{"id":15544,"date":"2018-02-19T18:39:02","date_gmt":"2018-02-19T21:39:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15544"},"modified":"2018-02-19T18:39:39","modified_gmt":"2018-02-19T21:39:39","slug":"cinco-historias-de-vida-mestre-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/cinco-historias-de-vida-mestre-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Cinco hist\u00f3rias de vida (Mestre JC Sebe Bom Meihy*)"},"content":{"rendered":"<p>Como contador de casos, resolvi fazer uma pequena antologia de situa\u00e7\u00f5es que mais me marcaram. \u00c9 dif\u00edcil separar fic\u00e7\u00e3o de realidade e, bem sei, muita gente j\u00e1 se derrotou no esfor\u00e7o definidor de fronteiras entre o real e o imagin\u00e1rio. <!--more-->A fim de simplificar tudo, optei por me valer do conceito provis\u00f3rio de \u201chist\u00f3rias referenciadas\u201d. Certamente os especialistas em narrativas ir\u00e3o me execrar, mas enquanto isso n\u00e3o ocorre me parece v\u00e1lida a tentativa de dize-las.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria 1<\/strong><\/p>\n<p>Fui roubado certa feita. Havia chegado ao Rio de Janeiro e, como sempre, sentia entusiasmo por estar na \u201ccidade maravilhosa\u201d. Era noite e sa\u00ed no encal\u00e7o de um restaurante. Havia dado poucos passos na dire\u00e7\u00e3o da praia quando avistei um casal de namorados trocando beijos. Enquanto felicitava a cena, ao passar por eles, fui puxado e&#8230; O rapaz, o namorado, pegou-me forte pelo bra\u00e7o e exigiu que lhe entregasse tudo. Naqueles dias n\u00e3o existia celular e ent\u00e3o foi s\u00f3 a carteira. Fiquei aturdido, mas calmo e apenas pedi a foto de minha m\u00e3e. De nada adiantou minha suplica. Voltei imediatamente, com fome, sem documentos e triste, pois aquele era o \u00fanico registro que tinha do rosto materno. Enfim, consolei-me: v\u00e3o-se os an\u00e9is, mas ficam os dedos. Surpresa absoluta, no outro dia, na portaria estava a minha espera o aludido retrato com um bilhete do lar\u00e1pio \u201cdevolvo a foto de sua m\u00e3e e seus documentos, boa sorte\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Batedor-de-carteira.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15545\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Batedor-de-carteira-450x218.png\" alt=\"Batedor de carteira\" width=\"450\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Batedor-de-carteira-450x218.png 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Batedor-de-carteira-300x145.png 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Batedor-de-carteira.png 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>V\u00e3o-se os an\u00e9is, mas ficam os dedos<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria 2<\/strong><\/p>\n<p>Convidado para uma apresenta\u00e7\u00e3o em Aracaju, Sergipe, estendi a estada para mais alguns dias a fim de ver uma famosa vaquejada na cidade de Porto da Folha, distante cerca de 4 horas de carro. Ao chegar soube de uma ilha onde os ind\u00edgenas Xoc\u00f3, isolados em sua aldeia, recondicionam a pr\u00f3pria cultura. Resolvi conhecer aquela experi\u00eancia comunit\u00e1ria. Cerca de meia hora de barco pelo Velho Chico, tive oportunidade de me sentar ao lado de um ind\u00edgena que carregava uma galinha e um galo. Quis saber porque e ent\u00e3o ouvi que n\u00e3o mataria os animais e que nem era pelo ovo. Atento, ele disse que era pela beleza daquelas duas aves pouco conhecidas deles. De repente me vi olhando para a galinha e para o galo e notei suas penas brilhando, os movimentos diferenciados permitidos pela mobilidade de seus pesco\u00e7os. Frente a isso me perguntei dos crit\u00e9rios de beleza de minha cultura, e achei os ind\u00edgenas mais civilizados e com olhar est\u00e9tico mais agu\u00e7ado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15547\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco-450x253.jpg\" alt=\"Cariri xoco\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco-450x253.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco-750x420.jpg 750w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cariri-xoco.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Ind\u00edgenas Xoc\u00f3, \u00e0s margens do Velho Chico<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria 3 <\/strong><\/p>\n<p>Certa feita, gravando entrevistas sobre \u201crituais de passagem\u201d, ouvi uma hist\u00f3ria que chama minha aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje. Era um garoto suburbano, moleque feio, com muita espinha rosto afora, pobre, solit\u00e1rio, sempre maltrapilho. Sentados ao acaso em banco de pra\u00e7a no interior mineiro, come\u00e7amos a conversar e tive que responder a ele explicando que era pesquisador e me interessava pelas narrativas sobre \u201cprimeira vez\u201d. Troquei em mi\u00fados at\u00e9 me fazer entender. Como resposta, ele contou o caso do primeiro beijo que dera na mo\u00e7a mais cobi\u00e7ada da regi\u00e3o. Por bonita, era bastante disputada, e famosa por rejeitar os bons partidos, \u201cmuito das granfas\u201d resumia. Um dia, ao entregar garrafa de \u00e1gua em sua casa, ele foi recebido por ela que, por iniciativa pr\u00f3pria, o convidou para entrar e, no vazio da casa vazia, o beijou por muito tempo. Ele que nunca havia experimentado algo parecido agradecia a escolha e o carinho da mo\u00e7a que nunca mais sequer o cumprimentou. Ele tamb\u00e9m lhe era grato, mas garantiu que n\u00e3o houve paix\u00e3o \u201cfoi s\u00f3 gostosura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/primeiro-beijo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15548\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/primeiro-beijo-450x281.jpg\" alt=\"primeiro-beijo\" width=\"450\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/primeiro-beijo-450x281.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/primeiro-beijo-300x188.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/primeiro-beijo-768x480.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/primeiro-beijo.jpg 832w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Gostosura do primeiro beijo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria 4<\/strong><\/p>\n<p>Franzina e silenciosa, de alguma maneira ela chamava a aten\u00e7\u00e3o das colegas de classe. Sempre nos intervalos das aulas lia, interessad\u00edssima, para si mesma cartas recebidas. A repeti\u00e7\u00e3o do gesto fez com que a imagem da leitora inquietasse a rotina geral. Um dia, portanto, foram-lhes cobradas explica\u00e7\u00f5es. Como abelha rainha, ent\u00e3o, cheia de si, prometeu trazer a pequena cole\u00e7\u00e3o de envelopes com seus conte\u00fados amorosos. No outro dia, como prometido, apresentou dezenas de cartas devidamente seladas. Leu algumas sorteadas e a revela\u00e7\u00e3o de um amor incontido chamou a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o escapou, por\u00e9m, a identifica\u00e7\u00e3o da letra pela qual se viu que ela mesma enviava para si. Descoberta, n\u00e3o voltou mais \u00e0 sala. E mudou de escola.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/menina-mentirosa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15549\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/menina-mentirosa-450x343.jpg\" alt=\"menina mentirosa\" width=\"450\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/menina-mentirosa-450x343.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/menina-mentirosa-300x229.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/menina-mentirosa.jpg 590w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mentira tem perna curta<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria 5<\/strong><\/p>\n<p>Na cidade pequena, no interior de S\u00e3o Paulo, suic\u00eddio era assunto para semanas. Aquele, por\u00e9m, demorou mais. Uma jovem, de fora da cidade, no dia dos namorados, foi ao cemit\u00e9rio local e ingeriu dose fatal de veneno de rato. Na solid\u00e3o da tarde que morria, ela veio a falecer sozinha. Rumores se multiplicavam e a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es fermentava a imagina\u00e7\u00e3o coletiva. Hist\u00f3rias se multiplicaram: amor n\u00e3o correspondido, doen\u00e7a grave, alguma viol\u00eancia sem paga, enfim, muito foi aventado at\u00e9 que, dias depois, algu\u00e9m encontrou uma bolsa ca\u00edda entre dois bancos da igreja ao lado, e nela uma folha dobrada, com uma \u00fanica palavra: \u201ccansei\u201d.<a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Bilhete.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cansei.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15552\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cansei-450x254.jpg\" alt=\"Cansei\" width=\"450\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cansei-450x254.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cansei-300x169.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Cansei.jpg 621w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Explica\u00e7\u00e3o com uma \u00fanica palavra&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como contador de casos, resolvi fazer uma pequena antologia de situa\u00e7\u00f5es que mais me marcaram. \u00c9 dif\u00edcil separar fic\u00e7\u00e3o de realidade e, bem sei, muita &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15548,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15544"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15554,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15544\/revisions\/15554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}