{"id":15629,"date":"2018-03-08T17:15:37","date_gmt":"2018-03-08T20:15:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15629"},"modified":"2018-03-08T17:15:37","modified_gmt":"2018-03-08T20:15:37","slug":"uma-aula-de-dorival-caymmi-aquiles-do-mpb4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/uma-aula-de-dorival-caymmi-aquiles-do-mpb4\/","title":{"rendered":"Uma aula de Dorival Caymmi (Aquiles do MPB4)"},"content":{"rendered":"<p>Tenho nas m\u00e3os um CD daqueles que, mesmo antes de ouvir, temos certeza de que \u00e9 o m\u00e1ximo: <em>Dorival <\/em>(Pau Brasil). S\u00f3 pelo fato de sabermos que nele est\u00e3o registradas dez m\u00fasicas do grande Dorival Caymmi (apenas uma em parceria com Carlos Guinle), amplia a garantia de que estamos prestes a entrar num mundo definitivamente criativo.<\/p>\n<p>Mas, conhecidos os nomes dos quatro instrumentistas que se entregaram ao trabalho, faz com que tenhamos a certeza de que estamos pr\u00f3ximos de ouvir as can\u00e7\u00f5es de um compositor que resumiu em can\u00e7\u00f5es a picardia da Bahia de Todos os Santos \u2013 Dorival Caymmi, ele mesmo (quase) um santo pag\u00e3o a merecer rezas contritas e celebra\u00e7\u00f5es festivas.<\/p>\n<p>Saquem as quatro feras que se uniram para gravar <em>Dorival<\/em>, o CD: Tutty Moreno (bateria), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Andr\u00e9 Mehmari (piano) e Nailor Proveta (saxofone e clarinete). \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 de lascar o cano?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Disco-Dorival.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15630\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Disco-Dorival-450x288.png\" alt=\"Disco-Dorival\" width=\"450\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Disco-Dorival-450x288.png 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Disco-Dorival-300x192.png 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Disco-Dorival.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Eis as quatro feras que gravaram <\/strong><\/em>Dorival<\/p>\n<p>Pois bem, ap\u00f3s tantas, digamos, pr\u00e9-certezas, finalmente iniciei as in\u00fameras audi\u00e7\u00f5es das can\u00e7\u00f5es, com seus respectivos arranjos, todos eles, sem exce\u00e7\u00f5es \u2013 eu disse <em>todos<\/em>! \u2013, instigantes, contempor\u00e2neos e regiamente tocados.<\/p>\n<p>Logo de cara, \u201cDora\u201d. A condu\u00e7\u00e3o da melodia est\u00e1 a cargo do piano de Mehmari, e n\u00e3o s\u00f3 a melodia, como tamb\u00e9m os compassos da mais pura improvisa\u00e7\u00e3o da brasilidade harm\u00f4nica de Dorival.<\/p>\n<p>A bateria tem a marca registrada de Tutty: a sabedoria de que h\u00e1 hora de ir aos pratos, assim como h\u00e1 hora em que as baquetas devem ficar quase no limite do toque nas outras pe\u00e7as do instrumento \u2013 isso tem nome e sobrenome: t\u00e9cnica, sentimento.<\/p>\n<p>A qualidade do som que Stroeter tira do contrabaixo empolga \u2013 \u00e9 \u201ccheio\u201d, pleno de interven\u00e7\u00f5es sentidas primeiro no cora\u00e7\u00e3o, para s\u00f3 ent\u00e3o repass\u00e1-las \u00e0s cordas. Seu toque \u00e9 sutil, e \u00e9 assim que ele agrega ritmo ao piano e at\u00e9 mesmo \u00e0 bateria. Seus improvisos t\u00eam a for\u00e7a de seu peso multiplicado pelo n\u00famero de compassos aos quais se dedica, fazendo-os pulsar em sons graves.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o tantos assim os compassos que cabem a Proveta&#8230; mas ele faz uso primoroso deles. A certeza de que tem a palheta de seu instrumento na ponta da l\u00edngua permite que os improvisos venham sempre carregados de desenhos certeiros.<\/p>\n<p>Mas, logo a seguir, em \u201cMilagre\u201d, (quase) tudo muda: Mehmari puxa a intro. Proveta se achega, assim como Stroeter. A melodia vem com Proveta. Tutty diz \u201cpresente\u201d! E os quatro seguem fazendo brotar a raiz musical plantada por Dorival.<\/p>\n<p>\u201cSamba da Minha Terra\u201d inicia com um di\u00e1logo entre piano e clarinete. \u201cEnlouquecidos\u201d, eles \u201cbrincam\u201d de fazer soar juntas as notas soltas de seus instrumentos. Enfim, dando pinta de que a \u201cloucura\u201d findaria na intro, os dois se lan\u00e7am \u00e0&#8230; melodia. Meu Deus! O resultado \u00e9 uma rara reativa\u00e7\u00e3o do samba composto por Dorival em 1937 \u2013 reinven\u00e7\u00e3o da inesgot\u00e1vel obra-prima.<\/p>\n<p>E como virtuosos instrumentistas e amigos de longa data que s\u00e3o, debru\u00e7ando-se sobre uma obra preciosa, tocando-a com o que t\u00eam de bom e de melhor, redescobriram as can\u00e7\u00f5es de Dorival Caymmi.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Aquiles Rique Reis<\/em><\/strong><em>, vocalista do MPB4<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho nas m\u00e3os um CD daqueles que, mesmo antes de ouvir, temos certeza de que \u00e9 o m\u00e1ximo: Dorival (Pau Brasil). 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