{"id":12216,"date":"2016-06-20T18:06:33","date_gmt":"2016-06-20T21:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=12216"},"modified":"2016-06-21T10:54:12","modified_gmt":"2016-06-21T13:54:12","slug":"o-casamento-do-violeiro-com-a-viola-paulo-freire-segundo-aquiles-do-mpb4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/o-casamento-do-violeiro-com-a-viola-paulo-freire-segundo-aquiles-do-mpb4\/","title":{"rendered":"O casamento do violeiro com a viola (Paulo Freire segundo Aquiles do MPB4)"},"content":{"rendered":"<p><em>Viola caipira, viola sertaneja, viola de dez cordas, viola cabocla, viola de arame, viola de folia, viola nordestina, viola de repente, viola brasileira s\u00e3o alguns dos nomes que encontramos para designar este instrumento que, aos poucos, tornou-se um dos porta-vozes do Brasil Interior. (&#8230;) Apesar de todos estes atributos t\u00e3o nossos (&#8230;) a viola e\u0301 na verdade um instrumento de origem portuguesa (&#8230;)<\/em> (Paulo Freire)<!--more--><\/p>\n<p>Paulo Freire \u00e9 escritor e violeiro. O mo\u00e7o proseia como quem toca moda na viola. Inventivos s\u00e3o seus causos. Bela \u00e9 a viola, bem como a afina\u00e7\u00e3o usada pelo violeiro: \u201crio abaixo\u201d \u2013 em sol maior. Louve-se a sua coragem de desprezar a supersti\u00e7\u00e3o de que esta afina\u00e7\u00e3o \u00e9 usada pelo coisa-ruim. Vixe!<\/p>\n<p>A simplicidade da viola \u00e9 apenas aparente. Seus ponteados s\u00e3o plenos de sonoridade nordestina. De uma brasilidade que vem do canto dos p\u00e1ssaros e das matas onde habitam os curupiras, que t\u00eam os p\u00e9s voltados para tr\u00e1s, os lobisomens, que bebem sangue, e as mulas-sem-cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9, minha gente, o violeiro Paulo Freire combinou consigo mesmo que chegara a hora de, sozinho, mostrar sua intimidade com a viola, revelando a sua alucinada paix\u00e3o pelo instrumento.<\/p>\n<p>Valendo-se de seus conhecimentos musicais, que v\u00e3o do viol\u00e3o \u00e0 guitarra e ao viol\u00e3o erudito, empunhou a viola e p\u00f4s-se a matutar no que haveria de criar para sair num CD s\u00f3 dela e dele. Nasceu <em>P\u00f3rva<\/em> (selo Vai Ouvindo). Com nove temas instrumentais in\u00e9ditos, bem como tr\u00eas regrava\u00e7\u00f5es (todos de sua autoria), Freire mais uma vez demonstra ser um vibrante instrumentista e compositor.<\/p>\n<p>Para gravar este que \u00e9 seu d\u00e9cimo primeiro \u00e1lbum, mas o primeiro que conta apenas com sua viola de dez cordas, Freire demonstra a excel\u00eancia de seu aprendizado, que se deu na mineira Urucuia, terra de mestres bambas na viola.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/13-Paulo-Freire.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-12219\" title=\"13 Paulo Freire\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/13-Paulo-Freire-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/13-Paulo-Freire-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/13-Paulo-Freire.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Paulo Freire e sua viola<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Seu trabalho \u00e9 arrebatador. Logo de cara, \u201cP\u00f3rva\u201d, m\u00fasica que d\u00e1 t\u00edtulo ao CD (cujo significado deriva do substantivo \u201cp\u00f3lvora\u201d), vem arritmo, com o violeiro dedilhando acordes de um bonito tema. Logo a levada chega. A viola sola a melodia tocando em ter\u00e7as. Acordes com as cordas presas, numa escala ascendente, real\u00e7am o ritmo. Improviso nas notas mais agudas, a m\u00e3o direita bole as cordas, ralenta e leva ao fim.<\/p>\n<p>\u201cTicotuco\u201d, uma das mais belas do disco, come\u00e7a com acordes dedilhados pelo violeiro. A melodia \u00e9 linda. A pegada acelera a moda. Notas bem agudas soam pelos dedos \u00e1geis. O ritmo acelera, a viola vibra, o violeiro chora pela harmonia bem cuidada do tema.<\/p>\n<p>Outra moda, a mais bonita dentre as doze gravadas, \u00e9 \u201cTei\u00fa do Jarau\u201d. Uma\u00a0 levada arrasadora impera na introdu\u00e7\u00e3o carregada de brasilidade. A melodia passeia pela harmonia que a conduz de forma \u00e9pica. Um desenho em notas graves, quase um mantra, repercute, pleno de lamento e boniteza.<\/p>\n<p><em>P\u00f3rva <\/em>tem a sutileza de um causo contado em noite de lua, tem plenos requintes de um violeiro enamorado por sua viola de dez cordas. \u00c9 um documento que identifica a cultura de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"right\"><strong><em>Aquiles Rique Reis<\/em><\/strong><em>, m\u00fasico e vocalista do MPB4<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viola caipira, viola sertaneja, viola de dez cordas, viola cabocla, viola de arame, viola de folia, viola nordestina, viola de repente, viola brasileira s\u00e3o alguns &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12217,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32,31],"tags":[],"class_list":["post-12216","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coluna-do-aquiles","category-colunas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12216"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12235,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12216\/revisions\/12235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}