{"id":13887,"date":"2016-11-21T10:12:59","date_gmt":"2016-11-21T13:12:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=13887"},"modified":"2016-11-21T10:32:14","modified_gmt":"2016-11-21T13:32:14","slug":"licao-de-mestre-concepcoes-filosoficas-de-tempo-professor-marmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/licao-de-mestre-concepcoes-filosoficas-de-tempo-professor-marmo\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00e3o de Mestre: Concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de tempo (professor Marmo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Professor Marmo faz um r\u00e1pido apanhado de conceitos a respeito do tempo,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>uma ideia que fil\u00f3sofos das mais diferentes regi\u00f5es, cren\u00e7as e religi\u00f5es tentam explicar <\/em><\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong>Os ciclos <\/strong><\/p>\n<p>Observamos v\u00e1rios ciclos da natureza (ciclo do dia e da noite, das fases da lua, do movimento das estrelas, das esta\u00e7\u00f5es do ano), com o tempo hist\u00f3rico quando este trata da constru\u00e7\u00e3o dos calend\u00e1rios, das hist\u00f3rias de indiv\u00edduos, de povos, ou da humanidade (a vida e a morte, as idades ao longo da vida, a repeti\u00e7\u00e3o dos meses de um ano a outro).<\/p>\n<p>O tempo se revela acima de tudo na natureza. No movimento do Sol e das estrelas, &#8230; nos ind\u00edcios sens\u00edveis e visuais das esta\u00e7\u00f5es do ano. Tudo isso \u00e9 relacionado aos movimentos que lhe correspondem na vida do homem (com seus costumes, sua atividade, seu trabalho) e que constituem o tempo c\u00edclico.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos os sinais vis\u00edveis, mais complexos, do tempo hist\u00f3rico propriamente dito, as marcas vis\u00edveis da atividade criadora do homem, as marcas impressas por sua m\u00e3o e por seu esp\u00edrito: cidades, ruas, casas, obras de arte e de t\u00e9cnica, estrutura social, etc.<\/p>\n<p>Em &#8220;ser&#8221; e o &#8220;n\u00e3o ser&#8217;,&#8217;\u00a0 Plat\u00e3o (427 &#8211; 348 a.C.) afirmou que o tempo nasceu quando um ser divino colocou ordem e estruturou o caos primitivo. O tempo tem, portanto, de acordo com Plat\u00e3o, uma origem cosmol\u00f3gica.\u00a0\u00a0 Plat\u00e3o procura estabelecer a distin\u00e7\u00e3o entre o &#8220;ser&#8221; e o &#8220;n\u00e3o ser&#8221;.<\/p>\n<p>O mundo do &#8220;ser&#8221; \u00e9 fundamental e n\u00e3o est\u00e1 sujeito a muta\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9, portanto, eternamente o mesmo. Este mundo, entretanto, \u00e9 o mundo das ideias, apreens\u00edvel apenas pela intelig\u00eancia e pode ser entendido utilizando-se a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo do \u201cn\u00e3o ser\u2019\u2019 faz parte as sensa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o irracionais, porque dependem essencialmente de cada pessoa\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Tempo-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13900\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Tempo-2.jpg\" alt=\"Tempo 2\" width=\"262\" height=\"193\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Para Plat\u00e3o, este mundo \u00e9 irreal <\/strong><\/p>\n<p>O dom\u00ednio do tempo estaria nesse segundo mundo, assim como tudo o que se observa no universo f\u00edsico, tendo assim uma import\u00e2ncia menor. Talvez possa ser dito que para Plat\u00e3o o tempo essencialmente n\u00e3o existe, uma vez que faz parte do mundo das sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Platao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13899\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Platao.jpg\" alt=\"Platao\" width=\"240\" height=\"171\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Constru\u00e7\u00f5es da mente humana\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>A filosofia oriental parece ter sustentado que o tempo, bem como o espa\u00e7o, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es da mente humana.<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles considerava importante o mundo observado e entendia a no\u00e7\u00e3o do tempo como intr\u00ednseca ao Universo. Na filosofia aristot\u00e9lica, o mundo existia na forma de seu modelo cosmol\u00f3gico geoc\u00eantrico (a Terra est\u00e1tica no centro dos outros astros) desde sempre. Arist\u00f3teles, como a maioria dos pensadores gregos da \u00e9poca, n\u00e3o acreditava na ideia de um momento inicial da cria\u00e7\u00e3o do Universo, que foi dada para o mundo ocidental pela tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de tempo c\u00edclico ou n\u00e3o c\u00edclico, portanto, aparece como uma das quest\u00f5es relativas \u00e0s caracter\u00edsticas do tempo desde as origens da ci\u00eancia ocidental. Esta ideia apareceu naturalmente em fun\u00e7\u00e3o dos in\u00fameros fen\u00f4menos peri\u00f3dicos na Natureza: as mar\u00e9s, as esta\u00e7\u00f5es sazonais, os dias sucedendo as noites, e assim por diante. Esses fatos conhecidos desde as civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas, sendo evidentes fen\u00f4menos c\u00edclicos, levaram as civiliza\u00e7\u00f5es primitivas, bem como os pensadores da Antiguidade a imaginarem que o tempo tamb\u00e9m seria circular, ou seja, a Natureza evoluiria de forma a se repetir.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Tempo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13901\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Tempo.jpg\" alt=\"Tempo\" width=\"252\" height=\"200\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Tempo linear e circular <\/strong><\/p>\n<p>O tempo c\u00edclico dos gregos derivava tamb\u00e9m da ideia de perfei\u00e7\u00e3o, sempre presente na filosofia natural grega. Essa mesma ideia os induziu \u00e0 escolha do c\u00edrculo, uma figura perfeita, para a trajet\u00f3ria dos corpos celestes. Em seu &#8220;F\u00edsica&#8221;, Arist\u00f3teles afirma que &#8220;existe um c\u00edrculo em todos os objetos que tem um movimento natural. \u201cIsto se deve ao fato de os objetos serem discriminados pelo tempo, o in\u00edcio e o fim, estando em conformidade com um c\u00edrculo; porque at\u00e9 mesmo o tempo deve ser pensado como circular\u201d.<\/p>\n<p>A ideia de um tempo linear, sem retornos, parece ter sido defendida apenas pelos hebreus e pelo fil\u00f3sofo persa Zoroastro. Os crist\u00e3os introduziram a cren\u00e7a em acontecimentos \u00fanicos, como, por exemplo, a crucifica\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Estes fen\u00f4menos n\u00e3o se repetem. Tamb\u00e9m o apocalipse descreve o fim de um mundo, indicando que haver\u00e1 o encerramento de um ciclo que n\u00e3o se repete mais.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo IV, Santo Agostinho respondia \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 o tempo da seguinte forma: &#8220;se ningu\u00e9m me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, j\u00e1 n\u00e3o sei&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Marmo faz um r\u00e1pido apanhado de conceitos a respeito do tempo, uma ideia que fil\u00f3sofos das mais diferentes regi\u00f5es, cren\u00e7as e religi\u00f5es tentam explicar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13899,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13887","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13887"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13902,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13887\/revisions\/13902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}