{"id":14693,"date":"2017-04-30T02:21:45","date_gmt":"2017-04-30T05:21:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14693"},"modified":"2017-04-30T02:21:45","modified_gmt":"2017-04-30T05:21:45","slug":"coluna-do-sebe-nossa-senhora-de-fatima-ou-de-aparecida-questao-de-escolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-sebe-nossa-senhora-de-fatima-ou-de-aparecida-questao-de-escolha\/","title":{"rendered":"Coluna do Sebe: NOSSA SENHORA DE F\u00c1TIMA OU DE APARECIDA? QUEST\u00c3O DE ESCOLHA?"},"content":{"rendered":"<p><b><\/b><b><i>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/i><\/b><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sou de uma gera\u00e7\u00e3o que, em conjunto, vivenciou a perda p\u00fablica das demonstra\u00e7\u00f5es de f\u00e9. Sou, assumo, parte da \u201cclasse m\u00e9dia emergente\u201d, fen\u00f4meno nov\u00edssimo, urbano e industrial, que se fez entre o decl\u00ednio da cren\u00e7a institucional religiosa e o vertiginoso crescimento do capitalismo \u00e0 brasileira. Represento, portanto, parcela de um segmento materialista que cresceu dentro do ambiente definidor da sociedade de consumo, onde as demonstra\u00e7\u00f5es de religiosidade n\u00e3o se ajustavam bem ao modelo. Diria que me enquadro na moldura dos que acabaram por se reduzir a \u201ccat\u00f3lico cultural\u201d. D\u00f3i dizer isso, mas olhando para meus pares et\u00e1rios, cabe reconhecer que n\u00e3o temos mais jovens fieis como antigamente. N\u00e3o que n\u00e3o existam; logicamente os h\u00e1, mas n\u00e3o em n\u00famero expressivo ou pelo menos de ostenta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel. Pois \u00e9: de repente, manter tradi\u00e7\u00f5es religiosas virou coisa antiga, mais de mulheres; os chamados feriados religiosos foram perdendo for\u00e7a, trocados por dias de descanso ou f\u00e9rias. Tudo se deu meio silencioso, na calada dos tempos, sem que not\u00e1ssemos. Triste isso, n\u00e3o? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A despeito dessa constata\u00e7\u00e3o pessoal, n\u00e3o tenho como negar minha extrema atra\u00e7\u00e3o pelo universo m\u00edtico crist\u00e3o cat\u00f3lico. A ideia de c\u00e9u, inferno, anjos, santos e dem\u00f4nios; o movimentado mundo das tenta\u00e7\u00f5es e de perd\u00f5es confessionais, a no\u00e7\u00e3o de milagre e tantos outros mist\u00e9rios do sobrenatural me fascinam. Nada, entretanto, me comove mais do que a f\u00e9 alheia, manifesta\u00e7\u00f5es processionais, ora\u00e7\u00f5es em voz alta e os c\u00e2nticos&#8230; Ah! os c\u00e2nticos religiosos \u201ccom minha m\u00e3e estarei, na santa gl\u00f3ria algum dia, junto a Virgem Maria, no c\u00e9u trunfarei\u201d&#8230; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo tendo relativizado minha f\u00e9 \u2013 afinal sou filho do meu tempo \u2013 devo segredar que n\u00e3o abro m\u00e3o do apelo a Nossa Senhora. N\u00e3o mesmo. Basta um probleminha para recuperar a \u201ccren\u00e7a infal\u00edvel\u201d e rogar ajuda. Tudo \u00e9 muito secreto, \u00edntimo, mas real. Ent\u00e3o, sempre me pergunto: mas a qual delas; a qual das Virgens devo me dirigir? A Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil ou a Nossa Senhora de F\u00e1tima, portuguesa? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sei claramente que todas s\u00e3o uma s\u00f3, m\u00e3e de Jesus, e tamb\u00e9m sei que as denomina\u00e7\u00f5es apenas dimensionam apropria\u00e7\u00f5es circunstanciais. S\u00e3o, por\u00e9m, exatamente tais acolhimentos que me confundem. H\u00e1 Nossa Senhora para todos os gostos, culturas e na\u00e7\u00f5es, sabe-se. Cada grupo ou na\u00e7\u00e3o escolhe e privilegia uma, e, assim, h\u00e1: mexicanas, francesas, peruanas, croatas, libanesas, e tantas outras. Existem ainda as: do Bom Conselho, da Boa Morte, do Parto, das dores&#8230; No Brasil, tem havido varia\u00e7\u00f5es tendenciosas e at\u00e9 acho que n\u00e3o seria errado dizer que se dividem em duas principais: Aparecida e F\u00e1tima. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se desde a chegada dos portugueses Nossa Senhora dos Navegantes teve posto de protetora, antes dela, Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o (ou Imaculada Concei\u00e7\u00e3o) ganhou prest\u00edgio, chegando em 1640 a ser escolhida como Rainha de Portugal e, portanto, de todo \u201cMundo Portugu\u00eas\u201d. De l\u00e1 para c\u00e1, foi um pulo, pois os devotos lusitanos e fam\u00edlias espalhadas no vasto dom\u00ednio imperial se firmaram nessa afilia\u00e7\u00e3o devota. Houve, por\u00e9m algo que abalou tal prest\u00edgio. No Brasil, em 1717, foi encontrada no Rio Para\u00edba uma imagem que mudaria o rumo da orienta\u00e7\u00e3o religiosa popular. Os relatos que d\u00e3o conta desse epis\u00f3dio est\u00e3o registrados no Primeiro Livro de Tombo da Par\u00f3quia de Santo Ant\u00f4nio de Guaratinguet\u00e1, onde se l\u00ea que a apari\u00e7\u00e3o da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Dom Pedro Miguel Vasconcelos, conde de Assumar, governador da capitania de S\u00e3o Paulo e Minas d\u2019Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguet\u00e1. Para homenage\u00e1-lo, a popula\u00e7\u00e3o resolveu oferecer uma refei\u00e7\u00e3o \u00e0 base de peixe. E l\u00e1 foram tr\u00eas humildes pescadores Domingos Garcia, Jo\u00e3o Alves e Filipe Pedroso. Depois de tentativas, j\u00e1 desistindo, recolheram o corpo de pequena imagem, da Virgem Maria, sem a cabe\u00e7a que, por fim, foi encontrada em nova arremessada, compondo a imagem de terracota, escurecida. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dois s\u00e9culos passados, em Portugal outra e rumorosa apari\u00e7\u00e3o ocorreu, dessa feita numa Cova chamada Iria, na freguesia de F\u00e1tima. Segundo relatos, a primeira apari\u00e7\u00e3o da Virgem teria ocorrido para tr\u00eas crian\u00e7as pobres, camponesas, no dia 13 de maio de 1917. As apari\u00e7\u00f5es repetiram-se por seis meses, sempre no dia 13, at\u00e9 outubro de 1917. A devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima cresceu muito no Brasil e at\u00e9 possu\u00edmos em cidade do interior do Cear\u00e1, no mundo, a maior imagem da Virgem \u201cportuguesa\u201d. E n\u00e3o faltam expoentes da cultura de massa a divulgar tal devo\u00e7\u00e3o (Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Padre Marcelo Rosssi). O mesmo se diz de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o que tem fi\u00e9is seguidores significativos como nosso sertanejo Renato Teixeira que a imortalizou na \u201cRomaria\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pois \u00e9, mas tudo isso n\u00e3o me permitiu uma resposta definida, pois, afinal, a quem devo pedir favores? Se este trolol\u00f3 n\u00e3o indicou onde chegar, juro que vou suplicar ajuda de ambas e&#8230; E, prometo resposta assim que elas me indicarem o caminho. Por enquanto, Salve Nossa Senhora Aparecida; Salve Nossa Senhora de F\u00e1tima.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14694,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,36],"tags":[],"class_list":["post-14693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-lazer-e-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14693"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14695,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14693\/revisions\/14695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}