{"id":14829,"date":"2017-06-21T15:41:40","date_gmt":"2017-06-21T18:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14829"},"modified":"2017-06-21T15:47:03","modified_gmt":"2017-06-21T18:47:03","slug":"cansaco-poesia-de-mario-quintana-e-uma-taca-de-vinho-jc-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/cansaco-poesia-de-mario-quintana-e-uma-taca-de-vinho-jc-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Cansa\u00e7o, poesia de Mario Quintana e uma ta\u00e7a de vinho (JC Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p>Nas horas de grande afli\u00e7\u00e3o, nos momentos em que acho que \u00e9 preciso dar uma parada nas coisas, de respirar um pouco sen\u00e3o posso estourar, para esses instantes eu tenho uma sa\u00edda cultivada nas repeti\u00e7\u00f5es: leio poemas. E tenho at\u00e9 um cantinho entre os livros onde situo esses textos que tanto me aliviam e me refazem. Ali\u00e1s, mesmo quando tudo est\u00e1 bem, at\u00e9 quando as coisas est\u00e3o em ordem, por medida de seguran\u00e7a olho para os tais livros e dou uma carinhosa piscadinha para eles.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Fumando.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14832\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Fumando.jpg\" alt=\"Fumando\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p>Amigos certos das horas incertas, os poemas s\u00e3o como b\u00e1lsamos, algo como beijo terno de m\u00e3e afetuosa. E n\u00e3o pensem que eles n\u00e3o sabem disso. Ah! &#8230;espertos que s\u00e3o, garanto que t\u00eam plena consci\u00eancia de suas fun\u00e7\u00f5es. Silentes, guardam em p\u00e1ginas tranquilas os segredos que me aliviam. A prova que tenho para tal afirmativa baseia-se no simples fato de, muitas vezes, pegar um desses tomos ao acaso, e tamb\u00e9m sem dire\u00e7\u00e3o abrir na p\u00e1gina certa. Pumba!&#8230; Sempre logro sorte. Sempre! Prova?<\/p>\n<p>Aconteceu esta semana. Andava atordoado com o excesso de trabalho, coisas de fim de semestre de professor: aulas para preparar, relat\u00f3rios para preenchimento, leitura de teses, textos por terminar, enfim, aquele Deus nos acuda. Pressionado ao m\u00e1ximo, sem dormir direito por noites seguidas, bateu aquele cansa\u00e7o. A piorar tudo, nesses casos, sempre me recrimino achando que sou eu o culpado, que devia saber dizer n\u00e3o a convites, que podia ser mais organizado com o controle das agendas e at\u00e9 cuidar melhor de minha sa\u00fade.<\/p>\n<p>Engra\u00e7ado, n\u00e3o? Mesmo trabalhando tanto, ainda consigo achar que devia fazer mais, ou que estou errado. O corpo padece e reclama. A mente tamb\u00e9m. Estava nessas agruras quando me lembrei dos queridos livros de poesia. Comedido, por\u00e9m, n\u00e3o os assaltei. Com medida cerim\u00f4nia, parei o texto em curso, dei folga para o computador, dispensei pap\u00e9is anotados, e antes de iniciar o ritual da leitura acendi o abajur, preparei uma ta\u00e7a de vinho nobre.<\/p>\n<p>Vinho e poesia, \u00e0 meia luz, na solitude da casa. Munido desse aparato, fui at\u00e9 o encantado lugar e puxei da estante, sem escolha alguma, um volume. A linda capa azul do \u201cSapato Florido\u201d de Mario Quintana caiu-me \u00e0s m\u00e3os como uma luva m\u00e1gica. De repente, cabendo com perfei\u00e7\u00e3o em minhas m\u00e3os, abri ao acaso as p\u00e1ginas do delicado conjunto de pequenos poemas, e eis que leio:<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o, o melhor \u00e9 n\u00e3o falares\/ n\u00e3o explicares coisa alguma\/ Tudo agora est\u00e1 suspenso. Nada aguenta mais nada\/ E sabe Deus o que \u00e9 que desencadeia as cat\u00e1strofes\/ o que \u00e9 que derruba um castelo de cartas\/ N\u00e3o se sabe&#8230;\/\u00a0<\/em><em>Umas vezes passa uma avalanche\/ e n\u00e3o morre uma mosca&#8230;\/ Outras vezes senta uma mosca\/ e desaba uma cidade\u201d.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Sapato-florido.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14833\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Sapato-florido-294x450.jpg\" alt=\"Sapato florido\" width=\"294\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Sapato-florido-294x450.jpg 294w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Sapato-florido-196x300.jpg 196w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Sapato-florido.jpg 541w\" sizes=\"auto, (max-width: 294px) 100vw, 294px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nossa, pensei!&#8230; Ser\u00e1 que o vinho fizera efeito logo depois dos primeiros goles? Poderia ser, pois afinal era noite funda e eu estava em entre o estado de torpor e o encantamento. Pensei um pouco nas palavras do poeta (quase escrevi \u201cdo fil\u00f3sofo\u201d) e abri em outro poema. Sabe o que li? Veja o poema Ep\u00edlogo \u201c<em>A mosca, a debater-se: &#8220;N\u00e3o! Deus n\u00e3o existe! \/ Somente o Acaso rege a terrena exist\u00eancia\u201d\/ A Aranha: &#8220;Gl\u00f3ria a Ti, Divina Provid\u00eancia, Que \u00e0 minha humilde teia essa mosca atra\u00edste!<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Pronto, estava curado. Paci\u00eancia e compreens\u00e3o da fatalidade do acaso. Mas quem disse que tinha for\u00e7a para parar? Virei p\u00e1ginas e eis que encontro outro elixir; em Emerg\u00eancia diz Quintana: \u201c<em>Quem faz um poema abre uma janela\/ Respira, tu que est\u00e1s numa cela abafada\/ esse ar que entra por ela\/ Por isso \u00e9 que os poemas t\u00eam ritmo\/ para que possas profundamente respirar\/ Quem faz um poema salva um afogado<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Mais vinho, pelo menos mais um gole para, sem necessidade de leitura declamar para mim mesmo o meu verso preferido, o Poeminho do Contra \u201c<em>Todos esses que a\u00ed est\u00e3o\/ atravancando meu caminho\/ Eles passar\u00e3o\u2026 Eu passarinho!<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Charge.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14834\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Charge.jpg\" alt=\"Charge\" width=\"225\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Charge.jpg 225w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Charge-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Charge-80x80.jpg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Olhei de volta para o livro, fechei as p\u00e1ginas como o passarinho fecha as assas, tomei mais um gole de vinho e&#8230; dormi feliz. Feliz como o passarinho&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy <\/em><\/strong><em>(<\/em><em>jcarlosbm@hotmail.com)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas horas de grande afli\u00e7\u00e3o, nos momentos em que acho que \u00e9 preciso dar uma parada nas coisas, de respirar um pouco sen\u00e3o posso estourar, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14836,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14829"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14835,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14829\/revisions\/14835"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}