{"id":15634,"date":"2018-03-13T15:51:31","date_gmt":"2018-03-13T18:51:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15634"},"modified":"2018-03-13T15:51:31","modified_gmt":"2018-03-13T18:51:31","slug":"o-velhinho-e-a-bicicleta-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-velhinho-e-a-bicicleta-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"O velhinho e a bicicleta (Mestre JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Antes de nada mais, conv\u00e9m alertar que n\u00e3o estou usando o termo \u201cvelhinho\u201d de maneira pejorativa. N\u00e3o. Refiro-me a mim mesmo desta forma exaltando, por exemplo, a beleza da refer\u00eancia \u00e0s velhas guardas das escolas de samba, ao valor garantido pelo ouro velho, ou mais que tudo para a simbologia das velhas amizades. Na mesma linha, posso garantir que n\u00e3o visto a fantasia t\u00e3o cara a quem quer converter o envelhecimento em \u201cmelhor idade\u201d, como se envelhecer fosse uma del\u00edcia. Minha reflex\u00e3o, ali\u00e1s, decorre exatamente do aborrecimento determinado pela passagem do tempo. H\u00e1 uns 15 anos n\u00e3o dirijo. Al\u00e9m de n\u00e3o gostar do manejo de m\u00e1quinas em geral, prefiro ler, dormir, conversar empenhadamente, do que ficar nas ruas ou estradas com a dire\u00e7\u00e3o na m\u00e3o e concentrado nos poss\u00edveis perigos, sinais, avisos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Fernanda-Beth-e-N-Sargento.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15635\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Fernanda-Beth-e-N-Sargento-450x375.jpg\" alt=\"Fernanda, Beth e N Sargento\" width=\"450\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Fernanda-Beth-e-N-Sargento-450x375.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Fernanda-Beth-e-N-Sargento-300x250.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Fernanda-Beth-e-N-Sargento.jpg 576w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<em><strong>N\u00e3o confundir com a Velha Guarda Beth Carvalho, Nelson Sargento e Fernanda Montenegro<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Aconteceu, por\u00e9m de eu ganhar uma bolsa para escrever um ensaio em universidade norte-americana, precisamente em Stanford na Calif\u00f3rnia. Os campi universit\u00e1rios dos Estados Unidos, em termos de localiza\u00e7\u00e3o, obedecem a tr\u00eas possibilidades: ou s\u00e3o situados em cidades e se integram \u00e0 paisagem urbana, ou ficam em beira de estradas movimentadas que, afinal, facilitam o acesso, ou se isolam em locais remotos, como fazendas long\u00ednquas com o fito mesmo de tornar os estudos o centro das aten\u00e7\u00f5es. Stanford se coloca nesse \u00faltimo modelo. Sabedor disso por j\u00e1 ter morado aqui, tratei de refazer minha habilita\u00e7\u00e3o, pois queria ter liberdade de movimento. Por si s\u00f3 isso me foi uma aventura completa. Morador de Taubat\u00e9, com pouco tempo para resolver a quest\u00e3o, precisei refazer minha carta l\u00e1. Aprender as novas regras, me submeter a exames gerais foi uma volta no tempo e um desafio \u00e0 minha capacidade de atualiza\u00e7\u00e3o. A tal \u201cdire\u00e7\u00e3o defensiva\u201d simplesmente n\u00e3o existia e nem os alertas de primeiros socorros. Enfim, a despeito de mim mesmo, consegui tudo a tempo.<\/p>\n<p>Estando na Calif\u00f3rnia, contudo, alojado no magn\u00edfico campus, achei que seria in\u00fatil alugar um autom\u00f3vel. Para satisfa\u00e7\u00e3o geral de todos, mesmo tempo habilita\u00e7\u00e3o para carros, optei por uma bicicleta e se fosse o caso pelas facilidades do uber. As dist\u00e2ncias entre diferentes pontos no campus justificam de sobra a locomo\u00e7\u00e3o por pedaladas, e a exist\u00eancia de um posto para aluguel na pr\u00f3pria universidade explica muito dessa pr\u00e1tica. Foi assim que busquei informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas sobre como me tornar um ciclista. A primeira surpresa decorreu do custo, quase igual ao de autom\u00f3vel. Depois, ainda mais espantosos, vinham os detalhes complementares com os devidos acr\u00e9scimos: o obrigat\u00f3rio uso do capacete; com cesta \u00fanica ou dupla; com far\u00f3is dianteiros e traseiros; com cadeado; com adesivos para ilumina\u00e7\u00e3o noturna. Enfim, uma parafern\u00e1lia insuspeitada. Aconteceu de estar em meio a tantas escolhas quando um outro professor estrangeiro vinha reportar ao dono que n\u00e3o achava a bicicleta. Sem saber onde tinha estacionado, contava ele que fazia tr\u00eas dias que procurava, sem sucesso pela mesma. Conhecendo minha cl\u00e1ssica distra\u00e7\u00e3o para situa\u00e7\u00f5es como essa, fiquei gelado e, mesmo tendo gastado muito tempo fazendo as escolhas, desculpei-me com o atendente e pedi mais um dia para medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Velhos-recortada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15636\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Velhos-recortada.jpg\" alt=\"Velhos recortada\" width=\"388\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Velhos-recortada.jpg 388w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Velhos-recortada-279x300.jpg 279w\" sizes=\"auto, (max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Uma das raz\u00f5es do esquecimento do Mestre Sebe: excesso de idosos e bikes<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 De in\u00edcio fiz tudo a p\u00e9. O frio, o peso do material transportado e o cansa\u00e7o, contudo, me convenceram que valia a pena correr o risco do pedal, e l\u00e1 fui de volta \u00e0 bicicletaria. Ao explicar meu temor para o gentil rapaz, soube de mais um apetrecho que poderia me salvar, uma chave que se comunica com a campainha e que acionada toca avisando do lugar do ve\u00edculo, no estacionamento.<\/p>\n<p>Nos primeiros dias deu certo ocorreu, por\u00e9m, de eu perder a chave e, claro, n\u00e3o saber onde havia deixado a tal bike. Resolvi esperar at\u00e9 o final do dia para ver se todos os vizinhos de estacionamento retirariam as suas. N\u00e3o contava com as aulas da noite e foi em v\u00e3o meu esfor\u00e7o. Com o avan\u00e7o das horas, n\u00e3o me restou outra coisa que falar com o pessoal da bicicletaria. A decep\u00e7\u00e3o veio com a porta fechada. Ir a pol\u00edcia do campus foi bem embara\u00e7oso, pois nessa altura da vida, revelar tal perip\u00e9cia me parecia algo humilhante. Atencioso, o policial experimentado solicitou que eu refizesse o caminho desde minha casa, e numa viatura, facilmente me levou ao local onde estava a tranquila bicicleta. O que aprendi desta li\u00e7\u00e3o? Em primeiro lugar que n\u00e3o posso mesmo confiar em minha mem\u00f3ria; em segundo que saber da chave n\u00e3o era suficiente para garantir o paradeiro da bicicleta, e por terceiro que neste exato momento n\u00e3o sei onde est\u00e1 a bicicleta e novamente me aflijo com a chave desaparecida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de nada mais, conv\u00e9m alertar que n\u00e3o estou usando o termo \u201cvelhinho\u201d de maneira pejorativa. N\u00e3o. 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