{"id":14867,"date":"2017-07-05T16:18:33","date_gmt":"2017-07-05T19:18:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14867"},"modified":"2017-07-05T16:18:33","modified_gmt":"2017-07-05T19:18:33","slug":"salvacao-por-leminski-j-c-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/salvacao-por-leminski-j-c-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Salva\u00e7\u00e3o por Leminski (J.C. Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00c0s quartas feira, quase sempre, reservo um tempo para me dedicar \u00e0s cr\u00f4nicas que escrevo, h\u00e1 cerca de doze anos. \u00c9 um compromisso moral, comigo mesmo, como se estivesse desenhando meu pr\u00f3prio perfil. (JC Bom Meihy)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 H\u00e1 poucos dias, retracei algo que depois surpreendeu at\u00e9 a mim mesmo, dizia: <em>n\u00e3o s\u00e3o os livros que nos pertencem, mas pelo reverso, somos n\u00f3s que pertencemos a eles<\/em>. \u00c9 bem poss\u00edvel que tenha ouvido isso antes, mas soou-me t\u00e3o aut\u00eantico que legitimei a express\u00e3o. Sim, existe um certo fasc\u00ednio, algo estranho transitando entre o v\u00edcio e o fetiche pelos livros. Um sentimento fantasmag\u00f3rico me prende \u00e0s p\u00e1ginas imprensas, postas em capas, e adquiridas pela for\u00e7a da vontade de leitura. E como gosto de me perder em livrarias&#8230; \u00c9 como se fosse colocado em ponto de escolhas que indicam caminho para todos os problemas. Dias h\u00e1 em que saio do trabalho e me reconforto buscando t\u00edtulos que n\u00e3o procuro, mas que se me imp\u00f5em com gra\u00e7a. Confesso que fiquei intrigado com aquela frase que saiu quase espont\u00e2nea, como se n\u00e3o governasse minha vontade. E aceitei assim, com inquieta naturalidade, o que brotou do impulso de uma considera\u00e7\u00e3o. O instinto existe.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Leminski-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14868\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Leminski-2-450x265.jpg\" alt=\"Leminski 2\" width=\"450\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Leminski-2-450x265.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Leminski-2-300x176.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Leminski-2-768x452.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Leminski-2.jpg 782w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ainda com o frescor dessa medita\u00e7\u00e3o, na intimidade dial\u00f3gica com meus bot\u00f5es, tentava me distrair das charadas burocr\u00e1ticas inerentes ao meu of\u00edcio. Em termos de trabalho, tinha que tomar uma decis\u00e3o dr\u00e1stica. Pensei muito, admitindo a intermit\u00eancia da frase escrita sem querer (sem querer?). Envolto nessa problem\u00e1tica, com a decis\u00e3o encaminhada, pareceu-me \u00e9tico comunicar a um chefe querido, pessoa que muito acima de cargo carreia meu respeito e admira\u00e7\u00e3o. Imagine minha perturba\u00e7\u00e3o&#8230; Considere tamb\u00e9m que sou paciencioso, discreto e tento cuidar dos efeitos de minhas atitudes professorais. Pois \u00e9. Estava assim quando me dirigi \u00e0 sala da pessoa a quem deveria apresentar meu veredito. O caminho, devo dizer, parecia estrada sem fim. De toda forma, cheguei e ao me anunciar ou\u00e7o um lac\u00f4nico: fulano de tal est\u00e1 viajando, s\u00f3 volta na semana que vem. Dois sentimentos atravessaram minha cabe\u00e7a exaurida. Um, remetia \u00e0 al\u00edvio, pois, afinal, poderia pensar um pouco mais, ou pelo menos domar eventual exalta\u00e7\u00e3o; outro, por\u00e9m pressionava a conforma\u00e7\u00e3o, sugerindo que independente do dever \u00e9tico, eu deveria continuar a viagem e ir diretamente para as inst\u00e2ncias e apresentar a demiss\u00e3o. Ao sair frustrado do escrit\u00f3rio, perfazendo o roteiro da volta, eis que encontro pessoa querida, com um sorriso espont\u00e2neo, sem nada saber, e diz algo pr\u00f3ximo disso: mestre, tenho um presente para voc\u00ea. Com zelo medido, abre a mochila e tira um livro, dizendo \u201c\u00e9 para voc\u00ea, sempre quis lhe dar este presente\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Leminski-Encher-a-cara.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14870\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Leminski-Encher-a-cara-373x450.jpg\" alt=\"55 Leminski Encher a cara\" width=\"373\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Leminski-Encher-a-cara-373x450.jpg 373w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Leminski-Encher-a-cara-248x300.jpg 248w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Leminski-Encher-a-cara.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Continuei os afazeres, esperei o expediente acabar, e finalmente no retorno para a casa folheei o livro com uma capa amarela, bem acessa, que, em contraste tamb\u00e9m berrante dizia em letras negras \u201c<strong><em>Paulo Leminski \u2013 Cruz e Souza, Bash\u00f4, Jesus, Tr\u00f3tski \u2013 Vida: 4 biografias<\/em><\/strong>\u201d. Por l\u00f3gico comecei a leitura imediatamente, ainda na condu\u00e7\u00e3o que me levava de volta \u00e0 minha casa. J\u00e1 reparou nos rituais de in\u00edcio de leitura!? Eu tenho os meus t\u00e3o bem instalados que os cumpri com a mesma mec\u00e2nica de sempre: dei uma foleada geral, vi o tipo de diagrama\u00e7\u00e3o, o sum\u00e1rio, li a orelha, a quarta capa e voltei ao autor&#8230; No caso, Leminski, n\u00e3o h\u00e1 como deixar a curiosidade amansada. Um poeta de vida intrigante, escrevendo sobre quatros \u00edcones de improv\u00e1veis combina\u00e7\u00f5es. Tudo em um livro dito de biografias. Pronto, estava aberto o c\u00e9u. O c\u00e9u e o inferno, pois gostaria de me abstrair da dura realidade profissional e me mudar sem tr\u00e9guas para aquelas p\u00e1ginas aben\u00e7oadas que tran\u00e7avam poemas, reflex\u00f5es l\u00edricas e gravuras. Tudo feito com requinte de algu\u00e9m que soube de despedir da vida, ainda jovem, n\u00e3o sem antes homenagear seus personagens. N\u00e3o consegui parar. As interrup\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias foram como tortura.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Salve-quem-quiser.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14871\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/55-Salve-quem-quiser.jpg\" alt=\"55 Salve quem quiser\" width=\"259\" height=\"194\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como acabou a minha hist\u00f3ria? De forma simples: tive que adivinhar o denominador comum capaz de explicar a jun\u00e7\u00e3o de Cruz e Souza, Bash\u00f4, Jesus e Trotski. Foi na busca de l\u00f3gicas poss\u00edveis que Leminski amarrou poetas e vision\u00e1rios, por\u00e9m, todos tr\u00e1gicos. Frente a ironia dos fatos e o desconcerto do presente, me veio \u00e0 mente o imponder\u00e1vel, dito ali\u00e1s, pelo poeta\/bi\u00f3grafo: <em>acordei bemol\/ tudo estava sustenido\/ sol fazia\/ s\u00f3 n\u00e3o fazia sentido<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s quartas feira, quase sempre, reservo um tempo para me dedicar \u00e0s cr\u00f4nicas que escrevo, h\u00e1 cerca de doze anos. \u00c9 um compromisso moral, comigo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14869,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14867"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14867\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14872,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14867\/revisions\/14872"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}