{"id":14974,"date":"2017-08-12T12:30:38","date_gmt":"2017-08-12T15:30:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14974"},"modified":"2017-08-12T12:30:38","modified_gmt":"2017-08-12T15:30:38","slug":"novos-pais-nova-etica-parental-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/novos-pais-nova-etica-parental-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"NOVOS PAIS, NOVA \u00c9TICA PARENTAL&#8230; (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00a0Para o cronista, abordar datas que se repetem na rotina dos calend\u00e1rios implica achar atalhos originais, esfor\u00e7o para n\u00e3o ser ma\u00e7ante ou repetitivo. Dizer algo que certifique a comemora\u00e7\u00e3o, mas que, ao mesmo tempo acrescente algo demanda cuidados. Uma das demandas remete \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es em datas redondas como 10, 20, 25, 30, 50, 75, 100 anos&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como se fossem apelos emocionais obrigat\u00f3rios, a retomada de certos eventos se presta a cultos que tanto servem para reafirmar como evidenciar equ\u00edvocos. Em um ou outro ponto, os anivers\u00e1rios se justificam para solidificar la\u00e7os pessoais, de grupos, religiosos ou civis, com voca\u00e7\u00e3o coletiva. Muito das constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias ou de comunidades se rende a tais rituais. Importante marca dessas cerim\u00f4nias se expressa pelo esfor\u00e7o de quebra de rotinas na essencializa\u00e7\u00e3o de fatos. Tudo como se houvesse permiss\u00e3o para acontecimentos do cotidiano se firmassem como fora da curva rotineira. Talvez, o mais expressivo exemplo disso seja o \u201cdia das m\u00e3es\u201d. O cotidiano materno, por certo e como tantas outras exalta\u00e7\u00f5es natal\u00edcias, se opera no dia a dia, mas a defini\u00e7\u00e3o de uma data \u201cespec\u00edfica\u201d ratifica e sublima o mito desse afeto inigual\u00e1vel. Por certo, o com\u00e9rcio se beneficia disso, e de igual monta se percebem cultos religiosos exaltando tradi\u00e7\u00f5es, algumas inventadas recentemente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Eu-amo-meu-pai.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14975\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Eu-amo-meu-pai.jpg\" alt=\"Eu amo meu pai\" width=\"318\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Eu-amo-meu-pai.jpg 318w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Eu-amo-meu-pai-300x150.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ainda que se pense que, por exemplo, o amor materno seja inquestion\u00e1vel e irrestrito, eterno e universal, sabe-se que sua inven\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais recente. Ali\u00e1s, conv\u00e9m lembrar que como qualquer sentimento, o amor \u2013 em todas as suas formas \u2013 n\u00e3o responde a posturas inata ou manifesta\u00e7\u00f5es determinadas biologicamente. Os sentimentos tamb\u00e9m t\u00eam hist\u00f3rias e \u00e9 suscet\u00edvel a condicionamentos culturais, segundo lapsos de tempo e circunst\u00e2ncias espaciais. Uma autora importante pela valentia, Elizabeth Badinter, por exemplo, escreveu um livro pol\u00eamico, daqueles que queimam mentes de leitores, questionando o \u201cmito do amor materno\u201d. Lembrando que houve \u00e9pocas, recentes mesmos, em que as crian\u00e7as depois de nascidas eram legadas \u00e0s criadas e retornavam aos seus lares com cinco anos de idade, tudo se tona explicativo de culturas e \u00e9pocas. A no\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia, na realidade, come\u00e7ou a mudar com a caracteriza\u00e7\u00e3o da burguesia, a partir do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Feliz-dia-dos-pais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14976\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Feliz-dia-dos-pais.jpg\" alt=\"Feliz dia dos pais\" width=\"225\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Feliz-dia-dos-pais.jpg 225w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Feliz-dia-dos-pais-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Feliz-dia-dos-pais-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Valendo-me do mesmo mote, fico imaginando o significado interno de reflex\u00f5es sobre a paternidade. Por certo, os livros religiosos e toda a literatura de um per\u00edodo, bem como a hist\u00f3ria, se rendem a releituras e interpreta\u00e7\u00f5es. No caso do cristianismo, a redefini\u00e7\u00e3o do papel familiar implicou a no\u00e7\u00e3o de Sagrada Fam\u00edlia para servir de norma forjadora de padr\u00f5es \u00fateis depois da revolu\u00e7\u00e3o industrial. A m\u00e3e, modelada pela Virgem Maria, seria sin\u00f4nimo de afeto invari\u00e1vel, comum a todas as mulheres. S\u00e3o Jos\u00e9, o bom senhor que serviu de pai, representaria o provedor, homem zeloso pela honra da mulher e sustento da casa. O filho \u2013 leia-se tamb\u00e9m no plural, \u201cos filhos\u201d \u2013 selaria a unidade que, afinal, \u00e9 a base de qualquer sociedade moderna e unidade econ\u00f4mica. Frente a precariedade de estudos hist\u00f3ricos que insistam na desconstru\u00e7\u00e3o de pressupostos fixos, persiste a resist\u00eancia de valores assumidos como inquestion\u00e1veis ou dogm\u00e1ticos. Valeria sim aprofundamentos hist\u00f3ricos na quest\u00e3o, mas, mesmo que \u00e0 flor d\u2019\u00e1gua, \u00e9 oportuno colocar alguns pontos que se mostram pertinentes a responder sobre o sentido da paternidade hoje.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pais-homoafetivos-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14977\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pais-homoafetivos-2.jpg\" alt=\"Pais homoafetivos 2\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Casal homoafetivo com seus tr\u00eas filhos<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em vez de simplesmente retocar os mesmos denodos exaltativos da paternidade, cabe inscrever alguns pontos fundamentais. Nos dias atuais, frente a emers\u00e3o transformadora do papel da mulher na sociedade, como ficam os papeis paternos? N\u00e3o apenas considerando os avan\u00e7os femininos e a decolagem feminista, mas levando-se em conta a relativiza\u00e7\u00e3o do papel do casamento, qual o peso das tradi\u00e7\u00f5es patriarcais que, queiramos ou n\u00e3o, ainda desafiam um padr\u00e3o de masculinidade? E a chamada revolu\u00e7\u00e3o sexual, com a flexibiliza\u00e7\u00e3o do binarismo homem\/mulher teria algum impacto no perfil paternal? Pensemos, a guisa de provoca\u00e7\u00e3o, nos casais homoafetivos e nas aberturas legais para ado\u00e7\u00f5es? Ser\u00e1 que o que se comemora como \u201cdia dos pais\u201d agora encerra o mesmo teor do passado recente? Ou que devamos aceitar o feminino tamb\u00e9m cab\u00edvel como paterno. Tenho amigas casadas, l\u00e9sbicas, e em um desses casos, um componente da unidade familiar quer festa e presente dos filhos, h\u00e1 como n\u00e3o respeitar?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pais-homoafetivos-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14978\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pais-homoafetivos-1.jpg\" alt=\"Pais homoafetivos 1\" width=\"290\" height=\"174\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Casal homoafetivo com com a filhinha<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece question\u00e1vel tamb\u00e9m pensar no significado da cole\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o dada ou permeada pelos pais. Suponhamos di\u00e1logos de pais e filhos sobre as orienta\u00e7\u00f5es sexuais em geral. Ou sobre o uso de drogas. Que tal falar de aborto com os filhos? Ou de rela\u00e7\u00f5es abertas? Sem uma nova \u00e9tica, atualizadora de di\u00e1logos n\u00e3o h\u00e1 como se pensar na paternidade al\u00e9m das festinhas e presentinhos tolos. Ser pai hoje requer capacidade de negocia\u00e7\u00e3o e valentia na discuss\u00e3o de papeis e fun\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas. Talvez, portanto, o melhor presente que se possa pensar para os pais modernos seja a veicula\u00e7\u00e3o de uma nova \u00e9tica.<\/p>\n<p>Feliz dia dos pais a quantos se dispuserem a pensar nos filhos sob os padr\u00f5es de hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Para o cronista, abordar datas que se repetem na rotina dos calend\u00e1rios implica achar atalhos originais, esfor\u00e7o para n\u00e3o ser ma\u00e7ante ou repetitivo. Dizer algo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14979,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14974","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14974"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14980,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14974\/revisions\/14980"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}