{"id":13819,"date":"2016-11-06T17:22:22","date_gmt":"2016-11-06T20:22:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=13819"},"modified":"2016-11-06T17:22:22","modified_gmt":"2016-11-06T20:22:22","slug":"que-pais-e-este","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/que-pais-e-este\/","title":{"rendered":"QUE PA\u00cdS \u00c9 ESTE?!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/em><\/strong><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confesso que fiquei surpreso quando descobri que a origem da inquietante frase \u201cque pa\u00eds \u00e9 este?!\u201d n\u00e3o tem origem na indigna\u00e7\u00e3o cantada pelo saudoso Renato Russo. Mais frustrante ainda foi saber que decorreu de Francelino Pereira, quando era presidente da ARENA &#8211; ensaio de partido pol\u00edtico que defendia o lado mais conservador da ditadura militar. A desabonar ainda mais essa origem prosaica, soube-se que a tal express\u00e3o foi pronunciada de maneira bem rasteira, como um desabafo, quando o pol\u00edtico esperava um elevador que n\u00e3o chegava, na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo. Por uma ou por outra via, por\u00e9m, o sentido de preteri\u00e7\u00e3o permanece e continua a se justificar em dimens\u00f5es diversas. Pensando nessas significa\u00e7\u00f5es eu mesmo me perguntei, mas na realidade \u201cque pa\u00eds \u00e9 este?!\u201d<\/p>\n<p>A fim de ser mais exato, resolvi elaborar uma reflex\u00e3o sobre situa\u00e7\u00f5es em que caberiam aquela pergunta sempre t\u00e3o aflitiva. Foi quando, ent\u00e3o, resolvi pelo filtro da fome\/obesidade. A melhor fonte para tal averigua\u00e7\u00e3o remetia ao Relat\u00f3rio da ONU, datado de 2015. Comecei bem, quando aprendi que a \u201credu\u00e7\u00e3o mais significativa da fome no Brasil aconteceu em 2012, nesse ano, o Pa\u00eds alcan\u00e7ou duas metas da entidade internacional: cortar pela metade o n\u00famero de pessoas passando fome e reduzir esse n\u00famero para menos de 5% da popula\u00e7\u00e3o\u201d. O entusiasmo inicial, contudo, logo foi emba\u00e7ado por outros dados constatados frente os coment\u00e1rios complementares que diziam que os \u201csubalimentados s\u00e3o 3,4 milh\u00f5es no Brasil, pouco menos de 10% da quantidade total da Am\u00e9rica Latina, 34,3 milh\u00f5es\u201d. Ent\u00e3o ouvi a voz do bardo Renato Russo se insinuando: \u201cque pa\u00eds \u00e9 este?!\u201d<\/p>\n<p>Tudo se complicou quando notei pelas recentes pesquisas do IBGE que \u201cmais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 acima do peso (56,9 %)\u201d. Os dados mostraram ainda que a obesidade acomete um em cada cinco brasileiros de 18 anos ou mais em 2013 (20,8%), sendo que o percentual \u00e9 mais alto entre as mulheres (24,4% contra 16,8% dos homens). Em dez anos, a obesidade entre mulheres de 20 anos ou mais passou de 14,0% em 2003, segundo a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF), para 25,2% em 2013, de acordo com a PNS. Entre os homens, o crescimento foi menor, de 9,3% para 17,5% e o ac\u00famulo de gordura abdominal tamb\u00e9m, mostrando-se mais frequente no sexo feminino, atingindo 52,1% das mulheres e 21,8% dos homens. O oposto ocorre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 press\u00e3o arterial, cuja eleva\u00e7\u00e3o foi mais comum entre os homens (25,3%) que entre as mulheres (19,5%), atingindo 22,3% da popula\u00e7\u00e3o no momento da entrevista, ent\u00e3o, outra vez me perguntei: \u201cque pa\u00eds \u00e9 este\u201d?!<\/p>\n<p>Fiquei curioso quando contrastei os n\u00fameros e li as reflex\u00f5es. De um lado temos um \u00edndice de pobreza e fome assustador. De outro, figuramos como campe\u00f5es da obesidade latino-americana. Sabem o que aprendi frente a tudo isso? Que agora, mais do que nunca, vale o questionamento: \u201cque pa\u00eds \u00e9 este?!\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se afirmar que o surgimento da <strong>popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua<\/strong> \u00e9 um dos reflexos da exclus\u00e3o social, que a cada dia atinge e prejudica uma quantidade maior de pessoas que n\u00e3o se enquadram no atual modelo econ\u00f4mico, o qual exige do trabalhador uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional, embora essa seja inacess\u00edvel \u00e0 maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que a cada ano mais indiv\u00edduos utilizam as ruas como moradia, fato desencadeado em decorr\u00eancia de v\u00e1rios fatores: aus\u00eancia de v\u00ednculos familiares, desemprego, viol\u00eancia, perda da autoestima, alcoolismo, uso de drogas, doen\u00e7a mental, entre outros fatores.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome realizou entre os anos de 2007 e 2008 uma pesquisa em 71 cidades brasileiras com popula\u00e7\u00e3o superior a 300 mil habitantes, abrangendo as capitais (exceto S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre). Segundo essa pesquisa, cujos dados foram divulgados em 2008, h\u00e1 31.922 indiv\u00edduos que utilizam as ruas como moradia, no entanto, esses n\u00fameros s\u00e3o bem maiores, pois cidades importantes n\u00e3o se inclu\u00edram na pesquisa.<\/p>\n<p>Os <strong>munic\u00edpios brasileiros que possuem mais moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua s\u00e3o<\/strong>: Rio de Janeiro (4.585), Salvador (3.289), Curitiba (2.776), Bras\u00edlia (1.734), Fortaleza (1.701), S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (1.633), Campinas (1.027), Santos (713), Nova Igua\u00e7u (649), Juiz de Fora (607) e Goi\u00e2nia (563).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12335,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,36],"tags":[],"class_list":["post-13819","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-lazer-e-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13819"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13819\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13820,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13819\/revisions\/13820"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}