que instintivamente, como tomando consci\u00eancia, segmentos insistem no protesto e grita: Marielle vive, est\u00e1 presente, exige resposta e se coloca como alerta. N\u00e3o cabe \u201celeg\u00e2ncia\u201d quando o direito representativo \u00e9 atingido em sua ess\u00eancia. \u00c9 sim \u201ccrime pol\u00edtico\u201d e queremos saber quem a matou.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Mestre JC Sebe Bom Meihy<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><em>PS. Depois de escrita a cr\u00f4nica notei a aproxima\u00e7\u00e3o entre a palavra \u201c\u00f3dio\u201d e \u201code\u201d. Ironia vern\u00e1cula, apenas isso.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi o jornalista Elio Gaspari quem cunhou o termo \u201c\u00f3dio chique\u201d. Antes, em ingl\u00eas, falava-se em nowadays hate. 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