{"id":14448,"date":"2017-03-12T12:00:52","date_gmt":"2017-03-12T15:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14448"},"modified":"2017-03-12T12:00:52","modified_gmt":"2017-03-12T15:00:52","slug":"leituras-de-domingo-coluna-do-sebe-breve-historia-de-amor-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/leituras-de-domingo-coluna-do-sebe-breve-historia-de-amor-animal\/","title":{"rendered":"Leituras de Domingo &#8211; Coluna do Sebe: BREVE HIST\u00d3RIA DE AMOR ANIMAL&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><b><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estava na fila preferencial do banco quando uma senhora educadamente pediu para passar na frente. Eu tamb\u00e9m estava com pressa, pois tinha mais um daqueles compromissos inadi\u00e1veis em outra cidade. Meio sem saber o que fazer, enquanto avaliava a situa\u00e7\u00e3o, ouvi dela uma s\u00faplica simp\u00e1tica, \u201cmeu senhor, pe\u00e7o isto porque deixei meu cachorrinho amarrado no poste, \u00e0 entrada do banco e ele n\u00e3o costuma ficar longe de mim por muito tempo\u201d. Algo indignada pela proibi\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia, ela aludia que era absurdo o veto, posto ser pequeno animal, de estima\u00e7\u00e3o, amigo de todos. <\/span><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fiquei mais confuso ainda em vista de minha potencial perda de hor\u00e1rio do \u00f4nibus que me levaria ao encontro marcado. Pelo sim ou pelo n\u00e3o, concordei, mas&#8230; Mas, n\u00e3o se deu o mesmo com o mesmo com duas outras senhoras que estavam adiante. Frente a minha gentileza, a dona do cachorrinho em tom mais alto do que o necess\u00e1rio para uma conversa personalizada ia se explicando. Em resumo ela, em instantes, contou que era vi\u00fava e que o \u00fanico filho \u201cum ingrato\u201d mora em Manaus e nem liga pra saber \u201cse estou viva\u201d. Como resultado de sua infelicidade restava apenas um consolo: o tal cachorrinho. Mesmo que eu quisesse falar um pouco, n\u00e3o havia espa\u00e7o. Mediante tanta narrativa, despontava a hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o dela com o animalzinho. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo teria come\u00e7ado exatamente tr\u00eas anos passados, quando depois de assistir a uma missa, \u00e0 sa\u00edda da igreja, ela fora assaltada, jogada ao ch\u00e3o e em sua defesa apenas um filhotinho de c\u00e3o \u201cuma coisinha de nada, pequenininho\u201d ficou pr\u00f3ximo dela. Acudida por transeuntes depois de algum pedido de socorro, foi levada para a delegacia para prestar queixa e na confus\u00e3o o guarda, um \u201ccara muito atencioso\u201d, a conduziu com o bichinho para a delegacia. Acabado o registro o guarda que carinhosamente segurava o c\u00e3ozinho se prop\u00f4s a acompanh\u00e1-la at\u00e9 sua casa que era \u201clogo ali, pertinho, pertinho\u201d. Dizia ela que ainda n\u00e3o tinha se dado conta da confus\u00e3o feita pelo guarda que tinha certeza de que o cachorrinho era dela. Tudo se esclareceu quando chegaram \u00e0 portaria do pr\u00e9dio e o mo\u00e7o ent\u00e3o entregou-lhe o bicho. Assustada ela tentou esclarecer. O guarda n\u00e3o tinha como levar o animalzinho de volta e assim se instalou um impasse: que fazer? N\u00e3o precisou muito para que a boa senhora concordasse em deixar o pet em sua casa \u201cmas somente por uma noite\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acolhendo-o com carinho, depois de leite e alguma comida requentada, os dois permaneceram sob o mesmo teto. Foi f\u00e1cil o estabelecimento de afetos trocados. \u201cAcho que ele me escolheu antes\u201d, disse ela e, mesmo decidida a devolv\u00ea-lo no dia seguinte, achou melhor dar-lhe um nome. Provisoriamente, pareceu-lhe que Mois\u00e9s seria boa solu\u00e7\u00e3o, pois fora rejeitado e posteriormente achado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a senhora que narrava o caso, a noite n\u00e3o deve ter sido boa, pois logo ela come\u00e7ou a conjecturar sobre o hor\u00e1rio da devolu\u00e7\u00e3o. Como nada havia sido acertado, ela deveria ficar o dia todo aguardando, o que era desagrad\u00e1vel. Foi o que aconteceu, com um detalhe variante, por\u00e9m: ela se deu conta da afei\u00e7\u00e3o que se inaugurava. A certeza deste amor a levou a rezar para que o guarda n\u00e3o viesse. E n\u00e3o veio naquele dia. Tr\u00eas noites passadas e eis que o sol\u00edcito pra\u00e7a apareceu para passar \u00e0 frente o bicho. Ele havia conseguido um lugar, uma fam\u00edlia, mas \u201cquem disse que eu iria me separar dele\u201d declarou a senhora. Desde ent\u00e3o, no lugar do filho ingrato e distante, Mois\u00e9s passou a tomar conta da vida dela e da casa. Virou companhia insepar\u00e1vel e interlocutor atento \u201cverdadeiro confidente. Vida da minha vida\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O movimento da fila era lento, mas confesso que nem mesmo meu hor\u00e1rio interessava tanto quando a prova de fidelidade da senhora ao seu animal. De tal forma fiquei empenhado no entendimento daquela rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o dei conta da invers\u00e3o de sentimentos. Por certo, Mois\u00e9s gostava da senhora, mas, no caso, fidelidade mesmo era dela que n\u00e3o podia se separar dele. Alguma coisa deve ter brilhado em meus olhos, pois atendida a senhora, ela teve a fineza de me esperar para as devidas apresenta\u00e7\u00f5es a Mois\u00e9s. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perdi meu \u00f4nibus, cheguei atrasado \u00e0 reuni\u00e3o e nem notei que a senhora tamb\u00e9m perdeu a hora. A prop\u00f3sito, Mois\u00e9s realmente \u00e9 cativante, sempre que posso ligo para saber dele.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy &nbsp; Estava na fila preferencial do banco quando uma senhora educadamente pediu para passar na frente. 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