{"id":12450,"date":"2016-07-06T17:52:43","date_gmt":"2016-07-06T20:52:43","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=12450"},"modified":"2016-07-06T18:45:51","modified_gmt":"2016-07-06T21:45:51","slug":"jose-neumanne-pinto-tudo-termina-em-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/jose-neumanne-pinto-tudo-termina-em-vinho\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 N\u00eaumanne Pinto: Tudo termina em vinho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Pizza j\u00e1 era! A velha corrup\u00e7\u00e3o brasileira comemora com bons vinhos as colheitas de seu furto. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Por\u00a0<\/em><em>Jos\u00e9 N\u00eaumanne Pinto, jornalista, poeta e escritor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em><!--more--> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Antes de ser ministro de Lula e de ter estra\u00e7alhado a pr\u00f3pria biografia combatendo direitos autorais e a privacidade absoluta dos colegas artistas ricos e famosos, o baiano Gilberto Gil foi exilado pela ditadura militar e de Londres, roendo de saudade, comp\u00f4s e gravou a obra-prima <strong><em>Aquele Abra\u00e7o<\/em><\/strong>. O samba nost\u00e1lgico virou uma esp\u00e9cie de hino informal dos exilados dentro ou fora do Brasil. Ap\u00f3s me ouvir cantarolando-o, a diretora da R\u00e1dio Estad\u00e3o, Paula Miranda, mandou toc\u00e1-lo em minha despedida da hora de 7 \u00e0s 8 que passo no est\u00fadio na companhia luxuosa de Alexandra Romano e Haisen Abaki fazendo uma revis\u00e3o da tumultuada P\u00e1tria amada salve, salve. Valeu at\u00e9 como ep\u00edgrafe: o Rio de Janeiro continua lindo, mas, sobretudo, continua sendo&#8230;<\/p>\n<p>Provas n\u00e3o faltam. O prefeito falastr\u00e3o Eduardo Paes, disposto a fazer o Pa\u00eds \u2013 e, sobretudo, Maric\u00e1, na Grande Rio \u2013 esquecer as besteiras que andou falando e, pior que tudo, fazendo \u2013 como a ciclovia Tim Maia, que desabou, dissolvida em espumas de ressaca, tamb\u00e9m continua causando. Depois de ter chamado de \u201cterr\u00edvel\u201d a gest\u00e3o da pol\u00edcia pelo Estado a um m\u00eas da Olimp\u00edada, ele resolveu ser camarada dos turistas e avisou que a cidade que ele governa n\u00e3o \u00e9 nenhuma Nova York, Chicago ou Londres. Esquece-se de que Nova York foi sinistra antes da \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d; Chicago era de lascar \u00e0 \u00e9poca da Lei Seca; e a Londres de Dickens nunca foi um modelo de conforto e tranquilidade. Suas imagens atuais foram constru\u00eddas com sangue, suor e l\u00e1grimas, como diria um c\u00e9lebre habitante de l\u00e1, o lord almirante Winston Churchill. OK, tudo bem. Talvez fosse o caso de o Comit\u00ea Ol\u00edmpico ter sido avisado quando, seduzido pelo charme de Lulinha de Lindu e Serginho de Cabral, ter preterido Madrid, T\u00f3quio, que tamb\u00e9m podiam ser citadas na frase de Paes, e Chicago, que ele lembrou. Mas n\u00e3o adianta chorar sobre o leite derramado, dizia vov\u00f3 Quinou: h\u00e1 que pegar o touro \u00e0 unha longe da plaza madrilenha das Ventas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_12452\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-Eduardo-Paes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12452\" class=\"size-large wp-image-12452\" title=\"Eduardo Paes\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-Eduardo-Paes-450x298.jpg\" alt=\"Eduardo Paes\" width=\"450\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-Eduardo-Paes-450x298.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-Eduardo-Paes-300x198.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-Eduardo-Paes.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12452\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro<\/p><\/div>\n<p>Paes n\u00e3o foi o primeiro a avisar aos turistas que a Cidade n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o maravilhosa quanto na marchinha de carnaval famosa de Andr\u00e9 Filho, mas ainda \u00e9 cheia de encantos mil e tamb\u00e9m faz festas espetaculares como o r\u00e9veillon de Copacabana e o desfile de escolas de samba da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed. Os policiais, que n\u00e3o recebem do governo estadual, fizeram plant\u00e3o na frente do Gale\u00e3o (aeroporto Tom Jobim) para dar a temer\u00e1rios turistas \u201cboas vindas ao inferno\u201d. Um carro da For\u00e7a Nacional, convocado a colaborar com as autoridades policiais locais no patrulhamento da Olimp\u00edada, teve um retrovisor espatifado por uma bala perdida num lugar que frequentei muito: a avenida Brasil perto da Linha Amarela. Nota oficial providencial avisou que a recep\u00e7\u00e3o espantosa \u00e0 ajuda prometida n\u00e3o ocorreu na vig\u00eancia de seus servi\u00e7os. Imagine se tivesse sido, diria mestre Ariano Suassuna. Seria a cr\u00f4nica do desastre anunciado. Nunca vi uma bala perdida, algo inusitado naquele distante 1969, mas o agente transmitiu para o Pa\u00eds seu terror.<\/p>\n<p>E esta n\u00e3o foi a \u00fanica homenagem que a cidade dedicada a S\u00e3o Sebasti\u00e3o, soldado flechado e seu padroeiro, prestou ao Conselheiro Ac\u00e1cio, de E\u00e7a de Queiroz, nestes \u00faltimos dias. Como aquele predecessor do \u00f3bvio ululante do carioca nascido em Recife Nelson Rodrigues, Paes constatou o \u00f3bvio que ulula. E o paulista Alexandre Morais, ministro da Justi\u00e7a de Temer, tamb\u00e9m. Sua Excel\u00eancia reconheceu o que nenhum carioca o fez, nem os de ado\u00e7\u00e3o. Que h\u00e1 risco de terrorismo no Rio. Pode ser at\u00e9 que ele se tenha inspirado na conversa que teve com o chefe Temer no barbeiro, em que o esperou sem que o dono do sal\u00e3o soubesse o que podia fazer diante de seu coco raspado. Bom, pelo menos ele deve ter lido nos jornais que o Estado Isl\u00e2mico (EI) est\u00e1 espalhando o terror pelo mundo porque \u00e9 acossado nos territ\u00f3rios que tinha conquistado na Turquia e no Ir\u00e3. A Olimp\u00edada \u00e9 um destino \u00f3bvio de seus terroristas-bombas. E, a n\u00e3o ser que os bandidos locais ajudem a combater os importados, n\u00e3o vai ser f\u00e1cil as autoridades imporem a ordem p\u00fablica numa cidade em que traficantes p\u00e9s de chinelo, como o Fat Family, s\u00e3o resgatados a bala, com morte de inocente, em hospital p\u00fablico apontado como modelo na propaganda oficial da Olimp\u00edada mais privatizada do mundo (pelo menos segundo Paes). Mas n\u00e3o \u00e9 o caso de chamar desgra\u00e7a, pois no Rio este talvez seja o \u00fanico produto que se pode encontrar nos hospitais, escolas e outras reparti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Seja Al\u00e1 misericordioso para que o Estado Isl\u00e2mico n\u00e3o queira repetir as agruras do Bin Laden imagin\u00e1rio do humor\u00edstico da TV, submetido \u00e0s agruras dos morros do Rio! Afinal, Dilma Rousseff, sempre disposta a negociar com os terroristas da Jihad, cuidando de eliminar golpistas a seu redor, n\u00e3o tem mais autoridade para negociar com eles, como pretendia, numa a\u00e7\u00e3o sem gra\u00e7a mais absurda do que a piada na TV.<\/p>\n<p>No meio desses tiroteios todos, o Rio ainda \u00e9 capaz de apresentar sinais de que a mudan\u00e7a da capital para Bras\u00edlia n\u00e3o evita que ela continue fornecendo personagens que sintetizam a velha malandragem nacional, nem sempre boa. \u00c9 o caso de Fernando Cavendish, o empreiteiro gr\u00e3-fino e fin\u00f3rio que se d\u00e1 bem h\u00e1 muito tempo, apesar de tamb\u00e9m se ter tornado not\u00f3rio, uma rima, mas nunca uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com ele trouxe \u00e0 baila o desembargador federal Ant\u00f4nio Ivan Athi\u00e9, do Tribunal Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o (TRF2), protagonista de um processo levado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2004, acusado de ter participado de um esquema de fraudes no sistema judicial que resultaram em danos ao patrim\u00f4nio p\u00fablico. Ele resolveu mandar Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira pra casa com tornozeleiras, mas eles s\u00f3 ficaram na pris\u00e3o porque n\u00e3o h\u00e1 tornozeleiras \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no Rio. Depois de t\u00ea-lo feito, declarou-se \u201csuspeito\u201d em a\u00e7\u00f5es do empreiteiro. Manda soltar e, depois, declara-se \u201csuspeito\u201d. N\u00e3o \u00e9 cara de nosso Brasil varonil?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-12454 aligncenter\" title=\"Antonio Ivan Athi\u00ea\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-450x337.jpeg\" alt=\"Antonio Ivan Athi\u00ea\" width=\"450\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-450x337.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-300x225.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16-560x420.jpeg 560w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/16.jpeg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00a0Desembargador Federal Ant\u00f4nio Ivan Athi\u00e9, manda soltar e depois\u00a0declarou-se \u201csuspeito\u201d em a\u00e7\u00f5es do Cavendish<\/strong><\/em><\/p>\n<p>De uma coisa, contudo, nem ele nem o Rio podem ser acusados: sua cidade n\u00e3o \u00e9 mais a capital federal, que Juscelino Kubitschek transferiu para o Planalto Central do Pa\u00eds, que Caetano, parceiro de Gil, canta na can\u00e7\u00e3o que come\u00e7a e encerra a novela Velho Chico, de Benedito Ruy Barbosa, \u00e0s 21 horas, na Globo.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, ao contr\u00e1rio do que pensa quem n\u00e3o \u00e9 muito bem informado, nem tudo termina em pizza. A maioria das transa\u00e7\u00f5es mais sinistras come\u00e7a em regabofes que re\u00fanem amiguinhos dos tr\u00eas poderes regados \u00e0 melhor produ\u00e7\u00e3o vin\u00edcola de Bord\u00e9us e arredores. Pois nossa p\u00e1tria da m\u00e1fia p\u00fablica, que ainda controla os cord\u00e9is republicanos na cidade constru\u00edda onde S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco mandou, n\u00e3o recorre a tradi\u00e7\u00f5es napolitanas para comemorar seus feitos de furto. Mas \u00e0s melhores safras vin\u00edcolas do Velho Continente, da Calif\u00f3rnia e da Oceania.<\/p>\n<p>E, antes que me esque\u00e7a, aquele abra\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pizza j\u00e1 era! A velha corrup\u00e7\u00e3o brasileira comemora com bons vinhos as colheitas de seu furto. 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