{"id":12055,"date":"2016-06-11T14:02:05","date_gmt":"2016-06-11T17:02:05","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=12055"},"modified":"2016-06-14T15:12:27","modified_gmt":"2016-06-14T18:12:27","slug":"leitura-de-fim-de-semana-cultura-musical-desenvolvimento-e-progresso-economico-jose-carlos-sebe-bom-meihy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/leitura-de-fim-de-semana-cultura-musical-desenvolvimento-e-progresso-economico-jose-carlos-sebe-bom-meihy\/","title":{"rendered":"Leitura de fim de semana: Cultura musical, desenvolvimento e progresso econ\u00f4mico (Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy)"},"content":{"rendered":"<p><em>Engra\u00e7ado como algumas \u201cantigas\u201d can\u00e7\u00f5es n\u00e3o envelhecem nunca. Em 1987, os Tit\u00e3s &#8211; Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sergio Brito -, por exemplo, se juntaram para lan\u00e7ar um cl\u00e1ssico que bem poderia ser listado como \u201ccan\u00e7\u00f5es de protesto\u201d, manifesta\u00e7\u00e3o t\u00edpica da d\u00e9cada dos ditadores. Antes, vale afirmar que algumas essas m\u00fasicas \u201cvelhas\u201d, pelo contr\u00e1rio ganham for\u00e7a e, como que renascidas, se aplicam a diferentes contextos.<strong><!--more--><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Nesta linha, uma composi\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel, intitulada \u201cComida\u201d, se ajusta aos dias de hoje como se fora escrita ontem \u00e0 noite. Vejamos a letra \u201c<em>Bebida \u00e9 \u00e1gua!\/ Comida \u00e9 pasto!\/ Voc\u00ea tem sede de qu\u00ea?\/ Voc\u00ea tem fome de qu\u00ea?\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida\/ A gente quer comida, divers\u00e3o e arte\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida\/ A gente quer sa\u00edda para qualquer parte\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida\/ A gente quer bebida, divers\u00e3o, bal\u00e9\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida\/ A gente quer a vida como a vida quer\/ Bebida \u00e9 \u00e1gua!\/ Comida \u00e9 pasto!\/ Voc\u00ea tem sede de qu\u00ea?\/ Voc\u00ea tem fome de qu\u00ea?\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comer\/ A gente quer comer e quer fazer amor\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comer\/ A gente quer prazer pra aliviar a dor\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 dinheiro\/ A gente quer dinheiro e felicidade\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 dinheiro\/ A gente quer inteiro e n\u00e3o pela metade\/ Bebida \u00e9 \u00e1gua!\/ Comida \u00e9 pasto!\/ Voc\u00ea tem sede de qu\u00ea?\/ Voc\u00ea tem fome de qu\u00ea?\/ A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida\/ A gente quer comida, divers\u00e3o e arte<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a chave que definia o conjunto Tit\u00e3s era a do Rock Brasileiro, mas o teor reivindicativo dessa letra mostra a rela\u00e7\u00e3o complementar entre supera\u00e7\u00e3o da fome e cultura, fatos inerentes \u00e0 da condi\u00e7\u00e3o social, humana. Vendo agora a absurda atitude do presidente interino em submeter a quest\u00e3o cultural ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, cabe recordar o que est\u00e1 registrado no nosso cancioneiro e que vale como li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em style=\"text-align: center;\"><strong>Banda Tit\u00e3s j\u00e1 com a forma\u00e7\u00e3o de cinco m\u00fasicos<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 erro crasso pensar que abolindo responsabilidades culturais do estado, vamos ter sucesso econ\u00f4mico. Pior ainda pensar que verbas da cultura podem ser reduzidas em favor do desenvolvimento econ\u00f4mico como se um dependesse do outro. Ambos est\u00e3o intimamente ligados; debilitado um o outro gera deforma\u00e7\u00f5es e depend\u00eancias de outras solu\u00e7\u00f5es culturais, estrangeiras. Tudo cresce junto e em harmonia. O patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, os bens materiais ou n\u00e3o, as tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o prioridades identit\u00e1rias t\u00e3o importantes como o bom resultado econ\u00f4mico. E n\u00e3o \u00e9 a pasta da Educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 t\u00e3o sobrecarregada, que dar\u00e1 conta de especificidades que abarcam o cinema, a m\u00fasica, a produ\u00e7\u00e3o teatral, bibliotecas, produ\u00e7\u00f5es de pesquisas. Sem tais bens, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar grande. E a tradi\u00e7\u00e3o musical brasileira mostra isto.<\/p>\n<p>Vejamos a presen\u00e7a longa da rela\u00e7\u00e3o do tema fome na vida pol\u00edtica nacional, curiosamente sempre ligada \u00e0 quest\u00e3o cultural. Assim, \u00e9 correto dizer que o cancioneiro nacional insiste no v\u00ednculo da cultura com o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o em geral. Ali\u00e1s, uma dessas can\u00e7\u00f5es funcionou como esp\u00e9cie de hino da gera\u00e7\u00e3o que protestava contra o regime. Desde o t\u00edtulo \u201cCaminhando\u201d, a primeira estrofe j\u00e1 rezava, em 1968, \u201c<em>Pelos campos h\u00e1 fome em grandes planta\u00e7\u00f5es\/ Pelas ruas marchando indecisos cord\u00f5es\/ Ainda fazem da flor seu mais forte refr\u00e3o\/ E acreditam nas flores vencendo o canh\u00e3o<\/em>\u201d. Vandr\u00e9, assim dimensionava uma das muitas contradi\u00e7\u00f5es daquele governo que n\u00e3o conseguia esconder a fome que desmentia o mito do \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d tido como maior que a raz\u00e3o cultural brasileira. N\u00e3o \u00e9 sem sentido que se explica porque essa can\u00e7\u00e3o foi proibida e os discos do compositor foram destru\u00eddos. A economia n\u00e3o venceu a cultura.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Caetano.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12058\" title=\"Caetano\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Caetano.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Caetano.jpg 318w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Caetano-300x150.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Caetano Veloso cada vez mais atual<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Curiosamente, no mesmo ano, com \u201cAlegria, alegria\u201d, Caetano Veloso abordava o tema da fome dizendo, ao relacion\u00e1-la \u00e0 cultura, \u201c<em>Por entre fotos e nomes\/ sem livros e sem fuzil\/ sem fome, sem telefone\/ no cora\u00e7\u00e3o do Brasil<\/em>\u201d. Como se os bens econ\u00f4micos fossem aut\u00f4nomos e pretensamente isolados de outros aspectos, a tentativa de pens\u00e1-lo como subalterno revela a ignor\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o de progresso, infelizmente, vemos pessoas apoiando atitudes culturais iconoclastas. Pior: pol\u00edticas que, se mantidas, nos far\u00e3o ainda avessos aos ideais de ordem e progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy:\u00a0jcarlosbm@hotmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engra\u00e7ado como algumas \u201cantigas\u201d can\u00e7\u00f5es n\u00e3o envelhecem nunca. 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