{"id":14127,"date":"2016-12-27T15:54:20","date_gmt":"2016-12-27T18:54:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=14127"},"modified":"2016-12-27T15:54:20","modified_gmt":"2016-12-27T18:54:20","slug":"jose-carlos-sebe-bom-meihy-inveja-branca-sobre-sono-e-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/jose-carlos-sebe-bom-meihy-inveja-branca-sobre-sono-e-sonhos\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy &#8211; INVEJA BRANCA: SOBRE SONO E SONHOS&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><b><\/b><b><i>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ouvi outro dia uma express\u00e3o intrigante \u201cinveja branca\u201d. Primeiro, achei interessante dar cor a inveja. Meu esp\u00edrito cr\u00edtico, por\u00e9m, logo se agu\u00e7ou e vislumbrei quest\u00f5es ligadas aos preconceitos, e assim, para meu bot\u00f5es perguntei, mas o que seria \u201cinveja branca\u201d e por que n\u00e3o \u201cinveja negra\u201d? Foi autom\u00e1tico despertar temas ligados \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tive que indagar o significado desse dizer, e ent\u00e3o o interlocutor declinou justificativas n\u00e3o menos racistas, aproximando branco de coisa boa e negro de m\u00e1. Com medida paci\u00eancia, dizia o colega que \u201cinveja branca\u201d era um sentimento aceit\u00e1vel, manso e at\u00e9 elogioso, pois conferia respeito a vontade de estar no lugar da pessoa que passaria por um processo positivo, disposto, por exemplo, a receber um pr\u00eamio, uma viagem, estar em companhia desej\u00e1vel, ou coisa parecida. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Passado o encontro, dei asas para medita\u00e7\u00f5es sobre alguns temas capazes de provocar em mim a tal \u201cinveja branca\u201d. Foi imediata a instala\u00e7\u00e3o de um dilema filos\u00f3fico. Confesso que mergulhei em mim para logo emergir triunfante, porque, afinal, n\u00e3o vi muitos motivos para ter despertada a tal \u201cinveja branca\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tenho a fam\u00edlia que gostaria de ter, filhos, noras e netos ideais; profissionalmente atravessei a vida trabalhando \u2013 e ainda o fa\u00e7o \u2013 no melhor que poderia conseguir. Ser professor me completa, e tenho orgulho em dizer que uma das virtudes dessa op\u00e7\u00e3o foi viver sempre entre jovens. Como nunca passei frio ou fome, porque sempre vivi em lugares que me situavam bem, n\u00e3o invejaria outras pessoas por \u201cbrancas\u201d que fossem suas virtudes. Viajei muito, tive oportunidade de visitar diferentes quadrantes e ainda que restem espa\u00e7os a serem visitados, isso \u00e9 coisa positiva. Amigos n\u00e3o os tenho aos milhares, mas o n\u00famero \u00e9 exato, coerente com minha capacidade de amar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabe, aos poucos ia ficando frustrado, surpreso por n\u00e3o encontrar elementos convincentes para boa tradu\u00e7\u00e3o da tal \u201cinveja branca\u201d. Tanto fiz, tanto cavei, que por fim identifiquei algo que me faz menor, desejoso de ter algo que outros t\u00eam. Demorou, mas finalmente achei algo que pudesse me sentir \u201cbrancamente\u201d invejoso: \u201cdormir\u201d. Tenho sono d\u00e9bil, fr\u00e1gil e quebradi\u00e7o. Na melhor das hip\u00f3teses durmo cinco horas por dia. Fico at\u00e9 meio acanhado por dizer que \u00e0s vezes preciso tomar um remedinho \u2013 coisa leve \u2013 para dar passagem ao sono. Dia desses, tamb\u00e9m ouvi dizer que pessoas que t\u00eam sono leve sonham muito. Foi o bastante para ter explica\u00e7\u00e3o convincente para a profus\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es on\u00edricas. Devo dizer ainda que esta devo\u00e7\u00e3o aos sonhos \u00e9 algo que cultivo euf\u00f3rico. De toda forma, o reverso desse processo noturno deixa um saldo complicado: sinto-me sempre muito cansado, exausto mesmo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Engra\u00e7ado: a mera identifica\u00e7\u00e3o desse \u201cproblema\u201d me levou a ramificar quest\u00f5es. Diria que a mais s\u00e9ria delas dizia respeito aos porqu\u00eas. As respostas se multiplicaram r\u00e1pidas. Uma delas remete \u00e0 velha pr\u00e1tica, desde o tempo de estudante quando tinha que dar conta de vasto programa de leituras e trabalhos. Como fazia dois cursos ao mesmo tempo, n\u00e3o teria outra sa\u00edda. Depois, o ac\u00famulo de trabalho ditou a mesma pr\u00e1tica. E vieram os filhos, e nesse quesito, como ficava muito tempo fora, cuidar dos rebentos durante a madrugada (sempre fui eu quem trocava fraldas dos filhos, \u00e0 noite) me era um jeito de participar. Depois vieram os longos e trabalhosos anos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Acabada essa fase, abria-se outra: escrever os textos que garantiriam o estatuto. Tal balan\u00e7o me levava de volta \u00e0 quest\u00e3o da \u201cinveja branca\u201d. Por fim resolvi a quest\u00e3o: tenho sim \u201cinveja branca\u201d&#8230; \u201cinveja branca\u201d de mim mesmo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy &nbsp; Ouvi outro dia uma express\u00e3o intrigante \u201cinveja branca\u201d. Primeiro, achei interessante dar cor a inveja. 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