{"id":13044,"date":"2016-08-21T19:50:10","date_gmt":"2016-08-21T22:50:10","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=13044"},"modified":"2016-08-24T15:29:58","modified_gmt":"2016-08-24T18:29:58","slug":"leituras-de-domingo-outros-picos-olimpicos-caca-diegues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/leituras-de-domingo-outros-picos-olimpicos-caca-diegues\/","title":{"rendered":"Leituras de domingo: Outros picos ol\u00edmpicos (Cac\u00e1 Diegues)"},"content":{"rendered":"<p>Falar do que, se todo mundo ainda s\u00f3 pensa em Olimp\u00edada? De vez em quando, tento me lembrar de onde estou, para onde vou, como est\u00e3o as coisas em volta de mim. Me horrorizo com a foto de Omran Daqneesh, o silencioso menino ensanguentado pela guerra bo\u00e7al na S\u00edria; lembro que j\u00e1 vimos uma outra vers\u00e3o tr\u00e1gica de situa\u00e7\u00e3o semelhante, na foto de Aylan Kurdi, outro s\u00edrio de 3 anos de idade, encontrado morto por afogamento numa praia da Turquia, longe de sua fam\u00edlia de refugiados, provavelmente tamb\u00e9m afogada na fuga. Para n\u00e3o falar de Dilma, Temer, Cunha, todos aqueles que fizeram de nossas noites desses \u00faltimos anos ins\u00f4nia e pesadelo.<!--more--><\/p>\n<p>Mas confesso que, durante esses dias recentes, dei um tempo na lembran\u00e7a amarga da mis\u00e9ria e da desigualdade, da falta de hospitais e de escolas, do desemprego e da infla\u00e7\u00e3o, da merda em que vamos nos tornando. Esque\u00e7o a vontade de explicar que j\u00e1 houve muita esperan\u00e7a em manh\u00e3s que cantam, em dias melhores que haveriam de vir. Entre uma bra\u00e7ada e um salto, imagino que estou sendo v\u00edtima daquilo que em nossa juventude cham\u00e1vamos de aliena\u00e7\u00e3o. E se o termo saiu de moda, o fen\u00f4meno a que ele se referia continua vivo. Pois a Olimp\u00edada no Rio foi uma saud\u00e1vel aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Omran-Daqneesh.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13046\" title=\"Omran Daqneesh\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Omran-Daqneesh-450x262.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Omran-Daqneesh-450x262.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Omran-Daqneesh-300x175.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Omran-Daqneesh.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<em><strong>Omran Daqneesh, o silencioso menino ensanguentado pela guerra bo\u00e7al na S\u00edria<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Durante os Jogos, reaprendemos a torcer sem odiar, recuperamos o gosto pela natural competi\u00e7\u00e3o entre seres humanos sem a necessidade de um acabar com a exist\u00eancia do outro, saudamos os campe\u00f5es justos e lamentamos as mentiras noturnas de nadadores e diurnas de autoridades. Descobrimos novos \u00eddolos, com quem aprendemos a sorrir, dan\u00e7ar e desejar sermos raio; deploramos a injusti\u00e7a do p\u00eanalti perdido, nos excitamos com o reencontro que nos permitiria a reden\u00e7\u00e3o de nosso maior fracasso (ao escrever esse texto, ainda n\u00e3o sei o resultado da final de s\u00e1bado). Tivemos, enfim, o direito \u00e0 alegria e \u00e0 festa sem culpa, mesmo que ambas durassem apenas umas duas semanas. Foi bom estar no mundo.<\/p>\n<p>Agora, est\u00e1 na hora de acordar da paz esportiva, solid\u00e1ria e festiva. Cada um pro seu lado, retomaremos a dor cotidiana da frustra\u00e7\u00e3o, apagaremos os sorrisos inconsequentes \u00e0 beira das quadras, s\u00f3 nos restar\u00e1 torcer por nossa pr\u00f3pria alma triste, deplorar a nossa aus\u00eancia de recordes humanos na sociedade. Voltaremos \u00e0 depress\u00e3o entre interinos e afastados, entre os que nos acusavam de aliena\u00e7\u00e3o e os que pedem nossa obedi\u00eancia, entre os inconcili\u00e1veis. E, ent\u00e3o, lembraremos com saudade que as tochas n\u00e3o tinham partido.<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p>Assim como n\u00e3o entendo a necessidade de atletas treinados nas For\u00e7as Armadas baterem contin\u00eancia no p\u00f3dio, n\u00e3o concordo com sua demoniza\u00e7\u00e3o por serem ali preparados. Provocados pelos Jogos Mundiais Militares de 2011, realizados no Rio de Janeiro, Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica decidiram assumir a prepara\u00e7\u00e3o de atletas em suas institui\u00e7\u00f5es, dando-lhes patentes militares e sal\u00e1rios convenientes para que pudessem se dedicar a um bom resultado esportivo. Deu nas 114 medalhas naqueles Jogos de 2011, sendo 45 de ouro. E, agora, na lideran\u00e7a dos resultados brasileiros nessa Olimp\u00edada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Thiago-Braz-reduzida1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13054\" title=\"Thiago Braz reduzida\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Thiago-Braz-reduzida1.jpg\" alt=\"\" width=\"443\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Thiago-Braz-reduzida1.jpg 443w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Thiago-Braz-reduzida1-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Thiago-Braz-reduzida1-297x300.jpg 297w\" sizes=\"auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Thiago Braz faz contin\u00eancia ao receber o Ouro na Rio 2016<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Rafaela Silva, Thiago Braz, Rafael \u201cBaby\u201d Silva, Robson Concei\u00e7\u00e3o, a dupla de meninas da vela, essas medalhas de ouro e outras de prata ou bronze foram conquistadas por atletas beneficiados por aquele programa. \u00c9 claro que n\u00e3o deviam militarizar a disputa batendo contin\u00eancias indevidas; mas as For\u00e7as Armadas est\u00e3o, com a prepara\u00e7\u00e3o deles, dando um exemplo a outras institui\u00e7\u00f5es nacionais que podiam fazer o mesmo. Se queremos, de fato, ser um grande pa\u00eds, o sucesso no esporte h\u00e1 de ajudar muito.<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p>Podemos comemorar o fato de que, num pa\u00eds de superfaturamentos e propinas a granel, a Olimp\u00edada do Rio tenha custado 4,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de dinheiro p\u00fablico e privado, contra os 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de sua edi\u00e7\u00e3o anterior, em Londres. Mas o que vai acontecer agora com o Boulevard Ol\u00edmpico e a Zona Portu\u00e1ria da cidade? Desde o Aterro do Flamengo que o Rio n\u00e3o conhece uma interven\u00e7\u00e3o urbana t\u00e3o bem-sucedida.<\/p>\n<p>Imagino o que pode acontecer de bom com outros investimentos ol\u00edmpicos, como arenas, vilas, parques, est\u00e1dios, que deveriam vir a ser ocupados pela popula\u00e7\u00e3o, como habita\u00e7\u00e3o ou espa\u00e7o de lazer. Mas o sistema de mobilidade urbana e a recupera\u00e7\u00e3o da zona do porto precisam ser garantidos e ampliados pelos administradores do presente e do futuro, como os dois principais triunfos brasileiros nesses Jogos. Esse legado n\u00f3s n\u00e3o podemos perder.<\/p>\n<p align=\"right\"><strong><em>Cac\u00e1 Diegues \u00e9 cineasta \/ carlosdiegues2015@gmail.com<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar do que, se todo mundo ainda s\u00f3 pensa em Olimp\u00edada? 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