{"id":15485,"date":"2018-01-23T17:25:41","date_gmt":"2018-01-23T20:25:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15485"},"modified":"2018-01-23T17:26:28","modified_gmt":"2018-01-23T20:26:28","slug":"meditacoes-sobre-a-corrupcao-mestre-jc-sebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/meditacoes-sobre-a-corrupcao-mestre-jc-sebe\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00f5es sobre a corrup\u00e7\u00e3o (Mestre JC Sebe)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00c0s v\u00e9speras do julgamento do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, mestre Sebe faz reflex\u00f5es a respeito da palavra mais proferida em 2017<\/strong><\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o foi surpresa saber que a palavra mais proferida, em todas as m\u00eddias, no ano de 2017 foi \u201ccorrup\u00e7\u00e3o\u201d. Como efeito natural que nos envolve e atinge, entendemos mecanicamente o que ela \u00e9 o quanto nos custa. Decorr\u00eancia imediata de intui\u00e7\u00f5es defensivas, sequer questionamos significados mais profundos, e nem nos preocupamos com defini\u00e7\u00f5es e conceitos. Ato ilegal, quadrilheiro, danoso a todos e, pronto, temos pressupostos que nos permitem rejei\u00e7\u00f5es cabais. E n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio grande exerc\u00edcio para notar que esse mal dissimulado fere tragicamente o bem-estar social, colocando os atingidos em situa\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos consequentes. Corruptos, contudo, sempre s\u00e3o \u201cos outros\u201d, \u201celes\u201d, \u2018pol\u00edticos\u201d, pessoas que, por contraste, n\u00e3o se igualam a gente. Tudo como se nada tiv\u00e9ssemos a ver com isso. Essa percep\u00e7\u00e3o que pode ser aquilatada em todos os quadrantes do universo, contudo, tem caracter\u00edsticas culturais peculiares, que requerem cuidados interpretativos segundo seus jeitos locais. N\u00e3o basta ser contra \u201celes\u201d, precisamos saber porque existem e como sobrevivem conosco.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Filhos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15488\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Filhos-450x326.jpg\" alt=\"Filhos\" width=\"450\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Filhos-450x326.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Filhos-300x217.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Filhos-768x556.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Filhos.jpg 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Especialistas no tema, em particular quando filtram an\u00e1lises pela \u00f3tica antropol\u00f3gica, notam variedades que ajudam entender o fen\u00f4meno e sua maior ou menor aceita\u00e7\u00e3o ou resist\u00eancia p\u00fablicas. Um passo importante na dire\u00e7\u00e3o de melhor ju\u00edzo sobre a corrup\u00e7\u00e3o implica, por exemplo, notar que ela \u00e9 mais incidente em pa\u00edses de origem cat\u00f3lica do que protestante. Segundo historiadores, o confession\u00e1rio, o perd\u00e3o e a remiss\u00e3o dos pecados, ajudam a toler\u00e2ncia. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que notam a hierarquia cat\u00f3lica como facilitadora de pr\u00e1ticas corrupt\u00edveis e, ao contr\u00e1rio, a responsabiliza\u00e7\u00e3o protestante como mecanismo de controle pessoal e p\u00fablico. Tamb\u00e9m \u00e9 notado que entre os orientais \u2013 em particular no Jap\u00e3o \u2013 a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 menos frequente e os casos descobertos resultam em grande vergonha p\u00fablica levando at\u00e9 a suic\u00eddios. Na mesma linha, \u00e9 sabido que em pa\u00edses escandinavos tem-se pouca not\u00edcia dessa pr\u00e1tica, fato que permite supor que em l\u00f3cus menos povoados e com m\u00e9dia econ\u00f4mica mais elevada tais situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase inexistentes. Lament\u00e1vel avaliar que a \u00c1frica e a Am\u00e9rica Latina se figuram como espa\u00e7os mais danosos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/compra-de-votos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15489\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/compra-de-votos.jpg\" alt=\"compra de votos\" width=\"329\" height=\"153\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/compra-de-votos.jpg 329w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/compra-de-votos-300x140.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A provar a amea\u00e7a da corrup\u00e7\u00e3o como um v\u00edrus letal e progressivo, de alcance ampliado desde o fim da Segunda Guerra, t\u00eam sido criadas entidades de alcance internacional, como a <em>Anti-Corruption Agency<\/em> (ACA) que visa p\u00f4r em evid\u00eancia o problema em escala internacional e assim promover combates. Sabe-se que muitas empresas europeias, de pa\u00edses como a Holanda, Su\u00ed\u00e7a, Fran\u00e7a ou Su\u00e9cia ainda que tenham controles internos, atuam de maneira sorrateira em outros estados, mais vulner\u00e1veis. A fim de disseminar o combate a corrup\u00e7\u00e3o internacional, anualmente \u00e9 publicado um relat\u00f3rio detalhando essas manifesta\u00e7\u00f5es escusas &#8211; o <em>Business Environment and Enterpriese Performance Survey<\/em> (BEEPS) &#8211; que \u00e9 complementado por outro programa o <em>Corrupt Perception Index<\/em> (CPI). Juntos esses s\u00e3o alguns dos medidores internacionais que previnem e alertam sobre o mal. H\u00e1 outros mais que insistem em denunciar o crescimento do fen\u00f4meno sob a \u00e9gide da globaliza\u00e7\u00e3o, mas por mais que se multipliquem, ser\u00e3o poucos se n\u00e3o houver melhor compreens\u00e3o do fen\u00f4meno em suas culturas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15490\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo-450x450.jpg\" alt=\"De exemplo\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo-450x450.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo-80x80.jpg 80w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo-360x360.jpg 360w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/De-exemplo.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A maior dificuldade em se estabelecer um conceito-par\u00e2metro para a corrup\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es de cada local. Mesmo no Brasil, al\u00e9m de se reconhecer que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica, sabemos que nessa mania escandalosa se liga a pr\u00e1ticas como: compadrio, clientelismo, coronelismo e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es parentais modernamente chamadas de nepotismo. Antes de supor ligeiramente que tais h\u00e1bitos s\u00e3o superados, ou coisa do passado, conv\u00e9m admitir atualiza\u00e7\u00f5es e sua institucionalidades pol\u00edticas. A complicar precis\u00f5es definidoras, ainda presidem f\u00f3rmulas que excedem o exclusivismo do dinheiro como mecanismo de recompensa salteadoras. As premia\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias, barganhas de presentes, comprometimentos variados e promessas futuras integram o pesado pacote que sempre que descoberto vem acompanhado de justificativas sutis e falaciosas. No Brasil tornou-se comum a generaliza\u00e7\u00e3o das gra\u00e7as obtidas por meios il\u00edcitos da corrup\u00e7\u00e3o sintetizada no termo \u201cpropina\u201d e ligada a ajudas de campanhas pol\u00edticas, ou facilita\u00e7\u00e3o nas concorr\u00eancias p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Detalhes dessas ocorr\u00eancias, por\u00e9m merecem reflex\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do fato denunciado. Temos que lembrar que nos ufanamos de ser o \u201cpa\u00eds do jeitinho\u201d, da \u201ccordialidade\u201d e da \u201cdemocracia racial\u201d. A consci\u00eancia hist\u00f3rica desses mitos \u00e9 constru\u00edda para justificar uma pseudo toler\u00e2ncia e harmonia de classes que, afinal, reclama requalifica\u00e7\u00e3o. Queremos sim justi\u00e7a, mas mais do que ela, precisamos rever nossos ju\u00edzos sobre n\u00f3s mesmos e os usos levianos de atributos que vistos pela ordem republicana causam avarias irrepar\u00e1veis. O que se espera destas situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas \u00e9 que olhemos um pouco mais e melhor para nosso passado hist\u00f3rico e requalifiquemos o que significa para n\u00f3s no Brasil, corrup\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o basta pensar que solu\u00e7\u00f5es advenham de governos autorit\u00e1rios ou de novas elei\u00e7\u00f5es. Muito mais do que isso, temos que requalificar nossa hist\u00f3ria e v\u00ea-la de maneira mais cr\u00edtica, menos bonitinha, engra\u00e7adinha, jeitosinha. Somos o que somos, temos o que temos porque assim nos fizemos historicamente. Conhe\u00e7amo-nos melhor e ponhamos um fim nos mitos jeitosinhos. A cordialidade tem limites e a corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed para provar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras do julgamento do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, mestre Sebe faz reflex\u00f5es a respeito da palavra mais proferida em 2017 N\u00e3o foi &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15490,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15485"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15491,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15485\/revisions\/15491"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}