{"id":12590,"date":"2016-07-17T15:31:55","date_gmt":"2016-07-17T18:31:55","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=12590"},"modified":"2016-07-17T15:31:55","modified_gmt":"2016-07-17T18:31:55","slug":"coluna-do-sebe-em-pratos-limpos-sobre-restaurantes-comida-caseira-e-creme-de-palmito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-sebe-em-pratos-limpos-sobre-restaurantes-comida-caseira-e-creme-de-palmito\/","title":{"rendered":"Coluna do Sebe: Em pratos limpos &#8211; sobre restaurantes, comida caseira e creme de palmito"},"content":{"rendered":"<p>Dizem que o primeiro restaurante aberto foi em Paris, na <em>Rue de Pouiles<\/em> no ano de 1765. Constava da placa o seguinte dizer \u201cVinde a mim, homens de est\u00f4mago cansado, e eu vos restaurarei!\u201d, ali\u00e1s, \u00e9 da\u00ed que vem a palavra restaurante.<!--more--><\/p>\n<p>Anos depois, j\u00e1 em 1782, tamb\u00e9m na capital da Fran\u00e7a, Antoine Beauvilliers inaugurava <em>A Grande Taberna de Londres<\/em>, e conta-se que foram ent\u00e3o estabelecidas as primeiras regras comerciais entre os propriet\u00e1rios e clientes. Foi assim que ficou acertado que a conta deveria ser saldada depois da pessoa comer. Com o sucesso do empreendimento, muitas outras casas foram abertas, mas com varia\u00e7\u00e3o no ritual de cobran\u00e7a, pois, dado o n\u00famero de pessoas que sa\u00edam sem pagar a conta, ficou patente que se o prato estivesse limpo, seria porque o cliente ainda nada devia.<\/p>\n<p>Corridos s\u00e9culos, espalhada pelo mundo, o preceito \u201cdeixar\/por em pratos limpos\u201d passou a significar algo como acerto de contas ou de diferen\u00e7as. H\u00e1 outra vers\u00e3o para esse dizer que ainda hoje povoa discuss\u00f5es: \u201cdeixar em pratos limpos\u201d, tamb\u00e9m pode dizer que a pessoa comeu tudo, sem resto algum, e isto provaria que gostou da comida. Ainda que a primeira alternativa seja mais aceita, n\u00e3o deixo de reconhecer simpatia na segunda e justifico minha predile\u00e7\u00e3o. Vindo de fam\u00edlia libanesa, o ato de comer junto se tornou sagrado. As longas refei\u00e7\u00f5es regadas a muita conversa, conselhos, sugest\u00f5es e afetos, sempre comp\u00f4s um comportamento singular no meu cl\u00e3. At\u00e9 hoje \u00e9 assim, ainda que por vezes n\u00e3o seja atitude repetida. Mas, sempre que podemos nos sentamos em torno de comida at\u00e9 deixarmos os pratos limpos.<\/p>\n<p>Tal medita\u00e7\u00e3o me ocorreu quando recentemente me coloquei a pensar nas mudan\u00e7as de h\u00e1bitos alimentares. Talvez por isto seja que n\u00e3o me acostumo com os tais <em>fast foods<\/em> ou com as critic\u00e1veis comidas vendidas por quilo. \u00c9 claro que somos todos constrangidos a aceitar essas modernidades, mas como elas s\u00e3o danosas para as rela\u00e7\u00f5es sociais! Comprometedoras do bom conv\u00edvio, em fam\u00edlia ainda temos a agravar as del\u00edcias das conversas o uso de celulares. Indigest\u00f5es puras&#8230;<\/p>\n<p>Foi no desdobramento de reflex\u00f5es cozidas na evoca\u00e7\u00e3o do passado que me veio \u00e0 mente algumas lembran\u00e7as que integram minha identidade de <em>bon gourmet<\/em>. Uma delas remete \u00e0s sopas e \u00e0 mem\u00f3ria das comidas de inverno. Nem preciso dizer que sou daqueles que saboreiam rezando um bom caldo \u2013 de feij\u00e3o, verde, de frutos do mar. Hunh!!!<\/p>\n<p>Pois bem, foi assim que me lembrei de uma receita que revolucionou a hist\u00f3ria da alimenta\u00e7\u00e3o de minha fam\u00edlia. Sendo do Vale do Para\u00edba Paulista, havia uma receita principal: a famosa canja de galinha. Como em v\u00e1rias fam\u00edlias, a de minha m\u00e3e era imbat\u00edvel e at\u00e9 torc\u00edamos para algu\u00e9m adoecer para ter a tal \u201csopa\u201d.<\/p>\n<p>Aconteceu um dia de uma prima moderna, da capital, chegar para uns dias de visita e como era inverno, resolveu inovar e fez um \u201ccaldo de palmito\u201d. Nossa, foi um sucesso que s\u00f3 abateu minha m\u00e3e que se viu preterida com suas velhas receitas. De tal forma a novidade chocou que at\u00e9 hoje me lembro da receita, vejam bem: ingredientes, uma cebola picada; um aipo, 200g de manteiga; um ramo de cebolinha e um de salsinha; 500g de palmito picado; 500g de creme de leite; 250ml de vinho branco seco; 250ml de \u00e1gua e sal a gosto. Preparado o material deveria refogar a cebola na manteiga at\u00e9 ficar dourada e ent\u00e3o acrescentar o aipo picado em rodelas, o sal e o vinho. Acrescentar depois a cebolinha e a salsinha e por fim o creme de leite e o palmito. Tudo ferver em fogo brando e ser servido bem quente. Caro leitor, para melhor averiguar, siga a receia e depois responda com franqueza: qual sua explica\u00e7\u00e3o para \u201cdeixar tudo em pratos limpos\u201d? Aguardo respostas, mas espero tamb\u00e9m que se lembrem de contrastar a receia deste caldo de palmito com as das nossas saudosas m\u00e3ezinhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p><strong>por Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy,\u00a0meiconta63@hotmail.com<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que o primeiro restaurante aberto foi em Paris, na Rue de Pouiles no ano de 1765. 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