{"id":13695,"date":"2016-10-23T10:19:20","date_gmt":"2016-10-23T13:19:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/?p=13695"},"modified":"2016-10-23T10:19:20","modified_gmt":"2016-10-23T13:19:20","slug":"leitura-de-domingo-lendas-e-fenomenos-naturais-dos-sertoes-prof-antonio-marmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/leitura-de-domingo-lendas-e-fenomenos-naturais-dos-sertoes-prof-antonio-marmo\/","title":{"rendered":"Leitura de Domingo: Lendas e fen\u00f4menos naturais dos sert\u00f5es (prof Ant\u00f4nio Marmo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Muitas s\u00e3o as lendas, hist\u00f3rias e fen\u00f4menos que se relatam nos nossos sert\u00f5es.\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Muitas representam partes da nossa hist\u00f3ria, outras s\u00e3o relatos de situa\u00e7\u00f5es que simplesmente tentam passar uma moral.\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Destacamos aqui a Lenda do Curupira e fen\u00f4menos Boi-t\u00e1-t\u00e1 e Fogo F\u00e1tuo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Lenda do Curupira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curupira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13696\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Curupira.jpg\" alt=\"Curupira\" width=\"194\" height=\"259\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um mito antigo no Brasil, j\u00e1 citado por <strong>Anchieta, em 1560<\/strong>.<strong> Curupira<\/strong>. A lenda do <strong>Curupira<\/strong> nasceu com os \u00edndios tupi-guaranis (curu \u00e9 abreviatura de curumim, menino; pira significa corpo) e passou para os sertanejos.\u00a0 Ser tipicamente da floresta, n\u00e3o aparecendo em \u00e1reas urbanas, o\u00a0\u00a0 Curupira \u00e9 um an\u00e3o, cabelos compridos, ruivos, cuja caracter\u00edstica\u00a0\u00a0 principal s\u00e3o os p\u00e9s virados para tr\u00e1s, ou seja, <strong>os calcanhares <\/strong><strong>\u00a0\u00a0para frente.<\/strong> Este defeito lhe especialmente \u00fatil para uma de suas\u00a0\u00a0 maldades prediletas: fazer pessoas perdidas na mata seguir-lhe as pegadas que, afinal, n\u00e3o leva a lugar nenhum. Para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a, ca\u00e7adores e lenhadores costumam suborn\u00e1-lo com iguarias\u00a0\u00a0 deixadas em lugares estrat\u00e9gicos. O Curupira, distra\u00eddo com tais\u00a0\u00a0 oferendas, esquece-se de sua arte e deixa de dar suas pistas\u00a0\u00a0 falsas e chamados enganosos, imitando a voz humana, para desviar\u00a0\u00a0 os que est\u00e3o na floresta no rumo certo.Sendo mito difundido no\u00a0\u00a0 Brasil inteiro, suas caracter\u00edsticas variam bastante. Tem enormes\u00a0 Orelhas aqui; \u00e9 totalmente calvo ali; dentes coloridos acol\u00e1; usa\u00a0\u00a0 machado, \u00e9 feito do casco de jabuti.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Fogo F\u00e1tuo e Gases do P\u00e2ntano<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Fogo-fatuo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13697\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Fogo-fatuo.jpg\" alt=\"Fogo fatuo\" width=\"320\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Fogo-fatuo.jpg 320w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Fogo-fatuo-300x218.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Fogo f\u00e1tuo que tem origem org\u00e2nica e gases do p\u00e2ntano de origem vegetal, <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>produzem fen\u00f4menos id\u00eanticos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando um corpo org\u00e2nico come\u00e7a a entrar em putrefa\u00e7\u00e3o, ocorre a emiss\u00e3o do g\u00e1s metano (CH4). O metano, em condi\u00e7\u00f5es especiais de press\u00e3o e temperatura, em local n\u00e3o ventilado, come\u00e7a a sair do solo e se misturar com o oxig\u00eanio do ar. Em uma porcentagem de aproximadamente 28%, o metano se inflama espontaneamente, sem necessidade de uma fa\u00edsca. Forma uma chama azulada, de curta dura\u00e7\u00e3o, gerando um pequeno ru\u00eddo. Se a pessoa estiver perto e sair correndo, devido ao deslocamento do ar a chama <em>ir\u00e1 atr\u00e1s.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Boi-t\u00e1-t\u00e1 ou Fogo de Santelmo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13700\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta-450x207.png\" alt=\"Boi Ta Ta\" width=\"450\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta-450x207.png 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta-300x138.png 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta-768x354.png 768w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta-165x75.png 165w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Boi-Ta-Ta.png 818w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma das lendas mais tradicionais do Rio Grande do Sul \u00e9 a da <em>Boi-ta-t\u00e1<\/em>. Boi-tat\u00e1, cobra de fogo, chamava-se <em>Boi-guassu<\/em>, ou cobra grande. No dicion\u00e1rio temos: <em>De santo + Elmo<\/em> (Elmo por ermo), santo invocado pelos marinheiros do Mediterr\u00e2neo quando, por ocasi\u00e3o de uma tempestade, aparecia uma chama azulada nos mastros dos navios, produzida pela eletricidade. Um barco em alto mar \u00e9 atritado pelo vento e seu casco pela \u00e1gua. Assim, el\u00e9trons v\u00e3o sendo arrancados e o barco fica com carga est\u00e1tica positiva. Tendo em cima uma nuvem carregada, eletricamente falando, pr\u00f3xima ao barco, pelo efeito do poder das pontas, no alto do mastro v\u00e3o se aglomerar uma grande quantidade de el\u00e9trons, formando uma esp\u00e9cie de ioniza\u00e7\u00e3o azulada, vis\u00edvel a olho nu durante a noite sem luar. O mesmo fen\u00f4meno ocorre no sert\u00e3o entre duas montanhas pr\u00f3ximas, dependendo da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica delas. Quando a diferen\u00e7a de potencial el\u00e9trico entre as montanhas \u00e9 muito intensa, forma-se uma bola de luz, que sai de uma montanha e vai se neutralizar com a outra. Muitos chamam isso de <strong>M\u00e3e do Ouro<\/strong>, <strong>Caipora<\/strong>, <strong>Cabe\u00e7a-de-Cuia<\/strong> ou <strong>Boi-t\u00e1-t\u00e1<\/strong>. Se esse fen\u00f4meno ocorre no alto de um campan\u00e1rio, sobre uma cruz, as pessoas vendo aquela &#8220;chama&#8221; azulada, acreditam que \u00e9 a apari\u00e7\u00e3o da Virgem Maria.<\/p>\n<p><strong>Origem Prov\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil \u00e9 de origem Ind\u00edgena. <strong>Padre<\/strong> <strong>Anchieta<\/strong> j\u00e1 dizia em sua carta: &#8220;<em>H\u00e1 tamb\u00e9m outros fantasmas nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e s\u00e3o chamados de <strong>Baetat\u00e1<\/strong>, que quer dizer, &#8220;Coisa de Fogo&#8221;, o que \u00e9 o mesmo como se dissesse &#8220;o que \u00e9 todo de fogo&#8221;. N\u00e3o se v\u00ea outra coisa sen\u00e3o um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os \u00edndios e mata-os, como os <strong>Curupiras<\/strong>: o que seja isso, ainda n\u00e3o se sabe com certeza.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Os negros africanos tamb\u00e9m trouxeram o mito de uma entidade que habitava as \u00e1guas profundas, e que sa\u00eda a noite para ca\u00e7ar, seu nome (para eles) era Bia tat\u00e1. O <strong>Fogo-f\u00e1tuo<\/strong> \u00e9 tema universal no folclore e em todos os pa\u00edses existem narrativas que tentam lhe dar nomes, torn\u00e1-lo uma entidade fant\u00e1stica, viva.<\/p>\n<p>Uma can\u00e7\u00e3o, no Festival Folcl\u00f3rico de Parintins, no Amazonas faz refer\u00eancias ao Boi-ta-t\u00e1. Eis tal can\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Em noite escura<\/p>\n<p>\u00c9 fogo f\u00e1tuo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>G\u00eanio protetor dos campos<\/p>\n<p>E das \u00e1guas<\/p>\n<p>Cobra grande<\/p>\n<p>Boia\u00e7\u00fa<\/p>\n<p>Boi\u00fana, boi\u00fana<\/p>\n<p>Sucurij\u00fa<\/p>\n<p>A fera que surge do nada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Corre no corpo o arrepio<\/p>\n<p>O sangue nas veias fica frio<\/p>\n<p>Um fogo que \u00e1gua n\u00e3o apaga<\/p>\n<p>Um facho de luz ilumina a escurid\u00e3o<\/p>\n<p>Seus olhos de fogo incendeiam<\/p>\n<p>Tapando os furos<\/p>\n<p>Singrando os rios<\/p>\n<p>A dona da noite<\/p>\n<p>A boca da noite<\/p>\n<p>A dona da noite<\/p>\n<p>Vai chegar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boitat\u00e1, boitat\u00e1<\/p>\n<p>Fogo no ar, fogo no ar<\/p>\n<p>Cobra de fogo<\/p>\n<p>Boia\u00e7\u00fa<\/p>\n<p>Boi\u00fana flutua<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boitat\u00e1, boitat\u00e1<\/p>\n<p>Fogo no ar, fogo no ar<\/p>\n<p>Cobra de fogo<\/p>\n<p>Boia\u00e7\u00fa<\/p>\n<p>Boi\u00fana flutua<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas s\u00e3o as lendas, hist\u00f3rias e fen\u00f4menos que se relatam nos nossos sert\u00f5es.\u00a0Muitas representam partes da nossa hist\u00f3ria, outras s\u00e3o relatos de situa\u00e7\u00f5es que simplesmente &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13700,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13695","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13695"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13701,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13695\/revisions\/13701"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}