{"id":15440,"date":"2017-12-13T09:12:12","date_gmt":"2017-12-13T12:12:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15440"},"modified":"2017-12-14T10:20:20","modified_gmt":"2017-12-14T13:20:20","slug":"cronica-do-nome-sem-nome-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/cronica-do-nome-sem-nome-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica do nome sem nome (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Como qualquer pessoa que vive no \u00e2mbito da cultura ocidental e aprendeu que a democracia, por pior que seja politicamente exercida, \u00e9 o melhor sistema de governo, sempre execrei a figura de Hitler. As dificuldades de estudos sobre o terr\u00edvel ditador ainda hoje me ocasionam bloqueios quase que insuper\u00e1veis. O mais complicado para mim, no entanto, sempre foi entender como as pe\u00e7as musicais de meu mais devotado autor de m\u00fasica erudita, Richard Wagner, tinha servido de base para que os pangermanistas formulassem a teoria da superioridade racial alem\u00e3. De toda forma, precisei superar os entraves para entender (e aceitar) que toda cultura \u00e9 constru\u00edda, e que no caso da m\u00fasica, tudo se complica, pois isso implica aceitar c\u00f3digos bem mais sutis do que os permitidos pela linguagem escrita, objetiva e de certa concretude.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Hitler.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15442\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Hitler.jpg\" alt=\"Hitler\" width=\"204\" height=\"248\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Rela\u00e7\u00e3o dos nazistas de Hitler com Wagner incomodou Sebe<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Foi assim que precisei dar alguma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 biografia de Wagner para ter alguma no\u00e7\u00e3o do papel social da m\u00fasica \u201ccl\u00e1ssica\u201d como elemento de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u00a0 Dessa maneira, cheguei a um teorema existencial profundo. Dentre tantas \u00f3peras, Lohengrin cont\u00e9m a chave de alguns enigmas ligados ao folclore germ\u00e2nico. Uma das passagens mais importantes revela o dilema da personagem Elza que n\u00e3o poderia fazer nunca perguntas, mas se via compelida a saber o significado de seu nome. Ali\u00e1s, toda hist\u00f3ria dessa \u00f3pera \u00e9 interessante.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15443\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner-450x450.jpg\" alt=\"Richard Wagner\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner-450x450.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner-80x80.jpg 80w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner-360x360.jpg 360w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Richard-Wagner.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Richard Wagner foi um dos maiores m\u00fasicos do s\u00e9culo XIX<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em 1845, contando com 32 anos, Wagner adoeceu e com s\u00e9rias complica\u00e7\u00f5es foi aconselhado a diminuir a rotina alucinante de cria\u00e7\u00e3o. Indo \u00e0s montanhas da Bo\u00eamia, numa regi\u00e3o termal, retomou o enredo de uma lenda onde um misterioso cavaleiro, sa\u00eddo das brumas, chega a um porto desconhecido, em um barco negro conduzido por um cisne branco. Espiritualmente tinha recebido a incumb\u00eancia de salvar uma donzela em perigo. Sem explica\u00e7\u00f5es se apaixona por ela, mas \u00e9 obrigado por uma for\u00e7a inexplic\u00e1vel a partir para sempre. \u00c9 quando ent\u00e3o ela relaciona seu nome ao destino. Em sua autobiografia Wagner conta como concebeu o enredo e narra \u201ceu tinha apenas entrado no banho termal, ao redor do meio-dia, quando o desejo irresist\u00edvel de musicar Lohengrin tornou a assaltar-me violentamente. Incapaz de transcorrer sequer mais um momento dentro da \u00e1gua, precipitei-me imediatamente para fora e, vestido sumariamente, corri como um louco para o meu quarto, para come\u00e7ar a escrever o esbo\u00e7o em prosa do poema que tinha em minha mente. Este fato se repetiu nos dias subsequentes at\u00e9 que, em tr\u00eas de agosto, a inteira narra\u00e7\u00e3o da nova \u00f3pera foi completada\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15444\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin-450x450.jpg\" alt=\"Lohengrin\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin-450x450.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin-80x80.jpg 80w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin-360x360.jpg 360w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Lohengrin.jpg 520w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pensando na hist\u00f3ria de Elza, me veio \u00e0 cabe\u00e7a o sentido do questionamento sobre nossos nomes. Retomei tamb\u00e9m a consequ\u00eancia da escolha de nomes de nossos filhos. \u00c9 muito s\u00e9rio pensar no peso disso, pois para sempre a pessoa batizada passar\u00e1 a ser designada dessa forma. Em paralelo, conclui que a melhor escolha, no mundo moderno, remete a nomes que podem ser reconhecidos em qualquer idioma como Daniel ou Marta, por exemplo. Seria mais complicado se fosse Antonio. Antonio: com acento? Mas qual, agudo, Circunflexo? E exigiria tradu\u00e7\u00e3o e at\u00e9 apelido: Tom, Tony, Toninho&#8230; Seria ruim. Acho complicado tamb\u00e9m os nomes que evocam passagens triunfais como como J\u00falio C\u00e9sar ou Napole\u00e3o.<\/p>\n<p>Deve ser dif\u00edcil algu\u00e9m chamar Jesus, pensou? Para mim seria uma cruz ter esse nome. O mesmo se repete no feminino: Madalena, Dolores, Piedade&#8230; a evoca\u00e7\u00e3o de santos e santas tamb\u00e9m me perturba: Dimas, Domingos, Tadeu. Tereza, F\u00e1tima, C\u00e1ssia&#8230; Deus me livre. Sei que Jos\u00e9 e Maria s\u00e3o as denomina\u00e7\u00f5es mais comuns no Brasil, mas se pararmos para referendar significados, talvez, n\u00e3o fossemos t\u00e3o insistentes. O mesmo se diz no nordeste de C\u00edcero ou Dami\u00e3o, e entre os isl\u00e2micos Mohamed. Pode ser duro aceitar, mas carregar a f\u00e9 de nossos pais \u00e9 coisa alheia ao nosso destino. N\u00e3o aprecio tamb\u00e9m as moderniza\u00e7\u00f5es do tipo Cau\u00e3 ou Kenzo, para meninos e Jacqueline ou Michele para as garotas. Por certo devo ser comedido pois quantos queridos assim s\u00e3o chamados.<\/p>\n<p>Creio que me seria suport\u00e1vel nomes cl\u00e1ssicos como: Heitor, Ulisses, Hermes. O fardo n\u00e3o me seria insuport\u00e1vel se a mem\u00f3ria refrescada de alguns anjos, querubins \u2013 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Serafim \u2013 me servissem. Gabriel, Miguel ou Davi estariam de bom tamanho. H\u00e1 santos ou her\u00f3is aceit\u00e1veis: Tom\u00e1s, Tiago, Jer\u00f4nimo, mas a maioria \u00e9 estranha ou mesmo posti\u00e7a. Interessantes tamb\u00e9m s\u00e3o algumas tradi\u00e7\u00f5es que, contudo, n\u00e3o cabem mais e soam engra\u00e7adas. Chego e me encantar, por exemplo, com a tradi\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica que chamava as mulheres de Hillary, Melody, Happiness, ou ainda mais sutil Prudence ou Liberty.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Casa-reduzida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15447\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Casa-reduzida-304x450.jpg\" alt=\"Casa reduzida\" width=\"304\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Casa-reduzida-304x450.jpg 304w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Casa-reduzida-203x300.jpg 203w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Casa-reduzida.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/><\/a><em><strong>Casa onde nasceu Richard Wagner<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Tudo isso decorreu da instiga\u00e7\u00e3o dada por Wagner. \u00c9 bom que pare por aqui, pois acho que o mesmo destino que levou Lohengrin a desaparecer pode significar o fim desta cr\u00f4nica que n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o e nos deixa como Elza, sem resposta. Ali\u00e1s, como ela, n\u00e3o dever\u00edamos perguntar nada a quem nos deu a vida&#8230; e o nome&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como qualquer pessoa que vive no \u00e2mbito da cultura ocidental e aprendeu que a democracia, por pior que seja politicamente exercida, \u00e9 o melhor sistema &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15440","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15440"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15440\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15450,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15440\/revisions\/15450"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}