{"id":15102,"date":"2017-09-26T10:16:54","date_gmt":"2017-09-26T13:16:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=15102"},"modified":"2017-09-26T10:19:24","modified_gmt":"2017-09-26T13:19:24","slug":"caipira-ser-ou-nao-ser-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/caipira-ser-ou-nao-ser-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"CAIPIRA: SER OU N\u00c3O SER&#8230; (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Pois \u00e9!&#8230; de repente estive implicado em uma pol\u00eamica danada. Antes de historiar o caso, deixem-me evocar raz\u00f5es que explicam o contexto<\/strong><\/em><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Participo de uma rede social com amigos, colegas, parceiros de minha gera\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma rede com o precioso nome \u201cTaubatherium\u201d que se tornou um ponto de reencontro que re\u00fane cerca de 70 (ex-jovens), pessoas que viveram seus dias de mocidade no interior do estado de S\u00e3o Paulo, na aconchegante, mas complexa cidade que, afinal, como diria Olavo Bilac \u00e9 um <em>mezzo del camin<\/em>. Situada entre as ondas da orla \u201cubatubana\u201d e curvas serranas que determinam um vale; entre a capital S\u00e3o Paulo e a fronteira com o estado do Rio de Janeiro, est\u00e1 a comunidade que \u00e9 reverenciada como nossa eterna capital sentimental, para\u00edso achado na mem\u00f3ria de um recorte geracional. \u00c9 \u00f3bvio que o poeta no soneto precioso que evoca o meio do caminho, entre o nascimento e a amea\u00e7a da morte, se referia ao tempo tramitado da juventude \u00e0 velhice, das lembran\u00e7as id\u00edlicas ao triste decl\u00ednio et\u00e1rio. Junto aqui as duas coisas: o ponto m\u00e9dio geogr\u00e1fico e a passagem dos anos apontados para a fatalidade do futuro inexor\u00e1vel. E acrescento um fermento quase filos\u00f3fico: quem somos?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Lobato-e-Urupes-1918.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15104\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Lobato-e-Urupes-1918-450x218.jpg\" alt=\"Lobato e Urupes 1918\" width=\"450\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Lobato-e-Urupes-1918-450x218.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Lobato-e-Urupes-1918-300x145.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Lobato-e-Urupes-1918.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Urup\u00eas foi o primeiro livro de contos de Lobato, em 1918<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Faz parte do sistema identit\u00e1rio de qualquer taubateano um d\u00fabio sentimento que tramita entre o orgulho e a vergonha. Ser taubateano centraliza um dilema ampliado que Shakespeare teatralizaria como \u201cser ou n\u00e3o ser caipira\u201d. O tema guarda complica\u00e7\u00f5es capazes de fomentar tratados, pois tanto pode ser positivo, motivo de orgulho, como pode humilhar interlocutores. \u00c9 verdade que experimentamos em escala maior a mesma ambiguidade ao deparar com conversas em que n\u00f3s mesmos, na intimidade de grupos, falamos mal do Brasil, mas se a refer\u00eancia resulta de estrangeiro, viramos o mais empedernido defensor da p\u00e1tria amada, m\u00e3e gentil. Com \u00edmpeto aproximado dessa polariza\u00e7\u00e3o, se reage frente ao termo \u201ccaipira\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Jeca-de-Mazzaroppi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15105\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Jeca-de-Mazzaroppi.jpg\" alt=\"Jeca de Mazzaroppi\" width=\"257\" height=\"196\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Amacio Mazzaropi encarnou o Jeca Tatu no cinema<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Diria que dois taubateanos deram a medida da discuss\u00e3o paroquial. Em uma ponta, Monteiro Lobato chamou os habitantes do entorno de \u201cpiolhos da serra\u201d, seres decadentes que n\u00e3o cantam, n\u00e3o lavram, doentes, parasitas que viveriam de c\u00f3coras. O termo se alastrou e ganhou brilho na medida em que Lobato se tornava personalidade p\u00fablica e \u00e9, at\u00e9 hoje, um dos dez autores mais conhecido da nossa literatura. Na outra ponta temos o bardo Renato Teixeira que assumiu \u2013 para gaudio geral \u2013 Taubat\u00e9 como sua sede sentimental. Ao dizer na antol\u00f3gica Romaria \u201csou caipira pirapora\u201d e saudar Nossa Senhora como padroeira, fica exibida a resposta aos detratores. E conv\u00e9m lembrar que Romaria \u00e9 uma das dez m\u00fasicas mais conhecidas do nosso farto repert\u00f3rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/RT-no-nuseu-Mazzaroppi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15106\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/RT-no-nuseu-Mazzaroppi-450x345.jpg\" alt=\"RT no nuseu Mazzaroppi\" width=\"450\" height=\"345\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/RT-no-nuseu-Mazzaroppi-450x345.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/RT-no-nuseu-Mazzaroppi-300x230.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/RT-no-nuseu-Mazzaroppi.jpg 692w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Renato Teixeira visita o Museu Mazzaropi, em janeiro de 2012<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Para quem est\u00e1 de fora, este \u00e9 um debate pode ser aquilatado como complementar, sem maiores consequ\u00eancias, mas, filtrado pela rede social de meus conterr\u00e2neos, virou debate candente, ponto de honra. C\u00e1 e l\u00e1, entre milhares de outros temas, volta a quest\u00e3o da \u201ccaipiridade\u201d. Ainda que discretamente, acompanho com aten\u00e7\u00e3o os temas filtrados por opini\u00f5es diversas. Foi assim que, na semana passada \u201crolou\u201d uma conversa sobre o assunto. Eu estava em Curitiba onde havia ido para encontros acad\u00eamicos. Ocorreu-me perguntar sobre a amplitude do termo caipira. Instigado por outros participantes do grupo, resolvi tirar uma prova do caso. Em reuni\u00e3o com cerca de cem alunos universit\u00e1rios, antes de minha apresenta\u00e7\u00e3o, perguntei para a plateia: seria aplic\u00e1vel ao estado do Paran\u00e1 o termo caipira? A plateia foi un\u00e2nime ao levantar bra\u00e7os. Em seguida, perguntei se algu\u00e9m se sentia caipira e&#8230; e&#8230; e, ningu\u00e9m se assumiu. Estava, ent\u00e3o, dado o sinal de largada para mais um mergulho identit\u00e1rio: que raio de perten\u00e7a temos? Caipira \u00e9 o outro, sempre? E o pessoal de Taubat\u00e9, tem que se definir caipira e ostentar sua condi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o seria um jeito enfrentar o mundo e exibir vigor no conte\u00fado da express\u00e3o? Pronto, est\u00e1 colocado o caso a um aprofundamento convidativo, a necess\u00e1ria voca\u00e7\u00e3o conceitual da cultura caipira.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Almeida-Jr-1893.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15103\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Almeida-Jr-1893-317x450.jpg\" alt=\"Almeida Jr 1893\" width=\"317\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Almeida-Jr-1893-317x450.jpg 317w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Almeida-Jr-1893-211x300.jpg 211w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Almeida-Jr-1893-768x1090.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Almeida-Jr-1893.jpg 1507w\" sizes=\"auto, (max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&#8220;Caipira picando fumo&#8221;, quadro de Almeida J\u00fanior, 1893, retrata o caipira branco<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00c9 claro que muitos autores importantes j\u00e1 trabalharam na caracteriza\u00e7\u00e3o do tema, mas falta ainda quem (re) coloque a quest\u00e3o a partir do ponto de vista local. Visto assim, pergunta-se do significado das institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisas que se situam em uma cidade que tem duas universidades, al\u00e9m de faculdades isoladas e muita gente falando sobre a mat\u00e9ria. Mas tamb\u00e9m, e de forma perempt\u00f3ria, indaga-se da comunidade em geral, pois, recobrando Bilac, \u00e9 preciso determinar qual nosso lugar no meio desse caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pois \u00e9!&#8230; de repente estive implicado em uma pol\u00eamica danada. 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