{"id":13914,"date":"2016-11-22T15:01:16","date_gmt":"2016-11-22T18:01:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=13914"},"modified":"2016-11-22T15:10:13","modified_gmt":"2016-11-22T18:10:13","slug":"leituras-ditadura-militar-em-taubate-resenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/leituras-ditadura-militar-em-taubate-resenha\/","title":{"rendered":"Leituras: &#8220;DITADURA MILITAR EM TAUBAT\u00c9&#8221; &#8211; Resenha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Evaldo Amaro Vieira* apresenta a resenha sobre o livro &#8220;Benedicto Vieira &#8211; UM TAUBATEANO DE VALOR&#8221;, de autoria do desembargador Luiz Augusto de Salles Vieira, filho do personagem<a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-reduzida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13915\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-reduzida-302x450.jpg\" alt=\"Capa reduzida\" width=\"302\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-reduzida-302x450.jpg 302w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-reduzida-201x300.jpg 201w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-reduzida.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/a><\/em><\/strong><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 mesmo obriga\u00e7\u00e3o manter-se atualizado sobre o lugar onde se vive e sobre o tempo de nossa vida. O fil\u00f3sofo norte-americano, George Santayana, dizia que quem n\u00e3o olha para o passado, corre o risco de reviv\u00ea-lo. O passado muitas vezes n\u00e3o consiste num mar de rosas e at\u00e9 pode abrir-se em forma de trag\u00e9dia individual ou social.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 o caso do livro recentemente publicado pelo Desembargador Luiz Augusto de Salles Vieira, acerca de seu pai, livro intitulado <strong><em>Benedicto Vieira \u2013 Um taubateano de valor<\/em><\/strong> (S\u00e3o Paulo: Bara\u00fana, 2016).<\/p>\n<p>Engana-se quem pensar num livro do filho para o pai somente. A obra alude a um profissional, ou melhor, \u00e0 hist\u00f3ria de um profissional, \u00e0 hist\u00f3ria de Taubat\u00e9 e \u00e0 hist\u00f3ria da sociedade taubateana, filiando-se \u00e0quele importante conjunto de escritos referentes \u00e0 ditadura militar no Brasil (1964-1985), do destaque de <strong><em>Batismo de sangue<\/em><\/strong>, de Frei Betto; de <strong><em>Os carbon\u00e1rios<\/em><\/strong>, de Alfredo Sirkis; ou mesmo de <strong><em>Falta algu\u00e9m em Nuremberg<\/em><\/strong>, de David Nasser (a prop\u00f3sito da ditadura Vargas (1930-1945).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13916\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-450x357.jpg\" alt=\"Capa\" width=\"450\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-450x357.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa-300x238.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Capa.jpg 499w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Benedicto Vieira est\u00e1 na frente, em p\u00e9, com gravata escura<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O livro do Desembargador Luiz Augusto de Salles Vieira sobre seu pai, Benedicto Vieira, ganha em lucidez e equil\u00edbrio, porque registra a coragem de poucos, o desprezo e at\u00e9 o desd\u00e9m de muitos em Taubat\u00e9 e no Brasil, ao narrar a viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios jur\u00eddicos levados em considera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de s\u00e9culos em pa\u00edses com m\u00ednima civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o da vida de Benedicto Vieira, dura, destemida e honrada, revela inicialmente fortes vest\u00edgios dos obst\u00e1culos a serem vencidos pelas fam\u00edlias humildes e seus filhos, n\u00e3o necessariamente pobres, sujeitos \u00e0s marcas da desigualdade. A pesquisa realizada pelo Autor por tr\u00eas anos e as reflex\u00f5es desenvolvidas nas p\u00e1ginas do texto, mais v\u00e1rias fotografias da \u00e9poca, concentram-se quase sempre no ambiente restrito e sufocante de uma cidade. Deram explica\u00e7\u00f5es evidentes das \u201c<em>raz\u00f5es que levaram a Delegacia Regional de Pol\u00edcia de Taubat\u00e9, os pol\u00edticos locais e os Minist\u00e9rios da Aeron\u00e1utica e do Ex\u00e9rcito a eleger Benedito Vieira como alvo durante longos onze anos, ao tempo da ditadura militar<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Da leitura da obra <strong><em>Benedicto Vieira \u2013 Um taubateano de valor<\/em><\/strong> acaba-se por aceitar o que diz o autor: \u201c<em>Tudo isso refor\u00e7a o pensamento de que a deten\u00e7\u00e3o, em duas ocasi\u00f5es, a pris\u00e3o, a tortura, a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o envolvimento em dois inqu\u00e9ritos policiais e o afastamento da ger\u00eancia do Banco Brasileiro de Descontos S\/A, tiveram como causa remota e prim\u00e1ria, como esclarecido acima, o seu engajamento em movimento associativo e sindical, considerado como um movimento de esquerda e comunista pelas for\u00e7as armadas. As raz\u00f5es foram, acima de tudo, ideol\u00f3gicas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Desembargador.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13917\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Desembargador.jpg\" alt=\"Capa_Benedicto Vieira, um taubateano de valor.indd\" width=\"290\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Desembargador.jpg 290w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Desembargador-194x300.jpg 194w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Desembargador Luiz Augusto de Salles Vieira, autor do livro\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ideol\u00f3gicas sim, mas at\u00e9 certo ponto. Na \u00e9poca, como hoje, na maioria das vezes se adere a determinadas palavras de ordem porque se ouviu em qualquer fonte. Outro dia, vi estampada na tela do computador a afirma\u00e7\u00e3o de que fulano era \u201cvermelho\u201d. Pensei comigo: s\u00f3 se for de raiva da ignor\u00e2ncia. Estudos s\u00e9rios demonstram quase sempre, em situa\u00e7\u00f5es como as descritas na obra <strong><em>Benedicto Vieira \u2013 Um taubateano de valor<\/em><\/strong>, que tais atitudes nascem principalmente do ressentimento e da viol\u00eancia contra bodes expiat\u00f3rios criados por frustra\u00e7\u00f5es individuais ou coletivas. No Brasil de ontem e de hoje, essas atitudes ressentidas ou violentas continuam \u00e0 flor da pele.<\/p>\n<p>Se, de um lado, o livro se refere \u00e0 falta de apura\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a respeito dos sofrimentos impostos a Benedicto Vieira, fazendo-nos lembrar que \u201cfalta algu\u00e9m em Nuremberg\u201d; de outro, h\u00e1 na obra abundantes exemplos de solidariedade humana, que v\u00e3o de Amador Aguiar (fundador do Banco Brasileiro de Descontos) aos advogados Dem\u00e9trio Ivahy Badar\u00f3 e Sebasti\u00e3o Monteiro Bonato, e ainda aos irm\u00e3os Ito, dentre outros, \u201c<em>que forneceram alimenta\u00e7\u00e3o para receber quando poss\u00edvel<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>*Evaldo Vieira, professor titular USP\/Unicamp, amarovieira@uol.com.br<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evaldo Amaro Vieira* apresenta a resenha sobre o livro &#8220;Benedicto Vieira &#8211; UM TAUBATEANO DE VALOR&#8221;, de autoria do desembargador Luiz Augusto de Salles Vieira, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13919,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-13914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-de-passagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13914"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13918,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13914\/revisions\/13918"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}