{"id":11652,"date":"2016-05-09T17:36:35","date_gmt":"2016-05-09T20:36:35","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=11652"},"modified":"2016-05-10T10:57:51","modified_gmt":"2016-05-10T13:57:51","slug":"sierra-maestra-fragmento-de-uma-viagem-que-nao-fiz-licao-de-mestre-jose-carlos-sebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/sierra-maestra-fragmento-de-uma-viagem-que-nao-fiz-licao-de-mestre-jose-carlos-sebe\/","title":{"rendered":"Sierra Maestra: fragmento de uma viagem que n\u00e3o fiz&#8230; Li\u00e7\u00e3o de Mestre Jos\u00e9 Carlos Sebe"},"content":{"rendered":"<p>O ver\u00e3o de 1976 foi muito quente, em coer\u00eancia perfeita com nosso sufocante clima pol\u00edtico daquele ent\u00e3o. Sem pudores, a ditadura militar n\u00e3o escondia suas garras j\u00e1 desgastadas, mas sempre expostas, exigindo dos contr\u00e1rios, \u201ca\u00e7\u00f5es subversivas\u201d. Por aqueles dias, o forjado milagre econ\u00f4mico se desmentia em abusivo aumento de taxas que, junto com o problema internacional do petr\u00f3leo, anunciava o fracasso dos generais. <!--more-->Latente, os dirigentes prevendo a agonia do regime, sob o comando de Geisel, propunham uma \u201cabertura lenta, gradual e segura\u201d.<\/p>\n<p>Fortalecida, a oposi\u00e7\u00e3o desde 1974 se via animada com vit\u00f3ria de mais de 53% dos votos populares. Na aparente quietude do ideal democr\u00e1tico, a m\u00e1scara autorit\u00e1ria se desafazia. Mas, isso era pouco para minhas aspira\u00e7\u00f5es juvenis. Muitos \u2013 hoje senhores feitos \u2013 guardam fa\u00e7anhas incr\u00edveis de dribles dados nas divididas daquele jogo macabro. Eu tenho uma hist\u00f3ria para contar e o fa\u00e7o com olhos amanhecidos do menino sonhador que fui um dia.<\/p>\n<p>Minha fantasia era conhecer Sierra Maestra, cen\u00e1rio do ep\u00edlogo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana de 1959. A cultivada viagem equivalia ao avesso de utopias reprimidas e al\u00e7ava a condi\u00e7\u00e3o de redesenho libert\u00e1rio, pe\u00e7as soltas no espa\u00e7o da repress\u00e3o bandida. No ano anterior, em \u00a0outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog fora assassinado nas depend\u00eancias do DOI-Codi em S\u00e3o Paulo e em janeiro daquele 1976, Manuel Fiel Filho, oper\u00e1rio, fora executado em semelhantes circunst\u00e2ncias. Era demais para mim&#8230; Precisava de Cuba&#8230;<\/p>\n<p>Curioso, li tudo que achei sobre Sierra Maestra. Vi filmes, coletei not\u00edcias, reuni relatos e romances sobre a \u00e1rea. Todas as dificuldades se me impunham e precisei inclusive desenvolver estrat\u00e9gia para esquadrinhar os mapas separados da biblioteca, como se fosse para dar aulas sobre geografia da Am\u00e9rica Latina Caribenha. Cron\u00f3pio que sou, tratei de detalhar roteiros. Ouvi algumas pessoas e assim me inteirei do clima, da alimenta\u00e7\u00e3o, das roupas adequadas. Tudo como a quem urgia fazer o sonho virar epopeia pessoal.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Fidel-em-Sierra-Maestra.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11654\" title=\"Fidel em Sierra Maestra\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Fidel-em-Sierra-Maestra-450x428.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Fidel-em-Sierra-Maestra-450x428.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Fidel-em-Sierra-Maestra-300x285.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Fidel-em-Sierra-Maestra.jpeg 576w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Fidel Castro, de \u00f3culos e boina, em plena guerra de guerrilha nos anos 1950<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>\u00c9 preciso dizer que atravess\u00e1vamos uma \u00e9poca de sequestros de avi\u00f5es e, por mais estranho que pare\u00e7a, ser levado a Cuba em nave arrestada seria o m\u00e1ximo. N\u00e3o aconteceu assim, mas dei meu jeito. Trabalhava ent\u00e3o para uma companhia de Turismo, Stela Barros que, por sua vez, tinha conex\u00f5es com uma ag\u00eancia de Taubat\u00e9, ABC Turismo, da fam\u00edlia Matera. Por aquele tempo, a Disney World j\u00e1 atraia a meninada e eu liderei algumas excurs\u00f5es. E guardava meus tost\u00f5es at\u00e9 que finalmente capitalizado empreendi um p\u00e9riplo que me fazia feliz com o lustro de rapaz revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A aventura era complicada, pois tive de voar at\u00e9 Miami, de l\u00e1 para a Cidade do M\u00e9xico e de l\u00e1, clandestino, cheguei a Santiago. Fiquei deslumbrado com a Cidade Velha, Centro Hist\u00f3rico, com o povo, m\u00fasica, comida&#8230; E com o ambiente pol\u00edtico. Mas isto n\u00e3o era tudo. O planejado era ir a Sierra Maestra. Mas onde mesmo ficava tal lugar?<\/p>\n<p>De Santiago, as \u201csagradas montanhas\u201d sequer eram vistas. Foi assim que me joguei na problem\u00e1tica cubana p\u00f3s-revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Havia sim velhos autom\u00f3veis que fariam a viagem para turistas, mas era muito caro. Segui sugest\u00e3o de apoio na Universidade, mas os colegas n\u00e3o tinham recursos para empreender meu sonho. Correndo por v\u00e1rios caminhos, buscando socorro para finalizar o prop\u00f3sito da viagem, vi a semana se passar. Frustra\u00e7\u00f5es: fui a Cuba, venci todos os empecilhos poss\u00edveis, mas n\u00e3o cheguei ao destino ideado.<\/p>\n<p>O que contei na volta? Para os c\u00edrculos mais \u00edntimos, exatamente para eles, n\u00e3o podia deixar de propalar as maravilhas do que n\u00e3o vi. Minha cabe\u00e7a, sem titubeios, montou uma narrativa imagin\u00e1ria e a mem\u00f3ria do que vi no papel, ouvi das pessoas e gravei de filmes e not\u00edcias foi o suficiente para me permitir destilar a mem\u00f3ria de uma viagem que n\u00e3o fiz. Para os demais, o sil\u00eancio era conveniente e alternativa \u00fanica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Sierra-Maestra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11655\" title=\"Sierra Maestra\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Sierra-Maestra.jpg\" alt=\"\" width=\"307\" height=\"164\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Sierra-Maestra.jpg 307w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Sierra-Maestra-300x160.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ver\u00e3o de 1976 foi muito quente, em coer\u00eancia perfeita com nosso sufocante clima pol\u00edtico daquele ent\u00e3o. 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