{"id":14168,"date":"2017-01-05T10:08:53","date_gmt":"2017-01-05T13:08:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14168"},"modified":"2017-01-05T10:08:53","modified_gmt":"2017-01-05T13:08:53","slug":"jose-carlos-sebe-o-poliamor-amor-pos-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/jose-carlos-sebe-o-poliamor-amor-pos-moderno\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Carlos Sebe: O POLIAMOR, amor p\u00f3s-moderno?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><b><\/b><b>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tema \u201cpoliamor\u201d tem ganhado visibilidade por v\u00e1rios motivos. Talvez a raz\u00e3o mais explicativa do sucesso desse assunto se remeta ao que ele n\u00e3o \u00e9. Explico-me: de repente as velhas defini\u00e7\u00f5es de relacionamentos \u201cproibidos\u201d se tornaram obsoleta. Ter amante, manter caso extraconjugal, sustentar parceiro fora da lei ou dos mandamentos institucionais divinos, se tornou coisa antiga. N\u00e3o que deixassem de existir tais combina\u00e7\u00f5es, at\u00e9 pelo contr\u00e1rio ainda hoje h\u00e1 parcerias que reproduzem pr\u00e1ticas comuns aos nossos pais, av\u00f3s e demais antepassados. Dia desses at\u00e9 ouvi perplexo que fulano de tal tem uma \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">te\u00fada e mate\u00fada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, e c\u00e1 e l\u00e1 repontam refer\u00eancias a \u201camasiados\u201d, \u201camancebados\u201d e \u201camigados\u201d. Tudo como antigamente. Por certo, tais express\u00f5es n\u00e3o se sustentam mais com a mesma for\u00e7a e se sabe de outras solu\u00e7\u00f5es que ganham aceita\u00e7\u00e3o. Confesso que o crivo moral que caracteriza esses tipos de tratos sempre me perturbou muito. A aproxima\u00e7\u00e3o do termo adult\u00e9rio me incomoda por implicar \u201ctrai\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cdeslealdade\u201d e o que me \u00e9 mais condenat\u00f3rio, \u201cinfidelidade\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pois \u00e9, andava meio perdido nessas considera\u00e7\u00f5es quando me lembrei de uma reportagem passada na televis\u00e3o, em hor\u00e1rio avan\u00e7ado da noite, sobre \u201cpoliamor\u201d. De maneira irresist\u00edvel fui ao google e encontrei refer\u00eancias not\u00e1veis sobre essas \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">novas manifesta\u00e7\u00f5es de relacionamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. Tudo em nome da modernidade, \u00e9 claro. Achei interessante notar que nos diversos sites visitados encontrei uma refer\u00eancia importante, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez dizendo o seguinte:<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 poss\u00edvel estar apaixonado por v\u00e1rias pessoas ao mesmo tempo,\u00a0e por todas com a mesma dor, sem trair nenhuma.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> Por certo, o grande escritor colombiano servia para lastrear uma fundamenta\u00e7\u00e3o que tende a fugir do vulgar, celebrando o tal de poliamor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha primeira atitude foi tentar responder em n\u00edvel pessoal se eu teria capacidade para amar ao mesmo tempo algu\u00e9m mais do que meu cora\u00e7\u00e3o permitiria. Como n\u00e3o me \u00e9 o caso, resolvi dar asas \u00e0 leitura e logo fui vendo as solu\u00e7\u00f5es encontradas: um homem com duas ou mais mulheres; uma mulher com dois ou mais homens; alguns com parceiros que por suas vezes teriam mais relacionamentos, tudo aberto e consciente. Buscando entender essa gram\u00e1tica afetiva, logo aprendi que a palavra \u201cci\u00fame\u201d n\u00e3o pode existir naqueles dicion\u00e1rios e que tudo se rege por uma premissa b\u00e1sica: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">o amor quando \u00e9 leg\u00edtimo, se multiplica, n\u00e3o se divide<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi f\u00e1cil tamb\u00e9m notar o sentido das palavras \u201cposse\u201d e \u201cobjeto\u201d. Ningu\u00e9m \u00e9 dono de ningu\u00e9m e n\u00e3o somos objetos para garantir propriedade de outrem. \u00c9 f\u00e1cil imaginar que o progresso dessas leituras ia ganhando f\u00f4lego quando se pensa na fecundidade do termo \u201ccoopera\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cacordo\u201d. Sem ser muito racionalista, algumas quest\u00f5es se apresentavam como fundamentais, e uma delas \u00e9 o \u201cplanejamento coletivo\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ia bem com minha capacidade cognitiva at\u00e9 que vi um dos \u201cfilminhos\u201d onde um rapaz se levanta pela manh\u00e3, depois a mulher e ambos se encaminham para o banheiro at\u00e9 que um terceiro saia da mesma cama, tamb\u00e9m para fazer sua higiene. Pronto, deu-se um n\u00f3 em minha cabe\u00e7a. Tudo ao mesmo tempo? Juntos? Aiaiai&#8230; minhas antigas configura\u00e7\u00f5es n\u00e3o mais se ajustavam, pois n\u00e3o se tratava de um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">m\u00e9nage \u00e0 trois<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, n\u00e3o seria tamb\u00e9m um caso de mera <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sacanagem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Nos dizeres daquela conversa matinal, notava-se a for\u00e7a de um pacto leg\u00edtimo, amistoso, colaborativo. Li mais e me convenci que a tal rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseava apenas em sexo e que, pelo contr\u00e1rio, o sentido de confraternidade seria condi\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia de casos tais. E veja que falo em conceito de comunidade, quase b\u00edblico. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Encontrei tamb\u00e9m refer\u00eancias a outras \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d, como distribui\u00e7\u00e3o de datas, condi\u00e7\u00e3o de casais que mantinham al\u00e9m da pr\u00f3pria casa, comunh\u00e3o com outros parceiros. Por certo, me intrigava a quest\u00e3o das despesas, do custo de vida e da educa\u00e7\u00e3o de filhos. Tudo, por\u00e9m, me era respondido com algumas investidas a mais, nos diversos sites. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cabe dizer que nessas \u201cpesquisas\u201d pude perceber que tudo \u00e9 mais comum e difundido do que se pensa e que nem faltam pais, m\u00e3es, parentes e amigos que aceitam isto numa boa. Por fim, fiz mais uma consulta ao meu cora\u00e7\u00e3o, e depois de delongas respondi que isso \u00e9 bonito nos outros, no cinema e na literatura. Por fim, tive uma resposta pessoal: sou limitado a um amor \u00fanico e de tal forma resistente que acabei cantarolando <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">solamente una vez, ame en la vida\/ solamente una vez e nada mas&#8230;<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy &nbsp; O tema \u201cpoliamor\u201d tem ganhado visibilidade por v\u00e1rios motivos. 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