{"id":12562,"date":"2016-07-17T15:11:57","date_gmt":"2016-07-17T18:11:57","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=12562"},"modified":"2016-07-17T15:11:57","modified_gmt":"2016-07-17T18:11:57","slug":"coluna-do-aquiles-a-voz-e-o-violao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-aquiles-a-voz-e-o-violao\/","title":{"rendered":"Coluna do Aquiles: A voz e o viol\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quando o carteiro me entregou o envelope, jamais eu poderia imaginar que seu conte\u00fado fosse capaz de provocar o feiti\u00e7o que, vez por outra, me domina, uma alucina\u00e7\u00e3o auditiva que percorre meus sentidos, esfrangalhando-os; uma fantasia delirante que me arrepia e acelera. Tudo resumido em quatro palavras: <em>P\u00f3s voc\u00ea e eu <\/em>(selo Circus), \u00e1lbum que junta L\u00edvia Nestrovski (voz) e Arthur Nestrovski (viol\u00e3o).<!--more--><\/p>\n<p>A voz de L\u00edvia soa como se mantivesse uma suposta dist\u00e2ncia de sua garganta e adquirisse vida pr\u00f3pria. Sua voz<strong> <\/strong>vibra como como se fora um epis\u00f3dio sobrenatural, imposs\u00edvel de ser traduzido, nem sequer explicado. J\u00e1 o viol\u00e3o de Arthur repercute como um acalanto imagin\u00e1rio. Seus dedos v\u00e3o \u00e0s cordas como quem tran\u00e7a la\u00e7os de atar e abrigar. A sonoridade resultante de seu virtuosismo ecoa como palavras que servem como escudo que haver\u00e1 de proteger e alertar para as mis\u00e9rias da vida. Com seu instrumento, Arthur n\u00e3o s\u00f3 acompanha, se faz presente.<\/p>\n<p>L\u00edvia e Arthur t\u00eam muito mais em comum do que a m\u00fasica, arte \u00e0 qual se entregam com aptid\u00e3o e perfei\u00e7\u00e3o: s\u00e3o pai e filha, filha e pai. Seus la\u00e7os s\u00e3o mais do que sangu\u00edneos, s\u00e3o outorgados pela m\u00fasica registrada no pentagrama da exist\u00eancia. M\u00fasica que lhes serve n\u00e3o apenas como meio de se comunicar com o mundo, mas tamb\u00e9m como forma de se expor um ao outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pos-voce-e-eu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-12565\" title=\"\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pos-voce-e-eu-450x450.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pos-voce-e-eu-450x450.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pos-voce-e-eu-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pos-voce-e-eu-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pos-voce-e-eu.jpg 460w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cP\u00f3s Voc\u00ea e Eu\u201d, de Arthur Nestrovski e Luiz Tatit, de cujos versos vem o t\u00edtulo do disco, abre o trabalho e tem voz e viol\u00e3o numa grande interpreta\u00e7\u00e3o. L\u00edvia impregna os versos da mais plena do\u00e7ura e Arthur lhe entrega seu viol\u00e3o, apoiando-a, permitindo-lhe que expresse a sua musicalidade por inteiro: \u00fanica, com vibrato e respira\u00e7\u00e3o postos na hora certa, afinada&#8230; uma int\u00e9rprete majestosa!<\/p>\n<p>\u201cSerenata\u201d (vers\u00e3o de Arthur para \u201cSt\u00e4ndchen\u201d, de Franz Schubert e Ludwig Rellstab) tem sabor de can\u00e7\u00e3o brasileira. A delicadeza volta a imperar. Os agudos v\u00eam f\u00e1ceis, certeiros. O viol\u00e3o acompanha e, num <em>intermezzo<\/em> fascinante, se faz ainda mais parceiro da voz.<\/p>\n<p>\u201cLondrina\u201d (Arrigo Barnab\u00e9). Os parceiros se complementam. O viol\u00e3o e a voz geram andamentos suaves, contrastando com a inventividade harm\u00f4nica e mel\u00f3dica da m\u00fasica, numa nova maneira de abord\u00e1-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x2CgaKbWu-o\" frameborder=\"0\" width=\"450\" height=\"253\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 as cl\u00e1ssicas \u201cFolha Morta\u201d (Ari Barroso) e \u201cMolambo\u201d (Jaime Florence e Augusto Mesquita) ganharam vers\u00e3o mais para fora, com a voz demostrando pot\u00eancia, o que destoa um pouco das interpreta\u00e7\u00f5es presentes nas outras nove faixas.<\/p>\n<p>\u201cPra Que Chorar\u201d (vers\u00e3o de Arthur para \u201cIch Grolle Nicht\u201d, de Robert Schumann e Heinrich Heine) tem L\u00edvia murmurando sons aleat\u00f3rios (quase vocalises) que a sensibilidade de Cac\u00e1 Machado (produtor musical) houve por bem deixar registrados.<\/p>\n<p>S\u00e3o carinhos e afetos trocados, tocados e cantados. S\u00e3o voz e m\u00e3os juntadas em extraordin\u00e1ria amorosidade, tudo despontando fervoroso, numa formid\u00e1vel intera\u00e7\u00e3o musical, atrav\u00e9s da qual L\u00edvia e Arthur se despem de qualquer presun\u00e7\u00e3o ou egocentrismo. Meu Deus!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><strong><em>Aquiles Rique Reis<\/em><\/strong><em>, m\u00fasico e vocalista do MPB4<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o carteiro me entregou o envelope, jamais eu poderia imaginar que seu conte\u00fado fosse capaz de provocar o feiti\u00e7o que, vez por outra, me &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32,31],"tags":[],"class_list":["post-12562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coluna-do-aquiles","category-colunas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12562"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12588,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12562\/revisions\/12588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}