{"id":14259,"date":"2017-02-06T09:04:32","date_gmt":"2017-02-06T12:04:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14259"},"modified":"2017-02-06T09:04:32","modified_gmt":"2017-02-06T12:04:32","slug":"coluna-do-sebe-carnaval-alegre-diagnostico-do-tempo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-sebe-carnaval-alegre-diagnostico-do-tempo-brasileiro\/","title":{"rendered":"Coluna do Sebe: CARNAVAL,  ALEGRE DIAGN\u00d3STICO DO \u2018TEMPO BRASILEIRO\u2019"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><b><i>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy (jcarlosbm@hotmail.com)<\/i><\/b><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nossa, o Carnaval est\u00e1 a\u00ed! Tal realidade desmente a m\u00e1xima que apregoa que tudo come\u00e7a depois dos tr\u00eas dias de celebra\u00e7\u00e3o e festa. Nada&#8230; O cron\u00f4metro est\u00e1 rodando e calend\u00e1rio obedece ao ritmo implac\u00e1vel do tempo que se mostra a cada dia mais acelerado. Pois \u00e9, eu confesso que sequer pude apreciar com mais cuidado os temas que as escolas de samba do Rio apresentam e, em consequ\u00eancia, nem pude bem proceder as del\u00edcias de quem busca compreender a cultura brasileira pelas manifesta\u00e7\u00f5es expressas na Marques de Sapuca\u00ed. Resultado: tive que apelar para os sites oficiais para filtrar resumos das aludidas \u201c\u00f3peras de rua da Cidade Maravilhosa\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabe-se que a \u201cabertura\u201d no domingo se d\u00e1 pela primeira colocada no Grupo de Acesso que, no caso deste ano, foi a Para\u00edso do Tuiuti, agremia\u00e7\u00e3o que retorna ao Grupo Especial com o enredo &#8220;<\/span><b><i>Carnavaleidosc\u00f3pio Tropif\u00e1gico<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;, feito para evocar o movimento tropicalista.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/610E9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14261\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/610E9-450x300.jpg\" alt=\"610E9\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/610E9-450x300.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/610E9-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/610E9-768x513.jpg 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/610E9.jpg 920w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seguida teremos a sempre rica Grande Rio, de Duque de Caxias, da Baixada. Desta vez, a Escola optou pela sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 cantora baiana Ivete Sangalo, com enredo intitulado \u201c<\/span><b><i>Do Rio ao Rio<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Imperatriz Leopoldinense fez uma escolha ousada, pretendendo uma esp\u00e9cie de den\u00fancia da devasta\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica e da segrega\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, com o tema &#8220;<\/span><b><i>Xingu, o clamor que vem da floresta<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8221; a Escola pretende sensibilizar a defesa do meio ambiente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fogosa Unidos de Vila Isabel escolheu falar sobre &#8220;<\/span><b><i>O som da cor<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;, mantendo uma tradi\u00e7\u00e3o vocacionada aos temas afro-brasileiros, unindo a m\u00fasica \u00e0s especificidades \u00e9tnicas que comp\u00f5em nossa cultura. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Acad\u00eamicos do Salgueiro, sempre vizinha dos primeiros lugares, optou pelo teatro e leva para a Avenida homenagem ao teatro com &#8220;<\/span><b><i>A Divina Com\u00e9dia do Carnaval<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8221; e, com ousadia, vai contar a hist\u00f3ria dos palcos pelas obras mestras. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Riqu\u00edssima sempre, a Beija-Flor de Nil\u00f3polis escolheu reverenciar um dos romances fundadores na nossa literatura indigenista, tomando como ponto de partida o cearense Jos\u00e9 de Alencar, com o enredo &#8220;<\/span><b><i>A Virgem dos L\u00e1bios de Mel \u2013 Iracema<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pensando na exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria africana, a Uni\u00e3o da Ilha evoca o sentido do tempo, segundo a mitologia angolana com o tema &#8220;<\/span><b><i>Nzara Ndembu \u2013 Gl\u00f3ria ao Senhor Tempo<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a S\u00e3o Clemente prop\u00f4s algo pol\u00eamico desde o nome do enredo &#8220;<\/span><b><i>Onisu\u00e1quimalipanse<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;, versando sobre a Fran\u00e7a pr\u00e9-revolucion\u00e1ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A empolgante Mocidade Independente de Padre Miguel, optou por viajar pelo mundo dos contos \u00e1rabes e vai recriar &#8220;<\/span><b><i>As mil e uma noites de uma &#8216;Mocidade&#8217; pr\u00e1 l\u00e1 de Marrakech<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Unidos da Tijuca celebra o encontro de dois m\u00fasicos negros, Pixinguinha e Armstrong, ocorrido em 1957, e, com o tema \u201c<\/span><b><i>M\u00fasica na alma<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d vai falar de samba e jazz. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A bem-amada Portela, insistindo em abordagens ligadas \u00e0s \u00e1guas, vai entoar &#8220;<\/span><b><i>Foi um rio que passou em minha vida e meu cora\u00e7\u00e3o se deixou levar<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;; certamente referindo-se a Paulinho da Portela. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A querid\u00edssima Mangueira, evocando a cren\u00e7a e a interfer\u00eancias divinas na vida, encerrar\u00e1 o desfilhe na segunda feira com o enredo &#8220;<\/span><b><i>S\u00f3 com a ajuda do santo<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Frente a esse plantel, como sempre, me questionei sobre o sentido das escolhas para a formula\u00e7\u00e3o de pressupostos capazes de assegurar a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria nacional. Sabe-se que os assuntos escolhidos sempre se enquadram em alguns par\u00e2metros objetivos: hist\u00f3ricos, de den\u00fancia, homenagens ou pedag\u00f3gicos. Refer\u00eancias a personagens ilustres ou proje\u00e7\u00f5es sobre o futuro tamb\u00e9m repontam, mas a insist\u00eancia tem reca\u00eddo nas refer\u00eancias a fatos not\u00e1veis e nos alertas. No caso dos temas hist\u00f3ricos, desde a chegada dos europeus at\u00e9 os movimentos de pacifica\u00e7\u00f5es internacionais se destacam. A preserva\u00e7\u00e3o da natureza, a doa\u00e7\u00e3o de sangue, a toler\u00e2ncia, alertam os foli\u00f5es e o p\u00fablico clamando por aten\u00e7\u00e3o especial. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o que se coloca, por\u00e9m, \u00e9 a seguinte: qual o papel do Carnaval na circula\u00e7\u00e3o da cultura brasileira? Desdobramento natural disso remete \u00e0 pergunta sobre o significado do Rio de Janeiro na qualifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 nacional. Por certo, as duas quest\u00f5es exigem argumentos substantivos, mas num breve exame pode-se dizer que a magnitude e mesmo o teor educacional que preside a grande festa n\u00e3o anulam a picardia, o bom humor e gra\u00e7a carnavalesca. Ali\u00e1s, \u00e9 exatamente este quesito que explica a perenidade do nosso reinado de Momo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perfeitamente integrada \u00e0 nossa cultura, mantendo a mal\u00edcia da forma expressiva permitida pela fantasia, o Carnaval do Rio de Janeiro se apresenta como convite que junta o l\u00fadico e a cr\u00edtica com a alegria. Por certo, cabe reconhecer que esta \u00e9 mesmo a maior festa popular do mundo. E tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o de abordagem de temas relevantes para a nossa gente. T\u00e3o relevante \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed que aspectos importantes como o financiamento \u2013 liga\u00e7\u00f5es com o jogo do bicho e com a contraven\u00e7\u00e3o em geral \u2013 e o esfor\u00e7o de controle exercido pelas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem diminuir a manifesta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O elogi\u00e1vel deste ano \u00e9 a pluralidade tem\u00e1tica. Poucas vezes a varia\u00e7\u00e3o de enredos foi t\u00e3o completa. A cultura brasileira, por certo, estar\u00e1 brincando entre \u00edndios, negros\/mulatos, exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, lendas \u00e1rabes e hist\u00f3ria geral. Ent\u00e3o, Evo\u00e9&#8230;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy (jcarlosbm@hotmail.com)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14260,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,36],"tags":[],"class_list":["post-14259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-lazer-e-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14259"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14262,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14259\/revisions\/14262"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}