{"id":14476,"date":"2017-03-20T08:38:41","date_gmt":"2017-03-20T11:38:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14476"},"modified":"2017-03-20T08:42:00","modified_gmt":"2017-03-20T11:42:00","slug":"coluna-do-sebe-aniversarios-a-fila-anda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-sebe-aniversarios-a-fila-anda\/","title":{"rendered":"Coluna do Sebe &#8211; ANIVERS\u00c1RIOS, a fila anda"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 muito estranho escrever no dia do pr\u00f3prio anivers\u00e1rio. Muito mesmo, diga-se. Sei l\u00e1 o que significa \u201capagar as velas\u201d, mas, a cada dia parece algo mais temeroso. \u201ceu dizer dos cumprimentos que apelam para \u2018mais uma primavera\u2019, em particular quando se aniversaria em plenas \u201c\u00e1guas de mar\u00e7o, fechando o ver\u00e3o\u201d. Seja como for, assumir a idade implica balan\u00e7os sobre o existir e isso remete a zonas filos\u00f3ficas conturbadas, obscuras e nem sempre n\u00edtidas.<!--more--><\/p>\n<p>Invejo aquelas pessoas que nem ligam para o pret\u00e9rito e seguem vivendo como se a exist\u00eancia fosse mais presente e futuro do que passado. Mas, sou dos \u201coutros\u201d, dos que acham que o passado \u00e9 o presente ainda n\u00e3o acaba do e que carece de desdobramentos. Engrosso a linha dos que acham que tudo continua e que n\u00e3o h\u00e1 cap\u00edtulos findos ou desconexos. Sendo assim, viver o anivers\u00e1rio \u00e9 como mergulhar em si mesmo, no momento mais solene do ano e exposto aos olhos de quantos nos cercam, familiares e amigos. E, desta forma, n\u00e3o h\u00e1 como fugir dos ju\u00edzos que exigem algumas respostas fundamentais como tem valido a pena viver?<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o pensem que estou melanc\u00f3lico, imbu\u00eddo de pessimismo ou algum mal press\u00e1gio. Nada disso. Gosto do meu envelhecer. Assim, devo esclarecer de sa\u00edda que n\u00e3o temo a minha morte. Pelo contr\u00e1rio, sem vener\u00e1-la, quero sentir seu abra\u00e7o fatal quando chegar a minha vez. E que seu beijo nos seja consciente, pleno e se poss\u00edvel delicado. Acho que n\u00e3o lutarei pela vida, al\u00e9m do que ela j\u00e1 ter\u00e1 sido. O que me perturba muito \u00e9 ver a morte alheia cada vez mais frequente. E como elas se multiplicam sem cuidado em ferir os que ficam.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sebe-Renato-Marmo-e-PT.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14477\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sebe-Renato-Marmo-e-PT-450x283.jpg\" alt=\"Sebe, Renato, Marmo e PT\" width=\"450\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sebe-Renato-Marmo-e-PT-450x283.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sebe-Renato-Marmo-e-PT-300x189.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sebe-Renato-Marmo-e-PT.jpg 725w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Mestre Sebe, Renato Teixeira, professor Marmo e Paulo de Tarso em anivers\u00e1rio do CONTATO<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Medindo a fila que n\u00e3o cessa de aumentar, fico meditando sobre o sentido da exist\u00eancia em suas marca\u00e7\u00f5es impostas pela sina do calend\u00e1rio que vai, do seu jeito, escolhendo quem ser\u00e1 o pr\u00f3ximo. Pensar em quantos nos deixaram \u00e9 como medir a vida pelos que se despediram antes e que, em recorda\u00e7\u00f5es esfuma\u00e7adas, v\u00e3o se distanciando, de deixando esquecer. E, assim, n\u00e3o h\u00e1 como legar ao abandono a rela\u00e7\u00e3o de tudo com o movimento voraz da vida e com o que realmente significa a morte. Sim, morremos de verdade quando ningu\u00e9m mais sabe de nossa exist\u00eancia. O passado \u00e9 muito r\u00e1pido, muito ligeiro, e vai comendo reminisc\u00eancias que, estas sim, envelhecem sem preocupa\u00e7\u00e3o com qualquer futuro.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou p\u00f4r em discuss\u00e3o a exist\u00eancia ou n\u00e3o de vida depois da morte. Como historiador, sei que deveria estar mais preparado para perceber o decl\u00ednio de tudo. Hist\u00f3ria \u00e9 a luta pela legitima\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, pelo reconhecimento do sinal das coisas que devem ficar. Mas na sele\u00e7\u00e3o do que valeu, obrigatoriamente, mitiga-se o que \u00e9 f\u00e1tuo e viramos, no m\u00e1ximo, saudade. Aprendemos nessa li\u00e7\u00e3o o sentido de nossa insignific\u00e2ncia. E ent\u00e3o perguntamos: quem h\u00e1 de se lembrar de n\u00f3s? At\u00e9 onde algu\u00e9m vai saber do sentido que procurei dar \u00e0 minha experi\u00eancia? Por quanto tempo perdurar\u00e1 nossa recorda\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/entre-livros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14478\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/entre-livros-450x338.jpg\" alt=\"entre livros\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/entre-livros-450x338.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/entre-livros-300x225.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/entre-livros.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy, sempre cercado de livros<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Quando olho a hist\u00f3ria de minha fam\u00edlia, vejo p\u00e1lidos vest\u00edgios de pessoas que foram heroicas, mas das quais pouco sei ainda que tenham sido gente brava que atravessou o oceano e plantou a vida no Brasil, pessoas que lutaram contra a pobreza absoluta, que rasgaram estatutos identit\u00e1rios originais e que sobreviveram aprendendo outras l\u00ednguas e costumes. Por certo, sou-lhes grato e reconhecido, mas, quando medido o desconhecimento que tenho de meus bisav\u00f4s, fico perplexo e relativizo a vaidade de minhas toscas conquistas. De que valeu a fa\u00e7anha de nossos antepassados se deles as mem\u00f3rias v\u00e3o se apagando. Certamente, meus netos ter\u00e3o p\u00e1lidas lembran\u00e7as de minha passagem e forma\u00e7\u00e3o familiar. E \u00e9 bom que seja assim, pois seria mais dif\u00edcil viver se as lembran\u00e7as insistissem mais em montar pra\u00e7a.<\/p>\n<p>A depura\u00e7\u00e3o destas medita\u00e7\u00f5es indica algo importante: tenho que amar mais os seres que animam meu viver. Entendo melhor agora, mais velho, o sentido da vida que pulsa no reconhecimento da partilha da vida. Nesta dire\u00e7\u00e3o respondo a pergunta sobre a for\u00e7a do existir: sim, est\u00e1 valendo a pena, tanto que registro isto nesta cr\u00f4nica escrita em sauda\u00e7\u00e3o aos parentes, amigos e pacientes leitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito estranho escrever no dia do pr\u00f3prio anivers\u00e1rio. Muito mesmo, diga-se. 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